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Explosante

Chamamento Ao Povo brasileiro

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Reunião de ensaios, cartas, manifesto e poemas de Carlos Marighella, incluindo textos que só circularam clandestinamente, com nova edição após muitos anos fora de catálogo. Militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e, depois de romper com o PCB, fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar – a Ação Libertadora Nacional, Marighella já foi considerado o "inimigo número um" do regime. A ALN chegou a participar de assaltos a bancos, carros-fortes e trem-pagador, e do famoso sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, ainda que seu líder não soubesse da operação. Seus métodos fizeram com que Marighella se tornasse uma das figuras mais controversas da história do Brasil.
O volume inclui o livro integral Por que resisti à prisão (1965); textos de análise política do país e a ruptura com o PCB, escritos sobre a luta armada, incluindo Frente a frente com a polícia e Cartas de Havana.
Alguns dos poemas e sátiras de Marighella podem ser lidos ao longo do livro.

320 pages, Paperback

First published January 1, 2018

10 people are currently reading
139 people want to read

About the author

Carlos Marighella

27 books28 followers
Carlos Marighella was a Brazilian politician, writer, and Marxist-Leninist militant. He was a key figure in the armed resistance against Brazil's military dictatorship and founded the Ação Libertadora Nacional (ALN), an urban guerrilla group responsible for bank robberies, kidnappings, and other militant actions. Critical of nonviolent resistance, he advocated for armed struggle and wrote the Minimanual of the Urban Guerrilla, a widely circulated revolutionary text.
Targeted by the authorities, Marighella was ambushed and killed by police in 1969. His legacy remains controversial—while some view him as a revolutionary hero, others see him as a terrorist. His life has been depicted in literature and film, most notably in the 2019 movie Marighella, directed by Wagner Moura.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Arthur Nasser.
16 reviews
December 3, 2020
Safatle reune em três segmentos fases importantes e muito atuais da vastissima riqueza critica de Marighella. Em porque resisti a prisao temos uma visao da política e dos planos em 65 e nas outras 2 partes temos já um Matighella convicto que somente a luta armada acabaria com a barbarie do golpe. Viva Marighella!
Profile Image for Fábio de Oliveira Martins Martins.
23 reviews2 followers
January 6, 2020
Trechos selecionados
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Temiam o povo em redor, que protestava. Enquanto pude, empreguei a força de ombros, braços e pernas e a agilidade dos golpes de capoeira. Mas minha força vinha mesmo da convicção política, da certeza de que tudo isto é ditadura e de que a liberdade não se defende senão resistindo. 45

O estudo, o trato intelectual com os problemas da vida, o gosto pelos livros, a tendência para a observação científica levaram-me na lógica formal ensinado no ginásio à indagação teórica em torno da filosofia marxista. Buscava uma interpretação da sociedade brasileira, algo que explicasse as contradições observadas no ambiente em que vivia - operários, estudantes, homens e mulheres do povo, sincretismo religioso, preconceitos das elites. E em tudo isso, presente, inarredável, a imagem das crianças, sofrendo, trabalhando, pongando em bondes como eu via diariamente em salvador, para ganhar uns míseros tostões vendendo jornais. Como homem do povo, escolhi cedo o caminho, que só podia ser o da luta pela liberdade. 48

No país do Teje Preso a tática é a do terror. Assim sendo, é altamente psicológico três homens agredirem, e pisotearem, e alvejarem, um único homem desarmado. Principalmente, porque esse homem é comunista, ex-deputado eleito pelo Partido, perigo flagrante e incalculável para uma Sociedade que se alicerça e reafirma. Uma voz é uma voz, gritando ou gemendo, pedindo sangue ou perdão, cantando vitória ou confessando derrota. Há que se emudecer as vozes, mesmo as mais inúteis e desacreditadas. 50-51

Minha atitude serena e imperturbável transformou em simpatia geral o que o Dops forcejava em fazer crer um barril de pólvora prestes a explodir. 58

E o meu depoimento continua: - Cumpri pena de sete anos e meio de prisão durante oEstado Novo. Fui anistiado em 1945 e eleito deputado à Assembleia Constituinte, como representante do Partido Comunista. Em 1948, fui expulso do Parlamento juntamente com os demais membros da bancada comunista, quando já então a Constituição de 1945 (elaborada com a participação dos comunistas) estava promulgada e- desde o momento da cassação de nossos mandatos - também flagrantemente violada. 61

O meio mais elementar de tortura é o regime de incomunicabilidade. Ao preso não se permite ao menos avistar-se com seu advogado. Contra a incomunicabilidade, bem como contra as prisões sem culpa formada ou além do prazo judicial, o recurso jurídico do habeas corpus tem um valor precário. Embora seja uma conquista democrática do século XVII, surgida na Inglaterra, e introduzida posteriormente em nosso país desde 1832, o habeas corpus é calcado aos pés pela atual ditadura. 100

O terrorismo cultural - expressão do terrorismo político e ideológico - é outro exemplo das perseguições em massa promovidas pela ditadura. Um sacrifício a que a ciência e o magistério pagam pesado tributo. São inúmeros cientistas obrigados a sair do Brasil, por ser impossível trabalho pelo progresso da ciência sob o clima de terror e intolerância. 103

É o regime da mediocridade irresponsável, onde o conhecimento intelectual não vai além dos sublimites do raciocínio, e a reação dos sentidos se manifesta sob a forma de primarismo e selvageria. 124-125

Quando, porém, os "gorilas"os englobam - a todos - numa só designação pejorativa, pensando ofendê-los ao atribuir-lhes a condição de marxistas, estão sem querer reconhecendo a inocuidade do ataque que desfecham contra o marxismo. 127

