Infelizmente, devo começar por dizer que não achei este livro nada de especial. De facto, está escrito de forma prolixa e, por vezes, pouco inteligível, ainda que esteja dividido em capítulos relativamente breves que abordam cada personagem histórica individualmente.
Também o próprio título do livro é discutível, visto que em Português o termo "rainha" não tem a mesma polissemia que em espanhol (a língua original do livro). Além disso, não são abordados aqui apenas reis, mas também familiares de reis ou simplesmente membros da aristocracia, além de personagens míticas que não tiveram existência na realidade (como é o caso de Gilgamés e Aquiles). E, como se não bastasse, apesar de não ser essa a intenção do autor, incorre-se no preconceito de que um homossexual não é um homem.
Julgo que o interesse deste livro incide mais na abordagem das circunstâncias históricas em que estas personagens viveram do que na enumeração das suas possíveis relações homossexuais e/ou libertinas. De facto, julgo que este é um livro que tem algumas curiosidades históricas, nomeadamente na Introdução, sendo que teria sido mais interessante, no meu ponto de vista, o desenvolvimento da mesma num ensaio.
Em todo o caso, não deixa de ser surpreendente encontrarmos algumas das personagens aqui abordadas, uma vez que não foi devido à sua homossexualidade que ficaram para a História. É o caso de Júlio César, o Infante D. Henrique, D.Pedro I (sim, o mesmo da Inês de Castro), Pedro, o Grande, Afonso de Albuquerque, Ricardo, Coração de Leão, entre outros. Apesar de alguns historiadores começarem a mostrar essa faceta até agora ignorada, não podemos deixar de pensar que isso talvez só aconteça por haver uma certa "necessidade" de se falar nestes assuntos.