Rachaduras elenca 22 contos que falam dos dilemas do desejo em uma sociedade marcada por insatisfações, medos inconscientes, impasses sociais e pela agitação dos acasos cotidianos. Os textos da autora apresentam uma escrita ao mesmo tempo segura e experimental, por meio de uma prosa límpida e permeada de oralidade. O livro é dividido em três partes. “Felizes para sempre”, a seção de abertura, traz histórias de casamentos, vida com os filhos, noites atormentadas pela insônia e pelo ímpeto de mudança, pela aposta de, uma vez mais, alcançar o prazer incerto da vida diária. A promessa de felicidade duradoura se esvai nos meandros do cotidiano atarefado, no desgaste e nas pequenas fissuras das relações. O teor irônico do nome da primeira seção se repete na segunda parte, “Príncipes e princesas”, onde personagens em busca do amor romântico, ou simplesmente de satisfazer suas ilusões de paixão e interesse pelo outro, terminam por se desencontrar ou se desinteressar mutuamente. Em alguns dos contos a interferência das novas tecnologias indica que — além de facilitar a comunicação — as redes sociais, o celular e outros canais de informação também contribuem para os descaminhos dos desejos. A terceira parte, que fecha o volume, intitula-se “Outros planos”. Os contos ganham um alcance temático mais amplo e se abrem para experiências da conflagração do espaço urbano, da desigualdade e das diferenças agudas. A linguagem e a estrutura dos contos também se deslocam para uma elaboração mais tensa. Sobressai o uso de uma linguagem das ruas, das gírias e de falas involuntárias. A experimentação também atinge a própria estrutura do conto, que tende a outras formas, como a do prontuário, da crônica e do diário. Algo da experiência pessoal da autora como médica psiquiátrica também avulta nessa seção sobre o descentramento do eu em um mundo de fortes contrastes, diversidade e sofrimento emocional.
Natalia Timerman nasceu em 1981 em São Paulo, onde mora. Médica psiquiatra pela Unifesp, psicoterapeuta, mestre em psicologia clínica pela USP, cursa atualmente o núcleo de ficção da pós-graduação em formação de escritores do Instituto Vera Cruz. Trabalha como psiquiatra no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário desde 2012. Desterros é seu livro de estreia.
achei fantástica a escrita da natalia timerman, sinto que realmente acessa as rachaduras da vida cotidiana. gostei mais das primeiras duas partes, alguns contos da terceira parte me pareceram um pouco confusos. fiquei afim de ler "copo vazio" dela também
Reunião de contos fictícios da psiquiatra Natalia Timerman com recortes da vida cotidiana das pessoas: seus dramas, incertezas e questões existenciais. Com uma pontuação incomumente fluida, reproduz a agilidade com que os pensamentos e neuroses são construídos no nosso cérebro, atropelando muitas vezes os assuntos e produzindo longos parágrafos. Por propor apenas a observação de um breve momento na vida dos protagonistas, pode incomodar o leitor que espera conclusões, respostas, ou consequências, emulando uma situação que a autora deve estar bem acostumada na psiquiatria: ouvir, sem intervenção ou julgamento moral, o relato de seus pacientes durante a sessão.
As Rachaduras parece mais uma junção de exercícios de escrita do que um livro de contos em si. Alguns começam muito bem mas senti como se estivessem inacabados - ou mal acabados talvez, sem uma lapidada melhor no enredo ou nas palavras. Tem diversos pontos interessantes, trechos bem escritos, sensacões bem trabalhadas, mas, como num exercício, tudo isso vem junto com muitas falhas. A tentativa de escrever em primeira pessoa como um jovem em situação de rua em São Paulo eu achei o ponto mais deprimente da leitura.
li recentemente "copo vazio" e fiquei muito animada quando encontrei esse livro no kindle unlimited, mas me decepcionei... os contos não são péssimos, mas também não causam impacto. gostei mesmo de dois ou três, os outros foram indiferentes para mim.
