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Preocupações
"Os poemas de Ana Guadalupe não têm manhãs gloriosas, tardes ensolaradas, passeios pela ponte. As praias são perigosas, a espera no ponto de ônibus não tem fim, e mesmo os néons dos parques de diversão são fonte de desconfiança.
O pássaro, aqui, não passa de uma estampa na camisa.
Difícil saber em quantas casas já viveu. Em um poema, diz que são dezenove, mas mente que são 22 para impressionar. Em outro, fala em 23. A casa é sempre temporária e, a qualquer momento, o contrato do aluguel pode ser suspenso pelo proprietário.
Então pra onde se volta quando acaba o dia? (...)
Tem muita solidão, paranoia, ansiedade e melancolia nesses poemas. Muito medo de errar. Pior ainda, medo de que os outros notem o medo, vejam o medo como um rato que escapuliu de dentro da roupa.
Mas tem muito humor também. (...)
Ana Guadalupe é uma poeta extraordinária. Prima brasileira da norte-americana Lucia Berlin, sua escrita é marcada por uma franqueza brutal, sem autocomiseração, e uma graça que é só dela."
Alice Sant’Anna
O pássaro, aqui, não passa de uma estampa na camisa.
Difícil saber em quantas casas já viveu. Em um poema, diz que são dezenove, mas mente que são 22 para impressionar. Em outro, fala em 23. A casa é sempre temporária e, a qualquer momento, o contrato do aluguel pode ser suspenso pelo proprietário.
Então pra onde se volta quando acaba o dia? (...)
Tem muita solidão, paranoia, ansiedade e melancolia nesses poemas. Muito medo de errar. Pior ainda, medo de que os outros notem o medo, vejam o medo como um rato que escapuliu de dentro da roupa.
Mas tem muito humor também. (...)
Ana Guadalupe é uma poeta extraordinária. Prima brasileira da norte-americana Lucia Berlin, sua escrita é marcada por uma franqueza brutal, sem autocomiseração, e uma graça que é só dela."
Alice Sant’Anna
- GenresPoetryBrazilContemporary
84 pages, Paperback
First published November 1, 2019
About the author
Ana Guadalupe
47 books96 followersAna Guadalupe (Londrina, 1985) é poeta e tradutora. Seu novo livro, "Ensino à distância", acaba de ser lançado pela Companhia das Letras. Antes, publicou "Relógio de pulso" (7Letras, 2011), "Não conheço ninguém que não seja artista" (Confeitaria, 2015, com fotos de Camila Svenson) e "Preocupações" (Macondo, 2019). Participou de antologias como "É agora como nunca: Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira" (org. Adriana Calcanhotto) e "Otra línea de fuego: Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas" (org. Heloísa Buarque de Hollanda), entre outros projetos literários de seis países. Além disso, traduziu mais de quarenta livros para editoras brasileiras, incluindo obras de autores como Sylvia Plath, Kazuo Ishiguro, Roxane Gay e Carmen Maria Machado.
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Community Reviews
Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Read
March 26, 2021é humano tentar fazer funcionar
tentar florescer
mesmo quando apodrecer
tentar florescer
mesmo quando apodrecer
March 28, 2021
um livro assombrado por nós, fantasmas estoicos.
July 25, 2020
Ou incômodos, levando em consideração que toda preocupação é. Pensemos em como é difícil escrever algo sobre a influência avassaladora do normal. A arte serve, tantas vezes, para formatar e compreender alguma aresta sobressalente, o diferente, o inusitado. A arte mais ousada portanto é a mais mundana. Ana Guadalupe é muito ousada nesse livro, primeiro dela que leio, talvez seja ousada sempre. O inusitado aqui é talvez um morto falar, ou a mentira ganhar pernas longas na voz de um ermitão, mas tudo que acontece em Preocupações é cruelmente banal. E como doem esses retratos. A capa ataca minha tripofobia se olho por muito tempo, é a cara de quem se deixa penetrar pelo sofrido microscópico do dia a dia, do beijo no novo amor com gosto de amor anterior, que tragédia meu deus. Já aconteceu contigo? Beijar um pensando em outro, ler um livro de poesia contemporânea brasileira escrito por uma jovem mulher e não encontrar os chavões, as chaves, as regras? A Ana escreveu esse livro que é uma outra coisa, é todo o procedimento de mapas e autoconsciências que a poesia é hoje, mas também é uma risada gostosa na cara disso, e dos afobados.
March 21, 2021
acertei no presente de aniversário
December 23, 2020
Reler mais de dois anos depois, que diferente. A nota é a mesma. Eu podia jurar que já tinha me arriscado a escrever uma mini resenha. Porém: 2020. Eu lembro que li o livro quase inteiro na sala de espera do hospital, medo de covid. Só fui presencial porque a primeira onda estava minguando. Era ansiedade. Eu pensava sobre se um dia seria amado, se um dia moraria sozinho num lugar que me sentisse bem. Foi bom conversar com o livro. Assim como foi bom relê-lo dois anos depois, aqui do outro lado. Leiam!
September 7, 2020
Não consigo formular uma frase que expresse fielmente o que senti lendo os poemas de Ana. Numa tentativa fracassada, digo que senti um quase-reconhecimento, que parece que existe mas que está distante.. um quê de melancolia com estranheza. Alguns bateram mais forte aqui dentro do que outros, mas foi uma descoberta que gostei de ter.
July 22, 2020
Leitura fluida, fala muitas vezes de um desconforto, mas de maneira casual, parece um novo formato de uma conversa com uma amiga.
May 17, 2021
Maravilhoso ler jovens mulheres poetas!
Ana Guadalupe traz as neuroses contemporâneas para seus poemas, com um humor ácido ou às vezes só doloroso.
Não ficou pretensioso e acertou o tom!
Ana Guadalupe traz as neuroses contemporâneas para seus poemas, com um humor ácido ou às vezes só doloroso.
Não ficou pretensioso e acertou o tom!
January 4, 2020
reli alguns poemas e discordo da minha primeira impressão do livro. de vez em quando lembro de alguns versos e acho que tenho um carinho muito grande pela escrita da ana guadalupe: é bastante atual, não é pretensiosa, é cotidiana e não tenta "tirar poesia" disso. a poesia já tá ali, basta olhar
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