Qual o caminho para compreender o autoritarismo? Talvez uma pista esteja na raiz da palavra. Ela deriva de autoridade, um dos pilares da nossa organização social. Enquanto autoridade é um poder atribuído a, o autoritarismo é o abuso que se faz a partir dessa atribuição. Esse livro traz uma contribuição literária importantíssima ao tema. Por meio de 33 contos, escritores perfazem a linha fina que separa a autorização social e politicamente conferida – pilar da representação democrática, aliás –, do potencial perverso que todo poder tem de extrapolar os próprios limites.
A ficção, como sempre, não dá respostas únicas, sobretudo por que os autores partem de premissas e perspectivas diferentes. É possível, inclusive, que os textos dessa antologia despertem mais perguntas do que respostas para que o leitor se enverede por elas e construa suas reflexões.
Os 33 autores, cada um com sua sensibilidade, falam de sintomas na sociedade contemporânea, de relações humanas, de corpo. Por meio de contos refinados, 30 deles inéditos, partem do autoritarismo para elaborar uma simbologia que expõe nós e desafios, embates e inquietações.
Organização: Anita Deak
Autores: Alexandre Staut, Aline Bei, Anita Deak, Camilo Gomide, Carlos Henrique Schroeder, Carol Rodrigues, Cristina Judar, Evandro Affonso Ferreira, Fabricio Cunha, Gael Rodrigues, Gisele Mirabai, Graziela Brum, Jacques Fux, Javier Arancibia Contreras, Jeferson Tenório, Liliane Prata, Luiz Ruffato, Marcelo Ariel, Marcelo Nocelli, Márcia Barbieri, Marcos Vinícius Almeida, Mauro Paz, Natália Zuccala, Natércia Pontes, Paula Fábrio, Paulo Scott, Ricardo Lísias, Ronaldo Bressane, Sheyla Smanioto, Stefanni Marion, Susana Fuentes, Tiago Germano, Vilma Arêas.
Nos tempos que estamos e tentamos viver, escrever é algo quase perigoso.
Nestes contos brutos, a violência traz sua cara multifacetada, não apenas pelo governo ou autoridades instituídas ou constituídas mas pelo humano que em nós habita e é autoritário de nascença, os pequenos ditadores que somos e que exigem no cotidiano pequenas escravidões e sacrifícios.
Talvez seja um anúncio ou prenúncio de uma realidade mais sombria que estamos preferindo não aceitar e ver, mais um alerta que toca e que, se não dermos fé em tempo hábil, só ficaremos com os brutos porque os contos já serão impossíveis.