Como qualquer livro de contos, alguns são muito bons já outros eu achei péssimos. Eu gostei muito das primeiras histórias mas mais no final do livro achei que a qualidade foi piorando. De qualquer forma, vale a leitura.
li pequenas chances tão empolgada que esse aqui foi uma decepção grande demais. é um livro de contos que mais parece um caderno de anotações de ideias não acabadas, acho que tirando alguns textos, todos precisam de lapidação ou aprofundamento. quando ela de coloca no lugar de escrever emulando o linguajar de meninos de periferia é desastroso
Sinceramente, para mim foi uma leitura entediante. Fui ler em razão de toda a crítica positiva para o livro “Copo vazio”. Talvez a escrita em contos não seja para mim muito atraente, mas foi um livro que eu não via a hora de acabar.
O livro é dividido em três partes que exploram o desgaste do cotidiano, as ilusões do amor romântico e os conflitos urbanos. São 22 contos que falam do desejo, das insatisfações e da agitação dos dias. A escrita da Natalia é fluida, quase oral, como se ela estivesse reproduzindo o atropelo de pensamentos que todo mundo já sentiu.
Adorei ouvir esses contos nos meus intervalos porque eles têm algo de muito comum, daquele tipo de história que você se encontra ou reconhece no dia a dia. Isso não é uma crítica: às vezes, é bom lembrar que o comum também existe e tem valor. Mas nem todos os contos me agradaram. Alguns pareciam meio forçados ou vazios, o que me tirou um pouco da imersão.
Se você gosta de observar momentos breves da vida sem grandes conclusões ou julgamentos, talvez esse livro seja pra você. É como se a autora trouxesse para a literatura sua experiência como psiquiatra, observando e ouvindo sem interferir. No entanto, se você espera respostas ou desfechos mais elaborados, pode acabar frustrado.
No final, acho que valeu a experiência, mas não foi algo que me marcou profundamente. Ideal para momentos de pausa. Nota: 2,5 ★
Por serem contos e por ser quem ela é, entendo que parte de histórias reais, mas mesmo assim lapidadas. Se fossem apenas transcrições de conversas, até conseguiria entender alguns aspectos da escrita. Infelizmente, alguns dos contos se tornam difíceis de engolir e não achar que a escolha de escrita vem de um lugar no mínimo insensível. Mas, no geral, gostei da maioria dos contos.
★★★★★★✩✩✩✩ 6/10 Um pouco bom Teria dado uma nota maior se o livro fosse composto pelas primeira e segunda partes, apenas. Mas a terceira parte é bem ruim - um dos contos, Encosta aqui, é um lixo, nem parece obra da mesma autora.
Nas duas primeiras partes os contos são ao menos medianos, alguns bons – de um deles gostei muito, A casa, que ouvi três ou quatro vezes e, depois, li. Curto, mas sensível e emocionante.
Ponto negativo também pra narradora da versão Audible, que comete deslizes grosseiros (por exemplo, mandou um "algaritmo" em vez de "algoritmo" e não sabe que a pronúncia da palavra crosta, que está no nome de um dos contos e é repetida várias vezes, é "crôsta", não "crósta").
——— (Prefiro a leitura a audiolivros, mas ouvi Rachaduras durante corridas matinais nuns dias de folga em Ilha Solteira - SP.)
Achei gostoso de ler. Não li nenhuma outra obra da autora ainda, mas com certeza procurarei. A primeira parte foi a que mais me tocou, apesar de eu atualmente estar vivendo algo mais parecido com a segunda. Super atual, com emoções cruas e verdadeiras que se escondem no nosso cotidiano.
fiquei meio triste por não me envolver com esse aqui, porque “copo vazio” da natalia foi um dos melhores livros que li em 2024 — minha expectativa estava altíssima e nenhum dos contos fez cócegas nela.