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Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso

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Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso, de Alexandra Lucas Coelho, é a resposta a um desafio que a autora recebeu do músico e cantor Caetano Veloso: dedicar um livro inteiro à Bahia, o estado, a cidade de Salvador, o Recôncavo baiano, tendo, lá ao fundo, a terra de Caetano, Santo Amaro da Purificação. Mas também a Barra, a praia de Itapuã, o Rio Vermelho, num relato que começa em Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, onde chegou Pedro Álvares Cabral e o marinheiro Nicolau, que acaba por ter um papel inesperado e significativo. O livro é pois uma apresentação, pela mão de uma portuguesa, desse mundo mágico de Jorge Amado, de Caetano, de Maria Bethânia, de João Gilberto, dos terreiros, das mães de santo, do candomblé. Enfim, uma evocação de nomes e lugares que povoam a nossa memória quando evocamos o Brasil.

Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso é o último volume de uma trilogia, sendo os dos outros Vai, Brasil (1) e Deus-dará (2).

272 pages, Paperback

First published January 1, 2019

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About the author

Alexandra Lucas Coelho

20 books183 followers
ALEXANDRA LUCAS COELHO nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. Mantém o blogue Atlântico-Sul, onde publica as suas crónicas que escreve para o Público.

Em 2007 publicou «Oriente Próximo» (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Publicou mais quatro livros de reportagem-crónica-viagem: «Caderno Afegão» (2009), «Viva México» (2010), «Tahrir» (2011) e «Vai, Brasil» (2013). Em 2012 escreveu o seu primeiro romance, «E a Noite Roda», vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012. Publicou, recentemente, «O Meu Amante de Domingo» (2014).

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Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Inês.
85 reviews
February 3, 2021
Embora a literatura de viagem não seja a que mais me arrebata, tenho dado por mim a agarrar-me a esta tipologia de livros para me resgatar a lugares que 2020 (e 2021) não me permitiu ver com os meus olhos. Foi assim que peguei no Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso, com uma vontade gigante de ir ao Brasil.

Só durante a leitura é que descobri que este é o livro que fecha uma trilogia de livros de literatura histórica que Alexandra Lucas Coelho escreveu, sobre o impacto dos Descobrimentos na cultura e evolução do Brasil. Caetano Veloso — artista por quem a autora é apaixonada — respondeu-lhe que ‘Falta Bahia no seu livro’. E assim ela aceitou o desafio, escrevendo este livro (que não precisa da leitura dos outros dois para ser compreendido e devorado) num contexto mais descontraído e casual, onde parte para conhecer a Bahia, lugar de encanto e protagonismo de tantos artistas, não só de Caetano Veloso mas também de Maria Bethânia e de João Gilberto. Bahia com H.

Não conhecendo a voz da autora, dei por mim a ler a narrativa pela memória da voz especial de Adriana Calcanhotto e assim ficou no resto dos capítulos, um sotaque brasileiro em prosa portuguesa que casou com arte nesta leitura. É um livro que se lê num sopro mas fica connosco durante muito tempo, que nos transporta para todos os lugares que Alexandra Lucas Coelho vai descrevendo e contextualizando historicamente e ainda as figuras que resgata e embrulha com um pouco de opinião política e social — quem diria que seria aqui que ia ler a melhor opinião sobre a revolução das estátuas?

Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso tem a música perfeita — e lê-se a ouvir essa música — tem cheiro de mar e toque de tecidos de algodão branco. Li no começo gelado do ano mas, enquanto o tive nas mãos, saboreei de um calor tropical que espero, um dia, voltar a sentir. Talvez não por palavras tão perfeitas como a autora soube escolher, mas através dos meus olhos. Seguramente, um dos melhores livros de 2021.
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books581 followers
August 17, 2020
Este livro faz-nos querer viajar até à Bahia. Não aquela Bahia all-inclusive mas a terra-mãe, a tal síncrese de religiões, cores, sons. As descrições dos espaços são levadas ao pormenor, transportando-nos até lá. Quando este livro é bom, é bom mesmo.

É bom quando nos dá factos interessantes, como a vida de Jorge Amado, a origem de “rodar a baiana”, os contos sobre as culturas locais. Quando nos faz pensar que o processo de miscigenação de que tanto os portugueses se orgulham é a sucessiva história de violações consecutivas, que é necessária uma segunda vaga de libertação e que nada há na chegada dos portugueses ao Brasil que deva ser motivo de orgulho.

Este livro faz-nos repensar a língua portuguesa como não sendo língua de Portugal, mas de todos. Uma grande mãe língua.

O livro é algo estranho na divinização da figura de Caetano Veloso. Pessoalmente, amo Caetano, Bethania e Gal, vivo rodeado de toda aquela tropicália desde criança. Acho que aprendi a falar Caetano antes de aprender muitas das palavras que conheço. Mas aquela obsessão, no livro, é demasiado.

É demasiada também a descrição, o “name dropping”, as experiências pessoais que não são assim tão interessantes. E, por fim, é constrangedora a utilização da variante brasileira do português só porque sim.

