Numa festa da Corte, Paulo, um jovem romântico, recém-chegado ao Rio de Janeiro, defronta-se com a irradiante beleza de uma jovem dama. Ao cortejar essa “senhora”, no entanto, é zombado pelo amigo, pois ela é Lúcia, a mais bela e requisitada cortesã da cidade. Ainda que envergonhado por sua ingenuidade, Paulo não consegue tirar a imagem de Lúcia de sua mente. Certamente fora seduzido. Entretanto, para um sonhador como ele, envolver-se com uma mulher como Lúcia poderia ser perigoso... Saberia Paulo se envolver sem se apaixonar? Repleto de ardilosas tramas amorosas, o romance de José de Alencar, inspirado em “A dama das camélias”, de Alexandre Dumas, traça um esboço da frivolidade da sociedade carioca do Segundo Reinado, marcada pela hipocrisia e pela promiscuidade.
José Martiniano de Alencar was a Brazilian lawyer, politician, orator, novelist and dramatist. He is one of the most famous writers of the first generation of Brazilian Romanticism, writing historical, regionalist and Indianist romances — being the most famous The Guarani. He wrote some works under pen name Erasmo. He is patron of the 23rd chair of the Brazilian Academy of Letters.
José de Alencar was born in what is today the bairro of Messejana on May 1, 1829, to priest (and later senator) José Martiniano Pereira de Alencar and his cousin Ana Josefina de Alencar. Moving to São Paulo in 1844, he graduated in Law at the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo in 1850 and starts to follow his lawyer career at Rio de Janeiro. Invited by his friend Francisco Otaviano, he becomes a collaborator for journal Correio Mercantil. He also wrote for the Diário do Rio de Janeiro and the Jornal do Commercio.
The house of José de Alencar, in Messejana It was in the Diário do Rio de Janeiro, during the year of 1856, that Alencar gained notoriety, writing the Cartas sobre A Confederação dos Tamoios, under the pseudonym Ig. In those, he criticized the homonymous poem by Gonçalves de Magalhães. Also in 1856, he wrote and published under feuilleton form his first romance: Cinco Minutos. He was a personal friend of Joaquim Maria Machado de Assis. Coincidentally, Alencar is the patron of the chair Assis occupied. He died in Rio de Janeiro in 1877, a victim of tuberculosis.
Tinha uma péssima experiência com o Alencar do meu tempo de escola (O Guarani) e Luciola levou um tempo para pegar no tranco, mas no final foi uma ótima experiência do romantismo brasileiro, mesmo que as últimas dezenas de páginas voltem a uma certa previsibilidade como no começo do livro, mas o que fica mesmo é a linguagem requintada de Alencar.
Se você é daqueles que não se importa com a prosa do autor, se não se interessa por descrições detalhadas e gosta de história sem sutilezas e com personagens óbvias e transparentes esse livro não é pra você. Lucíola é um livro que, diferente de muitos escritos mais atuais, conta uma história sem buscar agradar o leitor. Os personagens têm defeitos e cometem erros. Apesar de muitos aspectos positivos que me encantaram, como o forte mistério dos motivos por trás das ações e falas dos personagens e a temática da prostituição, tabu até os dias de hoje, o final da obra me decepcionou um pouco.
Wow. I loved this book. That's the fifth book of José de Alencar that I read. He is a classical author that I really like even though classic books are not my favorite genre. I was very excited to read Lucíola and I didn't get disappointed. I knew the story already but even that way he impressed me. I liked the characters, the quotes, the story, and of course the writing. I wanted a different end, but still, I couldn't give less than 5 stars because the writing was so true, palpable, honest that I felt that I had read a real story, a very beautiful one.
É difícil avaliar um livro escrito há mais de 150 anos atrás, até porque a minha leitura é feita com um olhar crítico a partir da contemporaneidade... Trata-se aqui de uma obra nacional que marcou história por ter polemizado ao retratar o amor de um homem com uma prostituta e, por esse motivo, reconheço sua importância para a nossa literatura. Esse trabalho de Alencar é simples, mas foi interessante o suficiente para conseguir me manter interessado durante a leitura.
