Melhores trechos: "...Sheila obedeceu, o coração batendo como o de um coelho numa armadilha. A pele ao longo da espinha parecia arrepiar-se toda enquanto o olhar dele descia pelo seu corpo. Sentia-se como uma mercadoria que estivesse sendo inspecionada em busca de defeitos. Ouviu o barulho do largados na mesa junto à cadeira... O rosto que Sheila já considerara bonito havia se modificado, de alguma maneira. Não sentia nenhuma excitação, nenhum estimulo na carícia dele. Não compreendia essa mudança na sua reação, em Brad... Segurou a curva arredondada do traseiro e apertou a carne macia da nádega. Forçou os quadris a se ajustarem à sua rigidez de macho, o tecido fino da camisola fazendo o papel de uma segunda pele. Uma onda de nojo subiu à garganta de Sheila, um bolo nauseante que quase a sufocou... Tomando Sheila no colo, Brad carregou-a até a cama e deitou-a nas cobertas já dobradas. Ela respirava ofegantemente. Ele ficou parado diante dela, fitando seu corpo despido na cama. Sheila permanecia imóvel. Ficou olhando enquanto ele se despia, a mensagem transmitida para o seu cérebro num borrão irreal. Era um pesadelo, algo que estava acontecendo com outra pessoa, não com ela. Se fechasse os olhos, quem sabe acordaria e encontraria o Brad com quem pensara ter-se casado, ao invés desse estranho indiferente. Baixou os cílios por uma fração de segundo, erguendo-os bruscamente quando a cama cedeu ao peso dele. Engoliu o grito abafado que subiu à sua garganta enquanto ele acomodava o corpo nu na cama ao seu lado, fechando uma das mãos sobre a saliência do seu seio... Ao sentir a pontada lancinante de dor, Sheila começou a gritar, mas a boca dele cobriu a dela para abafar o som, até que ela mal podia respirar. Possuiu-a como um javali no cio, rolando para o lado quando ficou satisfeito. Lágrimas de vergonha e de um estranho sentimento de degradação inundaram as faces dela, já úmidas pelas lágrimas iniciais de dor. Sentiu-se usada, diminuída de alguma forma por um ato que deveria ter sido a consumação do amor deles... Seu organismo estava chocado, suas emoções abaladas pelo conhecimento carnal de um homem, um homem que era seu marido. Sheila imaginara que sentiria dor e uma certa dose de desprazer, mas não esse nojo e rejeição que a varriam. O sexo não era uma união íntima de dois amantes. Era uma violação, um ato compulsório de subserviência à vontade de um homem. Brad a possuíra egoisticamente para o seu próprio prazer e satisfação. A pergunta mesquinha permanecia: teria sido por causa do porre que tomara! Seria diferente quando estivesse sóbrio! Quanto do nojo que ela sentia agora era uma reação exagerada a uma experiência traumática? E quanto era justificado! O frescor do ar noturno perpassou pela sua pele nua. Sheila afastou-se da janela, confusa e incerta. A camisola transparente jazia no chão. A moça hesitou, depois apanhou-a e enfiou-a pela cabeça. Quem sabe na manhã seguinte a lembrança dessa experiência se abrandaria, e tudo ficaria bem de novo... Porém Sheila não achou graça nenhuma. Todos os seus gloriosos planos para o futuro estavam se desintegrando, um por um. Estava começando a se dar conta de que sempre haviam sido planos 'dela'. Brad simplesmente concordara com eles, provavelmente porque sabia que era o que ela queria ouvir... Cansada e desanimada, sentia-se encurralada pelo destino. A seda cor de creme da sua blusa era fria de encontro à pele nua, um lembrete físico do tipo do homem que era Brad. Os arredores de Juárez, com as suas favelas esquálidas, logo ficaram para trás. Um grupo de operários que consertavam um pequeno trecho da auto estrada forçou Brad a diminuir temporariamente a velocidade. Logo a seguir, recomeçaram a correr. A cada giro do volante, dentro de Sheila crescia a certeza de que havia cometido um erro terrível. Trataria de arranjar uma anulação, um divórcio, qual quer coisa que pusesse fim a esse casamento de farsa. Tendo tomado a decisão, uma exaustão que era a um só tempo física e mental começou a dominá-la. Logo adormecia, embalada pelo ritmo constante do motor e o girar das rodas. Foi um sono pesado, sem sonhos. Horas e quilômetros se passaram antes que o desconforto do banco do carro começassem a incomodá-la, forçando-a a acordar. O pescoço estava duro e doído, e a cabeça sacudia-se contra o encosto. Esfregando o pescoço, Sheila abriu os olhos devagarzinho. Com dificuldade, fixou o olhar na paisagem. Lembrava a do oeste do Texas em muitos aspectos, mas a imponência das montanhas da Sierra Madre à sua frente confirmava que estavam no México. Não estavam mais viajando na auto-estrada. Uma trilha de chão batido irregular se estendia diante deles, em meio à vegetação rasteira, esburacada, que provocava solavancos. Sheila olhou confusa para Brad... Sheila percebeu a ironia da sua desgraça. Estava nesse fim de mundo, casada, e agora viúva por causa da ambição de