O livro deixou-me indeciso, entre um enorme progressismo e reflexões brilhantes e um certo (e não intencional) apropriamento cultural. Confesso que passei muitas páginas à frente. É um exercício algo forçado de agradar a Caetano e uma deificação estranha do cantor e da Bahia.
Profile Image for Graciosa Reis.
562 reviews54 followers
Read
April 15, 2023
Este é o terceiro livro que a autora escreve sobre o Brasil, é um livro de viagens (cinco) e de memórias. A trilogia contempla Vai, Brasil (2013- crónicas sobre o país) e Deus-dará (2016- sobre o Rio de Janeiro).
Caetano Veloso achou que nestes relatos anteriores “faltava Bahia”. Ele queria que Alexandra Lucas Coelho dedicasse um livro à sua terra natal, ao seu estado, à cidade de Salvador, o Recôncavo baiano, o “primeiro lugar entre Portugal e Brasil”, terra de Jorge Amado (dos Capitães da Areia), terra de novelas.
“Foi o clique para este livro aparecer, com título, índice, pela ordem das viagens”. (p.16)
Ainda bem que ALC aceitou o desafio.
Temos, assim, a descrição desta região sob o olhar e as emoções da autora. Registos obtidos em vários momentos (foram cinco as idas à Bahia) que relatam os seus encontros com baianos, amigos, artistas; as suas vivências em festas, festivais, rituais, passeios por Salvador, por Santo Amaro da Purificação, pelas praias… ; a religião, a gastronomia e sobretudo a música de Caetano. Estamos perante uma fusão de cores, de sabores, de sons, de ritmos, de emoções, de afectos.

Concluo com um “Apetece Bahia!”. Fica mesmo a vontade de conhecer este estado tão rico em história e cultura. (Não vislumbrando uma visita in loco, fica a promessa de uma descoberta virtual).
Profile Image for David Pimenta.
382 reviews19 followers
January 18, 2020
Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso é um fim maravilhoso para a trilogia constituída por Deus-dará e Vai, Brasil. Na realidade, Caetano tinha mesmo razão quando disse à Alexandra Lucas Coelho que faltava a Bahia no deus-dará. E não é que este livro é maravilhoso?

Diga a Alexandra o que quiser, aprecio mais a sua escrita quando narra viagens. Tem o condão de me transportar realmente até os lugares onde esteve, faz-me querer estar lá (e só eu sei o quão difícil isso é para mim, enquanto leitor). Bahia está, com todo o encanto, neste livro. Cinco viagens são narradas e acompanhadas por um pouco de história, que liga Portugal ao Brasil. Ao contrário de deus-dará, o passado é colocado de forma mais esporádica e Alexandra deu mais importância aos lugares e às pessoas com quem esteve. Se é que foi planeado, já que literatura de viagens é isto mesmo: tantas vezes improviso, depois de tanto planeamento.

Este é um livro realmente bom para os que querem voltar ao Brasil, desta vez à Bahia. A Alexandra é capaz de o fazer como ninguém!

4 estrelas porque faltou explorar mais sobre a quarta e a última volta, na minha opinião.
Profile Image for Ana Tavares.
17 reviews
December 14, 2019
Regressar da Bahia e ler este livro foi uma grande emoção. “Você já foi à Bahia? Não? Então vá!”
Recomendo
Profile Image for Sónia  Teixeira.
163 reviews16 followers
February 10, 2020
Confesso que em relação aos outros que li dela e que adorei, este decepcionou-me um pouco.

Mas gostei das descrições sobre a bahia, a espiritualidade e a amizade que existe em todo o lado.
Profile Image for Branca Cepelowicz.
19 reviews
March 20, 2020
santo name-dropping, batman

Adorei Deus-Dará, tenho saudades da Bahia e escuto Caetano Veloso religiosamente todo dia (ou quase), mas fiquei muito decepcionada com esse livro. A autora escreve muito bem então é uma boa aula de história da Bahia, mas entrecortada de muitas anedotas pessoais não necessariamente muito interessantes e uma admiração tão incondicional pelo Caetano que chega a ser meio esquisita.
Profile Image for Inês Costa.
158 reviews13 followers
August 31, 2021
𝑻𝒓𝒊𝒔𝒕𝒆 𝑩𝒂𝒉𝒊𝒂... 𝒐𝒉, 𝒒𝒖𝒂̃𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒔𝒆𝒎𝒆𝒍𝒉𝒂𝒏𝒕𝒆

«Por tudo o que aconteceu, Portugal não é irmão do Brasil. Tem que o saber, e entender porquê, começando, por exemplo, pela Bahia.

Mas pode, sim, por tudo o que aconteceu, e por muito do que o Brasil fez com isso, incluindo a música, amar o Brasil. O que passa por aqui: saber mais sobre como foram e o que fizeram os portugueses, e quem eram e o que fizeram esses milhões de pessoas, indígenas, africanas, cujas vidas as naus mudaram para sempre, descendente em descendente, até hoje, aos vivos. É por isso que aqui estamos, um e um. E cada dois de nós, português, brasileiro, pode, sim, tornar-se irmão, mãe, pai, tio, tiete, primo, namorado, cunhado, amante, compadre, confidente, leitor, amigo do peito, fã de carteirinha. Dormir até de conchinha.»
Profile Image for Carolina.
134 reviews
April 14, 2020
Uma verdadeira viagem sem sair do lugar - a única que nos é agora permitida - e que nos leva até Bahia com agá. Esse lugar mágico e místico que é um melting pot complexo de pessoas culturas arte e religiões. Só tenho pena de não ter aproveitado mais este livro fruto da minha própria ignorância, mas despertou a minha atenção para muitos temas. Espero relê-lo mais tarde, idealmente a bordo de um voo transatlântico Lisboa - Salvador.
17 reviews
January 22, 2021
Nos observarmos sob o ponto de vista do colonizador português em 2020 pode parecer pouco animador, é verdade. No entanto, Alexandra Coelho aterrisa na Bahia e consegue captar de forma leve, poética e NADA superficial a essência do que nos formou, sem deixar de lado todas as questões que ressoam desde a época Brasil-colônia.
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