O meu maior problema com o livro foi o desenvolvimento das suas personagens, que de tão instáveis pareciam todas sofrerem de algum tipo de transtorno psiquiátrico. As explicações dadas pelo autor para justificar as alterações em seus humores não me pareceram verossímeis. Mais ainda, o número de pessoas inseridas abruptamente na narrativa só para que a história caminhasse em alguma direção desejada por Alencar também foi algo que, em minha opinião, prejudicou a obra.
Além disso, me incomodou também ver uma mulher como a Lúcia retratada de forma tão submissa. Sei que essa é uma característica dos livros de autores do movimento romantista, mas eu esperava uma mulher mais forte - até pelo fato de se tratar de uma cortesã que teve que aprender a se virar sozinha no mundo.
Por fim, acho que posso afirmar que não acredito que "Lucíola" seria um clássico por si só: o contexto histórico em que foi escrito e o debate que levantou na sociedade da época foram os elementos responsáveis por alçar o livro a esse status e o mantém lá até os dias de hoje. De qualquer forma, como já disse anteriormente, foi uma leitura acessível e prazerosa, mesmo com a linguagem rebuscada de José de Alencar. Mostrou-se uma boa pedida para uma semana calorosa de Janeiro.
Ainda que eu não seja grande fã do Romantismo, principalmente pelo moralismo cristão, maniqueísta e conservador (o que esperar do século XIX, não é mesmo?), e por tanta idealização amorosa, devo dizer que Alencar entregou um romance interessante.
É verdade que sua escrita é bem feita, ainda que excessivamente metafórica e dramática em alguns momentos. Mas algo de que realmente gostei foi a construção da personagem Lucíola: ainda que nem tão aprofundada, tem um nível relevante de elaboração psicológica que a torna intrigante. Misteriosa e decidida, possui uma carga emocional latente, dada por sua trajetória até aquele momento. Ademais, se desenvolve através da história, não sendo uma personagem totalmente plana. Uma pena que o fim da narrativa a levou a esse símbolo de punitivismo cristão, tinha potencial para mais.
Como sempre digo, é difícil não ler através da lente dos nossos tempos, ainda mais considerando princípios que a mim são extremamente essenciais. Lucíola é um romance que expõe bem o moralismo patriarcal da época, que divide mulheres entre puras e perdidas; sendo umas idealizadas como a verdadeira expressão do feminino e prestigiadas pela sociedade, e outras, completamente marginalizadas e demonizadas.
Mesmo que Paulo seja uma espécie de contrassenso da sua sociedade, é alguém que carrega e exala muitos valores da mesma, sendo principalmente ciumento e orgulhoso (aquela famosa masculinidade de balão). E é exposto, e considerado pela própria Lúcia (ou melhor, Maria), como o "Salvador".
É de se esperar que um romance da juventude de qualquer escritor seja ainda imaturo: talvez este seja o caso de "Lucíola". Apesar de ter seus grandes momentos em um discurso em prol da emancipação feminina na imagem da protagonista Lúcia, a narrativa é outrora chã por sua narrativa repetitiva. Diria que talvez a obra seja mais interessante na sua primeira metade e deixa a desejar em sua conclusão, na história de purificação de Lúcia, a dama das camélias brasileira (deixado assim muito claro por uma referência direta ao romance de Dumas Filho). Contudo, vale observar como Alencar joga com uma narrativa altamente erótica - na primeira metade do romance - com naturalidade, sem tornar as cenas de nudez caricatas ou exageradas; como é o caso, por exemplo, em "O cortiço" de Azevedo ou "O Primo Basílio" de Eça de Queirós. A mestria alencariana se faz ao máximo talvez em duas cenas deste teor: a primeira nudez de Lúcia com Paulo e o banquete bacante na casa de Sá. Ademais, reafirmo como Alencar faz em sua protagonista um bastião da emancipação feminina em pleno séc. XIX, ainda mais, no corpo de uma "cortesã", como é chamada; tal fator só é fortalecido pelas presenças masculinas, começando pelo ingênuo e limitado Paulo (o narrador) e seus comparsas: Sá, Couto, etc. Lúcia é talvez uma das grandes figuras femininas da literatura brasileira ao lado de Capitu, Helena Morley, Madalena e Diadorim.
