A história tem como o cenário a Fazenda Nossa Senhora do boqueirão, na zona da mata fluminense. Um velho tronco de ipê, outrora frondoso, representa a decadência da fazenda. Bem próximo, numa cabana, mora o negro Benedito, espécie de feiticeiro, que guarda o segredo da família. Mário, o personagem central, que viveu desde criança na fazenda, juntamente com a amiga Alice, descobre que o pai da moça, Joaquim, é o assassino de seu pai. Desesperado, Mário tenta suicídio, pois não pode se casar com a filha de um assassino. Mas o negro Benedito o impede, contando-lhe o segredo: Joaquim não matou o pai de Mário. Ele foi tragado pelas águas do Boqueirão e está enterrado junto ao tronco do ipê...
José Martiniano de Alencar was a Brazilian lawyer, politician, orator, novelist and dramatist. He is one of the most famous writers of the first generation of Brazilian Romanticism, writing historical, regionalist and Indianist romances — being the most famous The Guarani. He wrote some works under pen name Erasmo. He is patron of the 23rd chair of the Brazilian Academy of Letters.
José de Alencar was born in what is today the bairro of Messejana on May 1, 1829, to priest (and later senator) José Martiniano Pereira de Alencar and his cousin Ana Josefina de Alencar. Moving to São Paulo in 1844, he graduated in Law at the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo in 1850 and starts to follow his lawyer career at Rio de Janeiro. Invited by his friend Francisco Otaviano, he becomes a collaborator for journal Correio Mercantil. He also wrote for the Diário do Rio de Janeiro and the Jornal do Commercio.
The house of José de Alencar, in Messejana It was in the Diário do Rio de Janeiro, during the year of 1856, that Alencar gained notoriety, writing the Cartas sobre A Confederação dos Tamoios, under the pseudonym Ig. In those, he criticized the homonymous poem by Gonçalves de Magalhães. Also in 1856, he wrote and published under feuilleton form his first romance: Cinco Minutos. He was a personal friend of Joaquim Maria Machado de Assis. Coincidentally, Alencar is the patron of the chair Assis occupied. He died in Rio de Janeiro in 1877, a victim of tuberculosis.
Há quem diga que José de Alencar é, quando muito, medíocre. Pode ser. Mas é preciso levar em conta que ele foi um pioneiro do romance nacional, desbravando um gênero, até então, quase irrelevante em nossa literatura. O Tronco do Ipê é uma leitura agradável, uma viagem saborosa ao ambiente rural de um Brasil que nem existe mais. Romântico, no sentido usual de narrar uma história de amor - não sem um drama no entorno deste, claro -, também o é no sentido mais nobre, o de situar-se no período do Romantismo Brasileiro.
Um dos poucos do Alencar que não tinha lido ainda. O enredo é bem simples e há bastante espaço para o exercício de desenvolvimento das personagens. Lamentavelmente, as personagens femininas são descritas e desenvolvidas de modo muito superficial - o que era típico para a época. Uma coisa interessante é ver a emergência de questões como escravidão e vida política no Brasil, além da própria romantização da escravidão para justificar a defesa dessa forma de produção. Alencar era, afinal, um homem de seu tempo.
Livro cheio de termos difíceis de entender, mesmo considerando o contexto histórico é difícil gostar de ler algo que carrega tanto dos conceitos ultrapassados da sociedade da época.
Trata-se de um romance novelesco bastante açucarado entre um rapaz e uma moça que parece não se desenrolar por questões financeiras. Esta é a segunda vez que leio este livro e confesso que estou um pouco decepcionado. Lembro que li no início da adolescência e ele me pareceu bem mais interessante pela questão do sobrenatural. No entanto, lendo uma segunda vez, essa questão parece estar pouco presente.
Este livro é muito preguiçoso. Por mais que tenha um personagem muito interessante como Mário, o autor não desenvolve-o tão bem quanto poderia. Todos os outros personagens são mal descritos e mal desenvolvidos, tendo apenas Mário uma maior atenção do autor. Além disso, o desfecho é apressado demais, ao mesmo tempo em que outras partes do livro são muito demoradas e se arrastam por capítulos desnecessariamente. Em alguns momentos me envolvi com a história, mas bruscamente me sentia incomodado com alguma escolha ruim do autor.
