Esta edição junta os textos mais célebres de Bastiat: «O Estado», no qual figura a célebre máxima de que «O Estado é a grande ficção pela qual todos tentam viver à custa uns dos outros»; «A Petição», uma das críticas mais brilhantes à ideologia proteccionista; «O que se vê e o que não se vê», famosa lição de apelo à previdência em economia; e o aclamadíssimo «A Lei», um dos mais célebres e influentes textos do liberalismo francês oitocentista.
Claude Frédéric Bastiat (29 June 1801 – 24 December 1850) was a French classical liberal theorist, political economist, and member of the French assembly.
Um admirável exercício de livre pensamento, ousadia e luta contra as falácias que demovem o homem de cumprir a sua liberdade.
Bastiat é um autor verdadeiramente revolucionário; as suas ideias fortes e concisas não se deixam abalar pela demagogia da sua época. O autor é mordaz na sua crítica e não deixa fora do escrutínio nenhum argumento.
Estes ensaios são uma verdadeira pérola do pensamento liberal no seu sentido mais puro e menos utópico.
O ensaio "O que se vê e o que não se vê" é uma lição memorável acerca dos prós e contras das políticas estatais e um verdadeiro guia de como viver, sem medos, sem uma presença tão omnipresente (e, pretensamente, omnisciente) do Estado e, de como desmistificar a necessidade que, alegadamente, temos dele.
O ensaio "A Lei" é um verdadeiro hino à igualdade dos homens, e a razão pelo que nenhum homem ou lei está acima da consciência de cada um, plenamente capaz de também pensar e debater as leis De hoje e de amanhã.
Em termos de clareza e eloquência do discurso, comparo Bastiat a Maquiavel (sem estabelecer paralelismos de ideias ou concepções entre estes autores, refiro-me apenas à magnífica capacidade expositiva de ambos). É um autor que vale muito a pena! Nele não existem lugares-comuns ou a presença dos grandes substantivos abstractos, que nada acrescentam. Bastiat soube que nasceu para se reger a si próprio e não entregar de "mão-beijada" esta tarefa a terceiros e, explora de forma bastante minuciosa a questão da legitimidade, o que torna o ensaio "A Lei" um excelente exercício dialético.
Um livrinho muitíssimo precioso e que fará companhia na estante a Chateaubriand, um autor também citado (e admirado?) por Bastiat.
O livro está muito bem organizado, inclui excelentes introduções (uma verdadeira tábua de salvação para os leigos nesta matéria) e contextualiza de forma pontual e oportuna, através de notas de rodapé, algumas referências que Bastiat faz ao longo do texto.
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"Dizem que a sociedade, entregue a si própria, se lançará fatalmente no abismo, porque os seus instintos são prevermos. Pretendem travá-la nesse deslize e incutir-lhe uma direção melhor. Receberam, portanto, do céu, uma inteligência e um conjunto de virtudes que os colocam de fora e acima da Humanidade; que mostrem então as suas credenciais." (A Lei)
"Os teatros, como sabeis, alimentam e empregam, em França, pelo menos oitenta mil operários de todo o tipo: pintores, pedreiros, decoradores, estilistas, arquitectos, etc., que são a própria vida e o movimento de vários bairros desta capital e que, por isso mesmo, devem merecer as vossas simpatias." As vossas simpatias! Entenda-se: as vossas subvenções."
Abstendo-me de considerações económicas e políticas, pois muito haveria a dizer da forma redutora como Bastiat, liberal do século XIX, aborda a complexidade da organização das sociedades a esses níveis, devo dizer que a sua escrita e as suas ideias têm uma força tremenda e impactante quando as vemos de um ponto de vista moral e filosófico. São ideias ricas, repletas de uma direcção que revela a intenção do progresso e desenvolvimento livre e harmonioso da humanidade.
Destaco o seu excelente ensaio "A Lei", seleccionado nesta obra, que li com imenso prazer e cujas considerações e críticas se mantêm perfeitamente actuais, quase 200 anos depois do momento em que foi escrito. Uma última nota para a escrita do autor: simples, clara, por vezes divertida e perfeitamente ao alcance de qualquer leitor, independentemente da complexidade dos temas abordados. Assim deveria ser sempre, quando se fala de economia e política.
«Pois o que são as nossas Faculdades senão o prolongamento da nossa Personalidade, e o que é a Propriedade senão o prolongamento das nossas Faculdades?»
«Todos nós temos uma grande tendência para olharmos o que é legal como legítimo, a ponto de muitos fazerem derivar, erradamente, toda a justiça da Lei.»
Este livro pareceu-me uma compilação criteriosa de ensaios de Bastiat traduzindo o essencial do seu pensamento, com alguns prefácios de pensadores liberais relevantes em momentos certos. Expõe o leitor a uma corrente de pensamento liberal não muito em voga actualmente. O autor dos ensaios consegue numa linguagem e raciocínio geralmente acessível expôr o essencial dessa escola de pensamento, sem incorrer em excessivo proselitismo. A leitura do livro para mim embora agradável e estimulante, não foi nada pacífica e suave. O autor coloca o leitor perante questões difíceis e leva-o a questionar-se. Quem espera sair desta leitura confortado e seguro desengana-se. Verdade seja dita, não é necessariamente mau. Deixo para o leitor descobrir. Boas viagens.