"Esqueci que, para ter o direito de vender o meu corpo, perdi a liberdade de dá-lo a quem me aprouver!"
Eu li Lucíola pela primeira vez aos 16 ou 17 anos e lembro o tanto que me emocionei com a história de Lúcia/Maria da Glória. E parabéns para mim por ter compreendido o livro na época porque sofri agora para me readaptar ao tipo de prosa (fingindo que não é porque só leio smut em inglês). Nunca demorei tanto para ler um livro de "só" 110 páginas.
Enfim, achei que sabendo o final eu não ia chorar de soluçar dessa vez... Acho que chorei ainda mais. Amei notar todos os foreshadowing ao longo da história. Lúcia foi, e continua sendo, uma das minhas personagens favoritas da vida. Acho que dessa vez eu pude apreciá-la ainda mais.
"Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por séculos nesses poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida se conta por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade."
I read this book for class and it took me a while to finish for two reasons: 1. school and 2. the word choice is quite complicated😰. It's expected though, it was written in 1862 and during the romantic period(🤓), so there's a lot of long descriptions and fancy words that I had never heard in my life. Also, there's a huge idealization of women (another characteristic of that period), and the way he describes Lúcia can get very exaggerated, pretty weird ngl 😟 but it was cute sometimes.
It was tiring to read this book because throughout the entire story there's very little excitement, but the closing and Lúcia make up for it. the ending was probably the best part of the narrative, I spent 140 pages forcing myself to finish but the last 20 were the ones that finally made me feel something. Lúcia's character was very interesting too, once you finish the book you eventually realize why she acted the way she did in the previous pages, which is pretty cool.
read this if you like 19th-century writing and sad endings😜☝️thanks for reading🥺🔆
Eu não tenho dúvidas que a letra de Amor sofre chora da Pabllo Vittar foi inspirada em Lúcia e Paulo.
Eu gostei da escrita, do ritmo do livro, mas o enredo não me conquistou muito. Eu queria mais informações, mais desenvolvimento. Apesar do livro fazer parte do romantismo brasileiro e contar a história de amor entre Lúcia e Paulo para mim Paulo estava longe de ser romântico. Lúcia estava lá caidinha por ele enquanto o mesmo a manipulava, falava que ela era só para transar, que uma mulher como ela não poderia amar ninguém. Fez uma cachorrada total. Manipulou tanto que conseguiu o que queria, mas antes pisou em cima o quanto quis.
Enfim, gostei do livro, mas fiquei querendo um desenvolvimento melhor.
nao gostava do do paulo nem do fato da lucia ser super submissa, mas foi legal ler sobre a historia de vida dela, pq oq aconteceu aconteceu e ver ela se livrando do passado e viver, mesmo que por pouco tempo, feliz eu ate que gostei do final tragico, mas imaginando que nao tenha sido pela epoca em que foi escrito mas pra mostrar que a vida eh so sofrimento, as vezes gosto de umas coisas bem tristes
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Lúcia diz que saiu da casa onde passou a infância há 7 anos, expulsa pelo pai aos 14. Depois o Paulo diz no manuscrito que ela tinha 19 anos na época da história. Mais atenção aí, ô, Alencar.
José de Alencar é mestre em fazer histórias comuns se tornarem interessantes. Não há nada de extraordinário no enredo além dos temas de amor, redenção, e como a sociedade trata a mulher. É como ler a história de dois desconhecidos que se apaixonam. Infelizmente tive que tirar uma estrela porque o narrador é um pé no saco. Mas Lúcia compensa isso tudo. Ela é o centro da obra, e seu brilho é inebriante e capaz de nos cegar. É impossível não se apaixonar por ela também, não se compadecer com sua dor. José de Alencar fez um trabalho incrível ao descrever quão sensual, bonita, elegante e devota ela é. E quão multifacetada essa mulher pode ser. Lúcia é complicada, real, com suas individualidades e problemas.