O tema de abril do clube do livro é um livro que você acha que pode ser ruim. Bem, dessa vez eu tive certeza. Estou longe de ser uma fã do trabalho do Alencar - apesar de achar boas as intenções de seu projeto literário, de representar toda a nação recém "emancipada", não acredito que essas intenções foram bem executadas. Na ambição de escrever sobre todo o país, mais acabou caindo em estereótipos e na superficialidade dos temas. Esse é um dos muitos problemas de O tronco do ipê. O mais irritante deles é que o texto é extremamente prolixo. Toda a primeira parte do livro poderia ser resumida em poucos capítulos e, na segunda parte, temos três capítulos dedicados apenas à preparação de uma festa de Natal. A impressão que se tem é de desperdício de tempo, já que esse acréscimo inútil de palavras em diálogos vazios e cenas descritivas não acrescenta nada aos personagens, nem à trama, nem à premissa da história. Além disso, mesmo nos capítulos em que aborda questões pertinentes ao enredo, tudo é feito de maneira tão expositiva e sem nuance que não gera interesse. Isso torna a leitura arrastada, mesmo que a linguagem e o conteúdo sejam até bem fáceis. Com exceção de Mario, todos os personagens são apenas caricaturas, quando não caricaturas racistas. Mesmo quando trata de assuntos sérios, como discussões a respeito de política do império, ganância humana e tráfico de povos escravizados, é sempre de maneira pontual e pouco aprofundada. Todas as intrigas de quem-casa-com-quem tornam a história ainda mais boba, porque é impossível nos afeiçoarmos a personagens tão unidimensionais. Quem poderia salvar o livro seria Mario e todos os seus dilemas a respeito de vingança contra o homem que roubou dele tudo que lhe era mais precioso e como isso afeta seu relacionamento com Alice, filha desse mesmo homem, e mesmo ele sofre com a leviandade com que seus conflitos psicológicos são retratados. O único capítulo muito bom do livro, que me surpreendeu positivamente, é a viagem que ele faz à Paris e as reflexões que esses anos no exterior geram em sua mente perturbada. Para resumir em uma só palavra, O tronco do ipê é um livro irrelevante.
“...O pai Benedito descera a rocha pelo trilho, que seus passos durante trinta anos haviam cavado, e chegou ao tronco decepado de um ipê gigante que outrora se erguera frondoso na margem do Paraíba. Pareceu-me que abraçava e beijava o esqueleto da árvore; aí ficou aquecendo-se ao sol do meio-dia como um velho jacaré. Aproximei-me para pedir-lhe água mais fresca do que a do rio. Mostrou-me um fio cristalino que manava da rocha viva e deu-me excelentes limas e laranjas. Curioso de ver de perto o tronco do ipê que o preto tratava com tanta veneração, descobri junto às raízes, pequenas cruzes toscas, enegrecidas pelo tempo ou pelo fogo. Do lado do nascente, numa funda caverna do tronco, havia uma imagem de Nossa Senhora em barro, um registro de São Benedito, figas de pau, feitiços de várias espécies, ramos secos de arruda e mentruz, ossos humanos, cascavéis e dentes de cobras... Algumas velhas raízes do ipê, ressurgindo à flor da terra, como sucede com as árvores anosas, tinham sido carcomidas pelo caruncho, e dobravam brocas profundas que se entranhavam pelo solo... A palhoça do Pai Benedito era bem antiga e tinha antes dele pertencido a outro. Esse primeiro dono foi um negro cambaio, que ali viveu desde tempos remotos quando a fazenda não passava de uma roça à toa com um velho casebre e alguma plantação de mandioca e milho. O aspecto disforme do negro, e o isolamento em que vivia naquele sítio agreste em meio de ásperos rochedos, incutiram no espírito da gente da vizinhança a crença de que o pai Inácio era feiticeiro. Realmente ele tinha todos os traços que a superstição popular costuma atribuir aos bruxos. Desde então nenhuma catástrofe se deu por aquela redondeza, nenhum transtorno ocorreu, que não fosse lançado à conta da mandinga do negro. Se um roceiro caia do cavalo e quebrava a perna; se alguma dona de casa se queimava no tacho de melado ou no forno a fazer beiju; se dava a peste nas galinhas ou chocava o grão na espiga do milharal, não tinha que ver: era feitiço; e as vozes se uniam em uma só praga e esconjuro contra o bruxo do inferno que encafifava a todos e a tudo... O boqueirão é um palácio encantado que há no fundo da lagoa onde mora a mãe-d’água... Foi um dia uma princesa, filha de uma fada muito poderosa, e do rei da Lua, que era o marido da fada. Sua