[Cita Hermano Alves, Correio da Manhã]
Estão vivendo à custa de mitos: o mito da participação brasileira em um conflito global; o mito de um alerta permanente contra uma "agressão interna" de origem comunista; o mito de uma participação racional dos militares - como corporação - na direção dos negócios políticos, financeiros, econômicos e diplomáticos. 129

[Cita Togliatti]
A luta pela democracia assume, neste quadro, um conteúdo diferente do que tinha até agora, mais concreto, mais ligado à realidade da vida econômica e social. A programação capitalista é, de fato, sempre ligada a tendências antidemocráticas e autoritárias, às quais é preciso opor a adoção de um método democrático também na direção da vida econômica. 148

A lição da experiência de Cuba não está em localizar as nossas "serras maestras" ou em produzir cópias de situações, mas em saber apredicar a validez das teses táticas e princípios revolucionários postos em ação para decidir a vitória de um povo como o cubano. Teses táticas e princípios que sempre assumem características próprias, quando aplicados à realidade concreta deste ou daquele país da América Latina. 153

A nova geração não pôde, não pode fugir ao confronto ideológico dos dias de hoje, e sua insatisfação traduz-se na ação e na busca de novos caminhos para a liberdade, a redenção, o progresso social e material, e a satisfação das necessidades e exigências culturais. O papel do marxismo tem sido imenso na pesquisa e na atividade prática da nova geração, no terreno político e social. O marxismo, com sua experiência de mais de um século de aplicação à realidade, comprovou seu acerto pela prática. 154

Nossa tática não pode ser a mesma da situação anterior, quando o movimento de massas estava em ascenso. Agora, a marcha da democracia foi interrompida, entramos numa fase de recuo. Ainda que os problemas brasileiros continuem sendo de reformas de estrutura, só poderemos resolvê-los derrotando a ditadura e assegurando a restauração das liberdades democráticas. 174

O partido deve deixar de ser um apêndice dos partidos da burguesia, para ser capaz de arrastar o proletariado e as massas populares. Nosso aparecimento ao lado de candidatos comprometidos com o golpe e a ditadura nos desmoraliza junto às massas, e ajuda a justificar a farsa eleitoral. O que não podemos é ajudar a institucionalização da ditadura, capitulando ante as violências e ameaças dos golpistas ou deixando-nos iludir com as suas manobras. 175

Atuando com as forças básicas da revolução, o trabalho mais importante, aquele que tem caráter prioritário, é a ação no campo, o deslocamento das lutas para o interior do país, a conscientização do camponês. 187

A direção ideológica é a condição fundamental para o êxito da direção política. O que está havendo é a perda do sentido de classe, o desvio dos rumos da revolução brasileira. 190

Na verdade, o esquerdismo foi fruto extemporâneo da ilusão de classe, que não permitia ver a impossibilidade da conquista de um programa avançado, confiando na burguesia, em vez de confiar na luta pela base. 200

A verdadeira política militar existe como elemento tático permanente da estratégia revolucionária. E consiste em unir os elementos militares revolucionários sob a liderança do proletariado. Simultaneamente, uni-los com o povo, com o proletariado, com os camponeses. 211

A luta de guerrilha é uma forma de luta política. Mas é uma forma de luta política diferente - aplicável quando a luta política já não pode resolver-se pacificamente e tem que se fazer por outro meio. Ainda que a insurreição e a guerra civil constituam igualmente outros meios de efetuar luta política, não resta dúvida de que a luta de guerrilhas tem vantagem de poder organizar-se mais rapidamente, e com efetivos pouco numerosos a princípio. 215

Ninguém espera que a guerrilha seja o sinal para o levante popular ou para a súbita proliferação de focos insurrecionais. Nada disso. A guerrilha será o estímulo para o prosseguimento da luta de resistência por toda parte. Para o aprofundamento da luta pela formação da frente única antiditadura. Para o esforço final da luta de conjunto, de todos os brasileiros, luta que acabará pondo por terra a ditadura. 219

O golpe de abril - vitorioso sem nenhuma resistência - mostrou mais uma vez que política e sobretudo ideologicamente estávamos mesmo despreparados. 222

As ilusões da Executiva - perdoem-me os companheiros - permanecem intactas. Daí por que as vimos refletidas nas ilusões de uma boa parte dos dirigentes e militantes que acreditavam em líderes burgueses, como Juscelino, Jânio, Adhemar, Amaury Kruel, Justino Alves e outros, e tenham esperança na resistência que prometiam fazer contra a ditadura. 223

Se é assim, que se apurem as responsabilidades, que assinalem as causas que levaram o Partido a perder suas bases na empresas, por que não se realizava trabalho entre os camponeses e não se apoiava o esforço revolucionário dos estudantes, por que os intelectuais se distanciavam do Partido, e por que eram preferidos os acordos e entendimentos eleitorais. 229

O foco seria lançar um grupo de homens armados em qualquer parte do Brasil e esperar que, em consequência disso, surgissem outros focos em pontos diferentes do país. Se assim fizéssemos, estaríamos adotando uma posição tipicamente espontaneísta e o erro seria fatal. 262
Profile Image for Ruggeron.
29 reviews
July 30, 2021
Dou 5 estrelas por uma série de motivos: uma edição memorável, material de qualidade e grandes textos. Não tenho concordância absoluta com Marighella nas partes 2 e 3, quando ele rompe com o PCB. O CC estava sim errado na época, mas ele empreendeu de forma errônea a guerrilha. Porém, lê-lo é aprender e apreender suas experiências. Por um espírito revolucionário irretocável como o de mariga.
9 reviews
June 14, 2024
Li na versão de textos escolhidos da Editora TSA, ótimo texto, se você acredita em uma revolução no Brasil esse livro é obrigatório
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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