Apesar de eu, leitora, não gostar do Paulo, acredito que Lúcia o amou porque quando ele a viu pela primeira vez, reconheceu nela grande tristeza no olhar. Pela primeira vez em sua vida ela era vista mais do que como um corpo lindo e sensual, um furacão flamejante que revira tudo pelo caminho. Pela primeira vez alguém a via como um ser humano, sem lhe julgar. Todos os outros homens agiam de forma diferente com Lúcia, a tratando como uma obra de arte ou bem público, como se ela devesse à sociedade seu corpo, seus pensamentos, e, principalmente, sua alegria. Não lhe era permitido a tristeza, o amor, a indecisão, ou dizer "Não quero fazer isso". Ela não pode agir como quer — deve agir como é esperado.
Poderia falar o dia inteiro das minhas impressões sobre a obra, mas o mais delicioso da obra é você descobrir (você mesmo) as muitas faces de Lúcia.
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O livro é simples, com personagens desinteressantes, mas não simples os protagonistas, Lúcia e Paulo, tem seu nível de complexidade, mas nada demais. O maior problema é a trama que é bastante simples. Eu entendo o porquê disso, é um livro de quase 200 anos, mas mesmo assim, não consigo achar interessante, espero que os outros livros do José de Alencar sejam melhores.
interessantes imagens de pureza/putrefação. mas credo, a afetação na segunda parte é realmente quase insuportável. fora alguns trechos em que dá pra sentir o cheiro do Alencar misógino. felizmente pra mim, que tive que ler correndo, o desconforto não advém de nenhuma dificuldade na leitura, e a prosa é muitas vezes prazerosa (se nos permitirmos que seja). quem diria que dentre os poucos livros que eu já reli na vida estaria Lucíola.
Um dos piores que já li. Não sei se o melhor seria não marcar estrela nenhuma, mas para o bem da estatística, deixo uma aqui.
Fazem muitos anos que eu li, e talvez minha experiência hoje, mais velha, fosse outra, mas eu me recuso a gastar qualquer espaço de tempo com esse livro. Tantos outros para ler, outras coisas para fazer...
não gostei do final achei muito pouco e ficou faltando alguma coisa para resolver ele na relação entre eles achei muito falso da parte de Paulo não aceitar Maria da Glória
Um romance que narra a história de uma paixão efervescente que, aos poucos, se torna um amor genuíno de imensa cumplicidade e amizade. Este amor transforma Lucíola e Paulo. Em se tratando de Lucíola, este amor provoca sua redenção através da abnegação do corpo e dos prazeres mundanos. Lucíola se torna mulher por necessidade e volta a ser menina, pois no fundo nunca deixou de ser. Este livro narra com maestria e rico descritivismo, amparado à luz do sol e de toda flora, o despertar de uma estrela, o desabrochar de uma flor.
AS MÚLTIPLAS FACES DE LUCÍOLA: UMA CORTESÃ PURA, por Taynara Teixeira Luiz
Publicado em 1862, Lucíola, de José de Alencar, é um romance urbano que exibe as facetas da sociedade burguesa carioca da época. De forma articulada, o autor cria um jogo de polarização de gênero e desestabiliza um forte cânone da sociedade, um contrato social poderosíssimo: o casamento. Através da figura da cortesã, que desperta os desejos latentes dos homens, engendra-se um abalo nesta estrutura social. No entanto, a existência de uma cortesã de alma cândida provoca maiores desdobramentos e provocações ao longo do romance.
De origem provinciana, Paulo se muda para o Rio de Janeiro almejando construir uma vida na capital mais cosmopolita do país naquele momento. Ao desembarcar na capital da Corte, se depara com uma sociedade repleta de padrões e traquejos sociais dos quais não estava acostumado. Sua ingenuidade é um dos pontos centrais da obra, é o ponto de partida da transformação da heroína.
