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Obra Poética: 1948-1995
Nesta edição incluem-se todos os livros e conjuntos de poemas organizados e publicados pelo autor.
Na primeira parte reedita-se a Obra Poética 1948-1988, com introdução de Eduardo Prado Coelho; ao livro Cancioneiro de Natal acrescentou-se uma poesia dispersa de 1995, «Som de Natal», único texto deste ciclo escrito depois de 1988: assim se completa um livro iniciado por David Mourão-Ferreira em 1960 e por ele caracterizado como «obra "aberta" ou "em suspenso"».
Na segunda parte reúnem-se os três conjuntos de poemas impressos posteriormente: Lisboa - Luzes e Sombras, num álbum com fotografias de Pepe Diniz, editado em 1992 pelo Metropolitano de Lisboa, Música de Cama, numa edição privada de 1994 com desenhos do escultor Francisco Simões, e Rime Petrose, cinco sonetos publicados no n.º 135-136 da revista Colóquio/Letras, em janeiro de 1995.
Na primeira parte reedita-se a Obra Poética 1948-1988, com introdução de Eduardo Prado Coelho; ao livro Cancioneiro de Natal acrescentou-se uma poesia dispersa de 1995, «Som de Natal», único texto deste ciclo escrito depois de 1988: assim se completa um livro iniciado por David Mourão-Ferreira em 1960 e por ele caracterizado como «obra "aberta" ou "em suspenso"».
Na segunda parte reúnem-se os três conjuntos de poemas impressos posteriormente: Lisboa - Luzes e Sombras, num álbum com fotografias de Pepe Diniz, editado em 1992 pelo Metropolitano de Lisboa, Música de Cama, numa edição privada de 1994 com desenhos do escultor Francisco Simões, e Rime Petrose, cinco sonetos publicados no n.º 135-136 da revista Colóquio/Letras, em janeiro de 1995.
808 pages, Hardcover
First published January 1, 2001
About the author
David Mourão-Ferreira
74 books24 followersDavid Mourão-Ferreira (February 24, 1927 in Lisbon – June 16, 1996 in Lisbon) was a Portuguese writer and poet from Lisbon.
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Community Reviews
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
April 17, 2015
Há uns anos encontrei numa colectânea que reunia vários autores, o poema "E por Vezes" de David Mourão-Ferreira. Despertou-me a curiosidade pelo autor e, passados tantos anos, ainda é um dos meus poemas preferidos entre centenas que já me me passaram pelas mãos.
Desta Obra poética podia destacar dezenas, alguns foram ficando nos updates, mas são tantos e tão bonitos que o melhor é lerem o livro.
Para fechar, teria que ser com chave d'ouro.
E por Vezes
"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos"
Desta Obra poética podia destacar dezenas, alguns foram ficando nos updates, mas são tantos e tão bonitos que o melhor é lerem o livro.
Para fechar, teria que ser com chave d'ouro.
E por Vezes
"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos"
December 25, 2020
"PACTO
Do pacto que o Verbo celebrou comigo
há sempre um artigo que sempre subsiste
Deixar que as palavras apenas exprimam
o que sem palavras tentava exprimir-se
Deixá-las que rompam da noite da vida
para que suspendam a morte do dia"
Do pacto que o Verbo celebrou comigo
há sempre um artigo que sempre subsiste
Deixar que as palavras apenas exprimam
o que sem palavras tentava exprimir-se
Deixá-las que rompam da noite da vida
para que suspendam a morte do dia"
March 12, 2022
Estou apaixonada pelos versos de David Mourão Ferreira! Que alegria conhecê-lo aqui no goodreads através de comentários/resenhas de outros leitores.
TERNURA
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo…
Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos assim que estamos sós!
ILHA
Deitada és um ilha
E raramente surgem ilhas no mar
tão alongadas com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio
florescente promontórios a pique
e de repente na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha
Que percorro descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada
eu morro da vida que me dás todos os dias
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites
não dos meses lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos
TERNURA
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo…
Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos assim que estamos sós!
ILHA
Deitada és um ilha
E raramente surgem ilhas no mar
tão alongadas com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio
florescente promontórios a pique
e de repente na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha
Que percorro descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada
eu morro da vida que me dás todos os dias
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites
não dos meses lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos
December 28, 2014
Colina
No alto da colina apenas a coluna
E a manhã decapita as cabeças da hidra
Mas vão todas gritando ao cair uma a uma
A dúvida ou a vida A dúvida ou a vida
Se regressas ao ponto onde estava a coluna
vês somente no chão as cabeças da hidra
E decifras agora ao vê-las uma a uma
que a dúvida é a vida A dúvida é a vida
ECO DA ANTERIOR
Que dúvida Que dívida Que dádiva
Que duvidávida afinal a vida
No alto da colina apenas a coluna
E a manhã decapita as cabeças da hidra
Mas vão todas gritando ao cair uma a uma
A dúvida ou a vida A dúvida ou a vida
Se regressas ao ponto onde estava a coluna
vês somente no chão as cabeças da hidra
E decifras agora ao vê-las uma a uma
que a dúvida é a vida A dúvida é a vida
ECO DA ANTERIOR
Que dúvida Que dívida Que dádiva
Que duvidávida afinal a vida
December 21, 2021
7. Permanência
Cantam em provençal os pássaros de Maio
Mas em grego e latim as cigarras de Julho (p.437)
**
Olhas o céu
E a terra é tua
Deixa que o céu
te desiluda (p.778)
**
«poesia é, antes de mais, linguagem; mas linguagem animada pela emoção, intensificada pelo ritmo, transfigurada pela metafora (p.783)
Cantam em provençal os pássaros de Maio
Mas em grego e latim as cigarras de Julho (p.437)
**
Olhas o céu
E a terra é tua
Deixa que o céu
te desiluda (p.778)
**
«poesia é, antes de mais, linguagem; mas linguagem animada pela emoção, intensificada pelo ritmo, transfigurada pela metafora (p.783)
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