Comecei Bleach sabendo que estava prestes a entrar em um dos universos mais clássicos dos mangás shounen, e posso dizer que esse primeiro volume entrega uma introdução sólida, mesmo com muitas coisas a serem aperfeiçoadas.
Aqui conhecemos Ichigo Kurosaki, um adolescente que já vive uma vida diferente por conseguir ver fantasmas, o que o coloca direto em rota de colisão com perigos que a maioria das pessoas nem percebe. Quando suas irmãs são atacadas por um espírito maligno Hollow, ele se vê obrigado a tomar uma decisão: tornar-se um Shinigami e entrar de vez nesse mundo sombrio e cheio de responsabilidades.
Como todo primeiro volume de uma série longa, o mangá está claramente focado em apresentar seus personagens principais, estabelecer o universo e jogar algumas pistas do que está por vir. E, nesse ponto, ele faz um bom trabalho. Não é espetacular, mas é eficiente.
A narrativa tem um bom ritmo alternando bem entre ação, momentos cômicos e até um ou outro toque mais emotivo. Gostei especialmente do arco envolvendo Orihime, que já começa a mostrar que esse mangá também tem espaço para dor, perda e humanidade no meio de toda a pancadaria espiritual.
Sobre a arte é perceptível que Tite Kubo ainda estava encontrando seu estilo. O traço nos primeiros capítulos é meio áspero, com cenas de ação que parecem um pouco confusas, mas dá pra ver o potencial crescendo conforme as páginas avançam.
Este volume pode não ser arrebatador logo de cara, mas cumpre bem o seu papel de introdução.