A influência desta sociedade provoca uma deformação na visão de Paulo sobre Lúcia: o herói vive em constante conflito entre o que sente e a moral e os costumes da época. Os diálogos entre Paulo e seus colegas exprimem com exatidão esse traço conflitante. Essa forte pressão social corrobora para a oscilação da idealização de Paulo sobre Lúcia: ora idealiza o corpo, ora a alma, e é essa contradição entre a sensualidade da cortesã e a lisura presente em sua essência que provoca verdadeiro rebuliço em Paulo. “O homem é um sistema de contrariedade.”
Embora o romance seja relatado por Paulo, em primeira pessoa, o jogo narrativo expõe ao leitor a inexperiência de Paulo na capital, além disso, depreende sua falta de compreensão sobre a complexidade de Lucia.
O modo com que Paulo narra, compõe a história sob um olhar vivaz, como se ele estivesse vivendo, de fato, os eventos narrados. “«Lembrar-se é viver outra vez», diz o poeta.”4 Essa posição e encadeamento de fatos proporciona ao leitor acompanhar de maneira gradual a relação de Paulo e Lúcia, bem como as mudanças de ambos. “Conto-lhe estes fatos, como se escrevesse no dia em que eles sucederam, ignorando o seu futuro;”5
Em boa parte do romance, Paulo não compreende as atitudes e reações da heroína, a compreensão só virá com o conhecimento da história de Lúcia, ou melhor, Maria da Glória, quase no final do romance. Desse modo, a cada passo e avanço do livro, o leitor acompanha os fatos narrados sob a perspectiva de Paulo, à época, mesmo que em muitas passagens ele próprio afirma rememorar seus sentimentos e sensações ao escrever. Entretanto, este mesmo jogo narrativo põe em xeque a veracidade da narrativa e abre questionamentos.
A moral e os costumes da elite burguesa carioca reprime Lucia, entretanto, a cortesã trafega pela sociedade, em bailes e eventos de alta cúpula. Lúcia se encontra em um outro patamar. Diferente das mulheres comuns, ela possui uma liberdade que, ao mesmo tempo que é incendiária e escancara os prazeres, os desejos e até mesmo a independência financeira, a faz prisioneira dos olhares e julgamentos.
O seu corpo é objeto de desejo, é seu instrumento de trabalho e é através dele que ela se torna cortesã. Entretanto, vale ressaltar, que Lucíola se torna uma meretriz por necessidade e volta a ser menina, pois na verdade nunca deixou de ser.
Os olhares atentos e atrozes da sociedade apenas veem o corpo da cortesã e não a alma de Lúcia, desse modo, seu interior não transcende a esses mesmos olhares. O corpo encobre a alma cândida de Lúcia e, por esse motivo, a heroína desejará se desfazer da carne a todo custo.
Paulo sente-se sufocado e tem seu orgulho ferido em razão dos comentários que circulam sobre seu relacionamento com a cortesã. Por essa razão, ele tem o ímpeto de dissimular, pede para que Lúcia continue com os velhos hábitos, exercendo a mesma rotina opulenta de antes de se conhecerem: luxo, compras, festas, teatros e bailes etc. Com o passar do tempo e a vivência no Rio de Janeiro, ele entende a conjuntura das camadas sociais, esse entendimento fica evidente, pois, após propor esse acordo à Lúcia, ele replica:
“Voltei, refletindo se o que tinha feito era realmente uma ação digna, ou uma refinada cobardia; servilismo à inveja e malevolência social, que se decora tantas vezes com o pomposo nome de opinião pública.”
Em contrapartida a essa subordinação ao julgamento alheio, Lúcia se mostra descontente com essa resolução, exibindo, assim, superação mesmo diante de uma sociedade que a reprime constantemente e veementemente.
Em um dado momento do romance, Paulo e Lúcia debatem sobre o amor romântico, a partir de um livro imponente escrito por Alexandre Dumas, A Dama das Camélias. Há muitos desdobramentos sobre as semelhanças e diferenças das obras. Todavia, a similaridade da história de Lúcia e Margarida não torna o romance menos original, pelo contrário, exibe traços da personalidade de Lúcia e do exímio processo de criação de José de Alencar, pois não é à toa que o autor inclui produções externas dentro da narrativa. Autores como Bernardin Saint Pierre e Chateaubriand também surgem, em algum momento, no livro.
