Sísifo é um texto dramático estreado a 6 de Abril de 2019 no Teatro Reitoria, em Curitiba (Brasil) escrito por um dos maiores comediantes da língua portuguesa e um jovem dramaturgo brasileiro.
A peça, tal como o subtítulo sugere, é um ensaio sobre a repetição em sessenta saltos, saltos esses diversos entre si apesar de continuarem a ser, cada um deles, um salto.
É um texto que nos fala da travessia entre o nascimento e a morte, mas, para fazer essa travessia, são-nos propostas muitas outras, tal como diz um dos “mantras” iniciais “Não se chega a um lugar sem passar por outros”.
Esses outros podem variar em forma, tempo ou espaço. São pequenas travessias que fazemos ao longo daquela maior, escolhas que fazemos por esta, ou por aquela travessia, das pessoas que lá encontramos, dos amores e amizades, da crise climática, do Brasil e do seu passado, e do seu presente, e do seu futuro, do caos cósmico e da certeza da morte.
O título do livro é inspirado no mito de Sísifo, que por ter ambicionado ser imortal, foi condenado pelos deuses à eternidade a carregar uma pedra até ao cume de uma montanha para vê-la rolar até ao sopé infinitamente. No fundo, a sua própria imortalidade é o castigo para a sua vontade de fintar a morte. E é também disto que se fala no livro: Qualquer que seja o caminho que tomemos, uma coisa é certa: o caminho tem fim, e igual a todos os outros.
A escrita, muitas vezes cómica (nota-se muito bem o dedo de Gregório), é cativante e permite ao leitor pensamentos extra-texto. Não é com dificuldade que se pode colocar este texto dramático na subcategoria, filosofia. O leitor que saber como será o próximo salto, se é que haverá mais algum. A repetição aqui é levada ao extremo, como se toda a peça fosse um gif repetindo-se uma e outra vez, que apesar das diferenças tem sempre o mesmo fim.