Brad pelo seu dinheiro. No momento, talvez a única chance de sobrevivência dependesse desse dinheiro. Uma voz baixa falou qualquer coisa em espanhol, interrompendo-lhe o fio do pensamento. Buscou rapidamente com os olhos o dono da voz serena. Era o cavaleiro magro e moreno, que a olhava com as pálpebras semi-cerradas, o cavalo batendo com as patas no chão, inquieto... O calcanhar de Sheila enganchou-se numa rédea retesada. Ela deu um chute, fazendo a cabeça do animal virar bruscamente. Os cascos nervosos e inquietos tentaram acompanhar o movimento, mas a súbita mudança de direcção foi impossível. Sheila sentiu as patas do cavalo cederem antes que ele caísse ao chão pesadamente. Soltou-se do braço que a prendia enquanto caíam, e livrou-se, cambaleante, dos cascos desnorteados do animal. Desequilibrada, cambaleou para a frente, tentando correr. Mal percorrera três metros, ouviu passos pesados atrás de si. Uma mão agarrou-a pelo cotovelo e fê-la voltar-se bruscamente. Perdeu totalmente o equilíbrio e caiu ao chão. O assassino de Brad estava de pé, acima dela, as feições largas marcadas com a expressão da vingança. Dois cavaleiros pararam os cavalos, um de cada lado de Sheila, e desmontaram. Arrastando-se para trás, os olhos assustados de Sheila não se desgrudavam do homem chamado Juan. Ficou de pé enquanto ele se dirigia ameaçadoramente para ela. Instantaneamente, os outros dois se acercaram dela, segurando-a pelos braços. Ela dava chutes selvagemente, mordendo-lhes as mãos. Inesperadamente, foi solta. Sheila nem quis saber a razão: virou-se para correr de novo. Enquanto se debatera, o resto dos cavaleiros formara um círculo à sua volta. Arquejando com os esforços desesperados, Sheila deu meia-volta, desconfiada, alerta, sem saber o que viria a seguir. Seu olhar fixou-se no homem de rosto magro que comandava o grupo, a expressão impassível e distante. Os olhos negros semicerrados desviaram-se para os seios arfantes dela, a blusa de seda creme toda aberta. Imediatamente, ela ergueu os braços para se cobrir. A boca do homem retorceu-se ante a ação defensiva que chegara tarde demais para ocultar o que todos já tinham visto. Desmontando, soltou alguma coisa da sela. Parecia um cobertor e um laço para prender animais. Sheila crispou-se intimamente, mas recusou-se a deixar transparecer qualquer temor, quando ele se dirigiu para ela. A magreza dele era enganadora, percebia agora. Era muito mais alto e largo do que ela imaginara a princípio. Movia-se com a graça leve de um animal, uma fera predatória. Os olhos escuros e insondáveis não abandonavam o rosto de Sheila, hipnotizando-a de tal modo que ela não poderia correr, mesmo que tentasse. Parando à sua frente, desenrolou um sarape, tipo de poncho usado pelos mexicanos. Ergueu-o acima dela, enfiando-lhe a cabeça pela abertura. introduziu a ponta sob seus braços, deixando-lhe as mãos e os braços fora do tecido áspero. Com sua voz baixa, ele lhe disse algo em espanhol, uma inflexão zombeteira em tom sereno. O sangue fervia agora nas veias dela, os nervos à flor da pele com a sensação de perigo pela proximidade dele. O nó do laço foi-lhe passado pela cabeça. Seu coração parou de terror quando a corda roçou os lados do Seu pescoço, mas ele a fez descer até os ombros... A parede que separava os dois quartos não era espessa o bastante para abafar o ranger do catre ou os gemidos suspirosos de êxtase dos lábios femininos. Sheila tapou os ouvidos com as mãos, tentando bloquear o som dos dois fazendo amor. Com persistência nauseante, ele ficava martelando os seus ouvidos. Minutos intermináveis prolongavam-se, repugnantemente, sem sinal de nenhum dos dois estar satisfeito. Sheila gemeu ante a idéia repelente de que os ruídos poderiam continuar a noite toda, a intervalos, enquanto Ráfaga provava a sua potência na cama... A massagem feita pelos dedos fortes acendeu um fogo na sua desejo incandescente de conhecer a posse integral por parte dele. Uma das mãos deslizou pelas costas, abaixo da linha da água, enquanto a outra continuava a acariciar-lhe sensualmente o seio. A flutuabilidade da água fazia Sheila se sentir como se estivesse boiando, encostada nele. A mão desceu mais ainda, para se espalmar sobre as nádegas macias dela. Ao ser erguida contra o corpo dele, Sheila sentiu a rigidez máscula do seu desejo. Uma leve resistência se manifestou, e ela apertou as mãos contra o peito dele. A boca do homem se abriu sobre seus lábios, saboreando ao máximo sua doçura. Ela sentiu um ronco nos ouvidos ante a perícia exigente do beijo. No entanto, de alguma maneira, Sheila conseguiu se agarrar à sua frágil resistência. Enquanto os lábios se abriam sob as ordens da língua exploradora, manteve o resto do corpo rígido ao contacto dele. Podia sentir as batidas do coração dele sob suas mãos, e a rigidez dos músculos que poderiam tão facilmente dominá-la, mas não o fizeram..."