Uma personagem que aparece de maneira breve no romance, porém, que desempenha um papel importante é a Sra. Jesuína. Ela está presente nos dois momentos de transformação da heroína: Maria da Gloria - Lucia, Lucia - Maria da Gloria. A menina se torna cortesã e, posteriormente, a cortesã volta a ser menina.
Quando seu pai a expulsou de casa, quem a oferece abrigo (de maneira torpe, mas não deixa de ser um refúgio naquele momento) é Jesuína. O mesmo ocorre quando, no processo de transformação e abnegação do corpo, Lucia recebe o cuidado quase integral da senhora em sua casa. Paulo a descreve como uma dama de companhia e a vê como um empecilho na relação do casal.
A complexidade de Lucíola é perceptível ao longo de toda a obra. Ao mesmo tempo que é uma cortesã sem pudores, evidencia uma alma pura e caridosa, seu livro preferido é a Bíblia. Esse jogo de contrastes configura na protagonista a existência de duas mulheres: Lúcia e Maria; o corpo é da cortesã, mas o espírito é de Maria da Glória.
Nesse sentido, o significado dos nomes leva em conta a personalidade de cada uma. Enquanto Maria remete à mãe de Jesus, ou alguma figura santificada e imaculada, o nome Lúcia, por sua vez, remete à diaba, a Lúcifer. Esse jogo de contrastes reforça ainda mais a profundidade da heroína.
A configuração espacial é um elemento primordial na obra de José de Alencar. O descritivismo do espaço e sua representação, cria imagens que despertam a imaginação e as sensações do leitor. O autor lança mão da hipertrofia visual, trata-se da exploração do olhar que dá sentido ao enredo e estabelece uma relação com o mundo. Embora haja críticos que afirmam ser esta uma saturação das imagens, é inegável o poder que esse recurso depreende na construção do romance, estimulando o imaginário do leitor.
A expressão latina locus amoenus inclui a descrição de uma paisagem ideal, num cenário tranquilo, bucólico ou idílico. O topos locus amoenus está presente de maneira veemente na obra, trata-se de um traço preponderante de Alencar sobretudo, em Guarani. Em Lucíola, o autor utiliza esse recurso para descrever os ambientes, retratar memórias ao expor tempos passados, se referir às mulheres e compor analogias entre Lúcia e a natureza, dentre outros ensejos extremamente bem articulados.
Em se tratando das casas onde Lúcia vive, é possível notar sua transformação a partir da mudança de espaço. Enquanto Lúcia, cortesã, repleta de luxos e pompa, vive em uma casa espaçosa, no contexto urbano, repleta de riqueza, empregados e regalias, Maria da Glória prefere o ar puro, finca raízes em um casebre simples, afastado da grande metrópole.
O êxodo urbano de Lúcia e sua reclusão se dá na busca de um refúgio. A heroína deseja se afastar da capital e das maledicências da elite carioca, além disso, almeja o anonimato, em uma região que desconheça a fonte de sua fortuna, o seu corpo.
Ao afastar-se da pressão social e dos males que a moral e os costumes da época impuseram sobre si uma cruz pesada, Lucia avança ainda mais no seu processo de transformação. Neste ponto, é representada de maneira angelical e infantil: há passagens no livro que Paulo a descreve como sendo mais ingênua que Ana, sua irmã mais nova.
Outro processo externo que exprime sua mudança se dá na vestimenta da protagonista. As roupas sensuais de cores como cinza e bordô dão espaço às roupas cândidas e recatadas.
A casa reflete uma mudança externa e, sobretudo, interna em Lucia. “Lúcia parecia-me agora uma menina de quinze anos, pura e cândida.”13 Se antes estava repleta de luxo, festas e compras, agora enxerga-se como uma mulher simples, como uma camponesa que borda e cozinha, desfruta a natureza, além de cuidar da casa, de Paulo e de sua irmã.