mãe tinha feito a ela rainha das águas, para governar o mar e todos os rios, todos... Pois a mãe-d’água, como era assim tão bonita, foi adorada por muitos príncipes que todos queriam casar com ela; mas seu coração já pertencia a um rei, lindo como o sol. Dizem mesmo que era filho dele... Houve muitos combates, e o rei, filho do sol, saiu sempre vencedor e alcançou a mão da princesa; e depois as festas que se fizeram, que foi uma coisa de abismar... Houve muita alegria pelo casamento, luminárias, foguetes. Nunca se tinha visto festa assim; e duraram nove dias e nove noites, que ninguém descansou. Ao cabo desses partiu o rei para seu palácio, levando consigo a princesa. E esta dizia ao marido que três meses do ano havia de passar com sua mãe, a fada, e o resto do tempo com ele, seu marido. O rei, que lhe queria muito, ficou triste. Mas era tão bom, que consentiu; porque ele pensava que, se ela não fosse boa filha, não seria boa mulher, nem boa mãe. E esse tempo que ela estava ausente passava com a mãe embaixo d’água, no seu palácio de diamantes. Assim viveram muitos anos, tão felizes, que era um contentamento para toda a gente; e a rainha deu um filho ao rei, o menino mais bonito que já se viu. O pai o adorava; a mãe morria por ele; e todo o mundo quando olhava para o menino ficava mesmo cativo... Chegando o tempo em que a princesa ia visitar sua mãe, quis levar o príncipe; mas o rei lhe pediu tanto e rogou, que ao menos deixasse metade de seu coração e não lhe levasse todo! Ela teve pena e deixou o filhinho, sabe Deus com que dor, e depois de recomendar muito e muito ao rei que tivesse cuidado nele... Tinha-se passado muito tempo, para a gente da terra, que para as fadas não há tempo. O rei quando viu que a rainha não voltava, ficou desconsolado e triste de sua vida; mas havia na corte gente malfazeja que começou a espalhar certas coisas: que a rainha se tinha namorado de um príncipe do mar, muito bem parecido. Como as coisas más sempre se acreditam, o rei desesperado quis vingar-se e casou-se com outra princesa, que estava muito longe da primeira. A madrasta, toda cheia de si, logo mandou o príncipe, filho da princesa das águas, para a cozinha, como se fosse um criado. Um dia que o príncipe vinha, todo sujo de carvão, carregando lenha do mato, encontrou-se com a princesa do mar que chegava; ele não sabia quem era, ainda que ficou abismado com sua beleza; mas ela o reconheceu e abraçou chorando. Então soube o que se tinha passado; e sem querer mais ver o ingrato que a tinha esquecido, sumiu-se com o filho de seu coração no fundo do mar. Por sua ordem as águas começaram a subir, a subir, e afogaram o palácio, o rei, a nova rainha, e todos que tinham dito mal dela. De tempos em tempos ela vem a terra para afogar a gente, e todo menino que entra no rio, ela agarra para servir de criado ao filho. Também de noite, quando alguma criança chora e aflige sua mãe, ela a carrega para o fundo d’água... Como aqui no boqueirão sempre estava sucedendo desgraças, ela dizia que a mãe-d’água morava na lagoa; e que assim no lugar onde tem mais sombra, às vezes se vê ela olhando e rindo com tanta graça, Senhor Deus, que a gente tem vontade mesmo de se atirar no fundo para abraça-la... Dizia-se que em sucedendo uma desgraça no boqueirão, logo aparecia mais uma cruz à sombra do ipê, indicando a sepultura do infeliz tragado pela voragem. Ora, o mistério tornava-se ainda mais profundo com o fato muitas vezes verificado do desaparecimento da vítima arrebatada pelo redemoinho... Havia ali uma gruta, que pai Inácio, antigo dono da choupana, ensinara a Benedito com os outros segredos da sua bruxaria. Era daí que o feiticeiro falava às almas, e metia medo aos curiosos que se animavam a visitar à noite o tronco do ipê... Quando ela e ele voltaram desse enlevo, seus olhos tímidos se encontraram um momento e fugiram; tinham-se queimado no rubor que abrasava o rosto de ambos. O amor, o verdadeiro e puro amor é sempre assim, cheio de recato e pudor. O outro, o fagueiro Cupido da mitologia, que nasceu de Vênus, a deusa da beleza e da sedução, chama-se desejo...”
It's a classic of the brazilian literature. I was really lucky to be "forced" to read this book in the high school. It is, tought, one of the bests brazilian romances that I ever read.
É um clássico da literatura brasileira. Dei a sorte de ser "obrigado" a ler esse livro no segundo grau. Com certeza um dos melhores romances brasileiros que já li