A humanidade sempre se deixou encantar pelas histórias que anunciavam sua destruição total: os últimos dias, o fim dos tempos, a extinção da vida no planeta. Hoje, a fantasia de um fim violento e coletivo ressurge nos movimentos apocalípticos: pacíficos ou belicosos, muçulmanos ou cristãos, mas todos capazes de influenciar a política contemporânea. Assistimos impotentes ao reaparecimento do pensamento apocalíptico, porque a ciência e a cultura da razão ainda não conseguiram encontrar uma mitologia que possa competir com o encanto do fim. Mas se a crença apocalíptica é uma função da fé, aquela íntima convicção que não requer confirmação alguma, então o antídoto não é tanto a razão quanto o impulso humano para a curiosidade. Porque o mandato de nossa maturidade é agir com sabedoria, escolhendo entre a salvação e a autodestruição. De um mestre da literatura contemporânea, uma reflexão provocante e surpreendente sobre as formas de olhar para a nossa existência coletiva.
Ian McEwan studied at the University of Sussex, where he received a BA degree in English Literature in 1970 and later received his MA degree in English Literature at the University of East Anglia.
McEwan's works have earned him worldwide critical acclaim. He won the Somerset Maugham Award in 1976 for his first collection of short stories First Love, Last Rites; the Whitbread Novel Award (1987) and the Prix Fémina Etranger (1993) for The Child in Time; and Germany's Shakespeare Prize in 1999. He has been shortlisted for the Man Booker Prize for Fiction numerous times, winning the award for Amsterdam in 1998. His novel Atonement received the WH Smith Literary Award (2002), National Book Critics' Circle Fiction Award (2003), Los Angeles Times Prize for Fiction (2003), and the Santiago Prize for the European Novel (2004). He was awarded a CBE in 2000. In 2006, he won the James Tait Black Memorial Prize for his novel Saturday and his novel On Chesil Beach was named Galaxy Book of the Year at the 2008 British Book Awards where McEwan was also named Reader's Digest Author of the Year.
Eu fiquei bem na dúvida se eu dava uma nota menor pra ele, porque apesar de eu ter ficado entretida e ter aprendido muito sobre o Apocalipse (juro), senti que ele se limitou à passagens de apenas autores americanos ou ingleses, sem citar qualquer outro autor de qualquer outro país. Além disso, senti de leve em alguns momentos um certo anti comunismo? Eu posso estar bem maluca e talvez eu devesse reler esse pequeno ensaio, mas fiquei incomodada em algumas citações de Ian. Sei lá.
"Abbiamo bisogno di un intreccio, di un racconto che argini la nostra irrilevanza nel fluire delle cose."
Dobbiamo stare attenti a non far sì che la curiosità e il fanatismo religioso non siano complici di un'accelerazione nel raggiungimento dell'Apocalisse, così come Ian McEwan ci riporta, ovvero che tale tendenza si è già verificata nel corso della storia.
Mais conhecido como romancista, esse Blues do fim dos tempos é uma breve palestra que ele fez em 2007 na Universidade Stanford. O tema é o milenarismo – principalmente religioso, mas não só – que é uma presença constante na vida humana. Não é só um drama moderno, mas uma questão humana, que está relacionada com o nosso próprio entendimento que nós teremos, em algum momento, o nosso desaparecimento como indivíduo, que nos alcançará mais cedo ou mais tarde. Há esse ponto de similitude entre o fim individual e nosso fim provável como espécie, mas há também diferenças. Aqui ele vai se apoiar em alguns estudos, tanto para buscar elementos que liguem o passado medieval ao presente quanto tentar compreender o papel do milenarismo na política moderna, já que tanto em um quanto em outro a figura do líder carismático está presente. Aliás, isso faz lembrar a existência de milenarismo seculares como o nazismo ou o comunismo. De qualquer modo, a despeito de uma certa timidez ao longo do texto – acho que ele poderia ser mais corajoso no apontar de dedos – o livro/palestra tem algumas sacadas interessantes. Eis uma “não há evidência alguma de que possamos prever o futuro ou que ele projete qualquer traço no presente”. Leitura breve, com coisas interessantes.
“(…) Temos a necessidade de um enredo, uma narrativa que acolha nossa irrelevância no fluxo das coisas. No que se refere à finitude, Frank Commode sugere que a persistência, a vitalidade do Livro do Apocalipse indica uma consonância com nossas necessidades mais ingênuas de ficção. Nascemos e morreremos no meio das coisas, suspensos. Para dar sentido ao nosso tempo de vida, precisamos daquilo que ele chama de concordâncias fictícias com origens e fins. O final grandioso como imaginamos refletirá nossas expectativas intermediárias irredutíveis. Sendo assim, o que poderia nos dar mais sentido em contraposição ao abismo do tempo do que identificar nosso próprio fim pessoal com uma aniquilação purificadora de tudo o que existe?”.