Continuamente, ao se ver e se reconhecer como Maria da Gloria, Lucia já não sente culpa. Em uma dada passagem, no capítulo XIX, concede perdão a Paulo, o que mostra sua percepção sobre sua própria mudança. Antes era submissa e cria ser indigna. Agora, exerce o perdão, desse modo, age como uma pessoa repleta de integridade e honraria.
A escolha da morte, para Lúcia, é a libertação completa de sua alma. A abnegação do corpo e perecimento da carne configura na sua redenção, pois para a heroína o corpo é o grande problema, ele oculta sua alma e lisura. “A lama deste tanque é meu corpo: enquanto a deixam no fundo e em repouso, a água está pura e límpida!''.
Ao final do romance, Lucia rememora o seu primeiro encontro com Paulo, na rua das Mangueiras. Recém chegado na cidade, Paulo não a conhecia como cortesã, não viu seu corpo, ele olhou nos seus olhos, transcendeu, assim, a sua alma. O que para ele foi algo simples e fugaz, mesmo que bastante especial, para Lúcia, iniciou o seu processo de mudança, pois causou um abalo na percepção de si mesma. Lúcia se regenera através do olhar e do amor de Paulo.
A relação de Paulo e Lúcia começa a partir de uma paixão efervescente e que, através do amor de Paulo, transforma a cortesã, resultando, desse modo, em uma amizade fraternal. Por fim, o que resta é um amor puro e genuíno que perdura mesmo após a morte. “— Recebe-me... Paulo!...”.
O livro conta a história romântica de Lucíola (Lúcia), uma cortesã de luxo do RJ em 1855 e Paulo (o mesmo que recebeu o manuscrito de Augusto Amaral no livro Diva), um rapaz do interior que veio para o Rio a fim de conhecer a Corte. Na primeira vez que Paulo viu Lúcia, julgou ela como meiga e angélica. Mesmo seu amigo Couto contando barbaridades sobre ela e revelando a sua verdadeira profissão, Paulo preferiu ficar com a primeira impressão que tivera. Descobrindo sua casa, Paulo foi visitá-la, e sendo as circunstâncias favoráveis, ela entregou-se a ele como no mais belo ato. Depois disto, Lúcia passou a ser vulgar e mesquinha, desprezando o amor de Paulo, bem como havia dito Couto a respeito dos modos da moça. Paulo então viu Lúcia com outros homens, como Jacinto, e sentiu ciúmes, mas Lúcia justificou alegando ser ele apenas um negociante. Em uma festa a que tanto Paulo quanto Lúcia estavam presentes, todos os convidados beberam e jogaram a vontade, tanto os homens quanto as mulheres. Nas paredes havia quadros de mulheres nuas, e como era Lúcia uma prostituta, a pedido e pagamento dos cavalheiros, ela ficou nua diante dos presentes. Para Paulo fica claro a diferença entre a repugnante e vulgar Lucíola, a prostituta mais cobiçada do Rio de Janeiro, e aquela bela e fantástica Lúcia que ele tivera numa primeira impressão. Paulo a amava desesperadamente de forma bela e pura. Lúcia em seus conturbados sentimentos, decidiu então dedicar-se inteiramente a esse amor para que sua alma fosse purificada por ele. Então vendeu sua luxuosa casa e foi morar em uma menor e mais modesta. Assim ela decide contar a Paulo sua história: seu nome verdadeiro era Maria da Glória e, quando em 1850 houve um surto de febre amarela, toda sua família caiu doente, do pai à irmãzinha. Para poder pagar os medicamentos necessários para salvá-los, Lúcia se deixou levar por Couto, quem a partir disso ela passou a desprezar profundamente. Nessa época ela tinha 14 anos, e seu pai, ao descobrir, a expulsou de casa. Ela fingiu então sua própria morte quando sua amiga Lúcia morreu, e assumiu este nome. Agora, com o dinheiro que conseguia, pagava os estudos de Ana, sua irmã mais nova. Paulo ficou muito comovido com a historia de Lúcia. Ele sempre a visitava e numa noite de amor ela engravidou, mas adoeceu. Lúcia acreditava que a doença era devido ao fato de seu corpo não ser puro. Confessou seu amor a Paulo e seu desejo de que este se casasse com Ana, que tinha vindo morar com eles. Paulo recusou-se assim como Lúcia também recusou o aborto. E por isso ela morreu. Após 5 anos, Ana passou a ser como uma filha para Paulo, que a amparava. E 6 anos depois da morte de Lúcia, Ana casou-se com um homem de bem e Paulo continuou triste com a morte do único amor da sua vida. Lucíola é um romance urbano, em que o autor transforma a cortesã em heroína. Ela não se permite amar, por seu corpo ser sujo e vergonhoso, e ao fim da vida, quando admite seu amor, declara-se pertencente a Paulo. É a submissão do amor romântico, onde a castidade é valorizada. Percebe-se também uma crítica social e moral ao preconceito. Paulo se viu dividido entre o amor e o preconceito. A atração física superou essa barreira, mas até o final ela se sentia indigna do amor de Paulo e do sentimento de igualdade que deveria existir entre os amantes. É um bom livro para se pensar sobre a igualdade humana e o preconceito. Nem todo homem aceitaria ter como companheira uma ex-prostituta, assim como nem toda prostituta (ou ex-prostituta) sentir-se-ia bem diante de um relacionamento conjugal, exatamente por carregar uma história de vida ou um passado tido como “frívolo” e “desonroso” perante a sociedade preconceituosa.
Um livro frustrante. Creio que esperava de alencar algo que ele não pode me dar, uma escrita mais consciente do ponto de vista social e em momentos mais contemplativa. Mas agora olhando o livro pelo que é, é um livro solido. A escrita de alencar não deixa a desejar, depois de entender o fluxo da escrita dele a leitura vai que é um doce, mas sinto que preferi a escrita dele em o guarani, as descrições da natureza permitia justamente esses momentos mais contemplativos que eu senti falta, mas não sei se é uma diferença natural entre os livros ou se talvez o guarani seja melhor que luciola. Imagino que ele seja um retrato da sociedade da época obviamente, mas o livro me surpreendeu negativamente em diversos momentos, mas justamente por essa falta de, da minha perspectiva, cunho social. Replica claramente a moral da igreja em relação a mulher no sentido de culpar, julgar, talvez se pudesse associar a culpa ao Paulo, um personagem que me trouxe muito desgosto em alguns momentos por ser extremamente insensível com Maria, e olhando ja sabendo do passado dela, o quanto deve ter doido ter sido jogada ao Couto contra sua vontade, bom, não faltam desgostos para com o livro. Talvez até nem seja tanto com o livro e sim sua epoca, porque poucos autores conhecidos, creio eu, fugiram de certas normas sociais dessa época. A unica surpresa positiva que tive, e o climax do livro por sentir que as pontas se fechavam ali e lucia fez sentido a partir de tal ponto também, foi a recelação do passado da personagem. Diferente de todo o livro, que nos momentos mais profundos de reflexão fala sobre solidão e silencio, a historia de como maria se tornou cortesã aos 14 anos me traz uma reflexão social interessante, talvez não na epoca por nela ser natural certas coisas, mas nao sei o suficiente para afirmar isto ou nao. O ponto é, maria é completamente humanizada a partir deste ponto, impossivel nao se compadecer com essa pobre criança que teve de si roubada a vida, devido a febre amarela ter infectado todos seus familiares e essa ser a unica solução para salva-los, sendo inclusive expulsa de casa pelo pai, maria fala que ele deve ter pensado que ela fosse se casar pois nao sabia de onde vinha o dinheiro mas não sei, talvez tenha sido por outros motivos. A morte de maria me é triste mas me parece um bom desfecho, pelo menos para maria deve ter sido um grande descanso, devido ao peso de viver com os atos que ela teve que cometer, e apos creio foi quase condicionada a pelo meio, sendo o que se esperava dela. Sinto que o livro termina numa nota um pouco melhor do que em todo seu andamento, com seu desfecho sendo paulo a cuida d'ana, e a partida tranquila de maria.
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