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Talvez precisemos de um nome para isso

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Vencedora do Prêmio CEPE de 2018 na categoria Poesia, a jornalista e tradutora carioca Stephanie Borges faz em seu livro uma busca por figuras, pessoas e situações que traduzam o que ainda não tem nome e mergulha no tema do emponderamento feminino negro. “Muitas coisas vividas pelas mulheres negras não têm nome, não são traduzidas em uma palavra e dificultam o debate do assunto”, explica. O poema perpassa por narrativas sagradas, lembranças bucólicas, trechos de músicas e críticas ao que chama de “eufemismo do mercado”. O fio condutor, entretanto, é a (auto)análise do que pensa a menina e a mulher negra, como se expressa, como vê e como é vista.

72 pages, Kindle Edition

First published June 28, 2019

2 people are currently reading
146 people want to read

About the author

Stephanie Borges

33 books23 followers
Stephanie Borges é jornalista, tradutora e poeta. Trabalhou em editoras como Cosac Naify e Globo Livros. Publicou poemas nas revistas Garupa, Pessoa e A bacana. Traduziu ensaios da poeta Claudia Rankine (Revista Serrote 28, Apocalipse?) e Irmã Outsider, de Audre Lorde (Autêntica, no prelo). Seu livro de estreia Talvez precisemos de um nome pra isso venceu o IV Prêmio Cepe Nacional de Literatura e será publicado em 2019. Escreve sobre suas leituras na newsletter a cartinha de banalidades (tinyletter.com/stephieborges).

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Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books569 followers
June 23, 2020
Livrão. Pelo que acompanho da autora nas redes sociais e no podcast Benzina já esperava algo de alto nível, mas a capacidade de cruzar vários conhecimentos e referências, de ir à mitologia, à religião, à ficção científica, ao fundo do oceano, sem perder a conexão com seu fio condutor (desculpa o trocadilho!) é impressionante. Tudo flui bem, encontra um ritmo, soa orgânico.

Partindo da multiplicidade das suas vivências, Stephanie Borges escreve um longo poema (dividido em partes) sobre o cabelo. A partir disso levanta diversos questionamentos importantes. É uma estrutura sem rimas, um olhar sobre o passado, o contemporâneo e o futuro, como o fio das Parcas citado pela autora.

O livro venceu o prêmio CEPE 2018.
Deixo alguns trechos (desmontados da sua estrutura original de poesia do livro, infelizmente):

"o formol cai bem aos mortos mas a indústria é ótima com eufemismos - a progressiva de chocolate a progressiva marroquina a progressiva de botox a progressiva americana a progressiva inteligente"

"e de pensar que há mulheres adultas que nunca souberam como são seus cabelos, filhas que não fazem ideia de que uma das diferenças entre elas e suas mães são 0,2% de formol autorizado pela Anvisa"

"circunscrever o vazio e outras coisas ainda não nomeadas, não porque haja segredo ou mistério mas de tão comuns mal se olha"

"entre o sonambulismo e o assombro descobrindo a impossibilidade de realmente perder uma cidade ficam vestígios até no esquecimento".
Profile Image for Giuliana Gramani.
339 reviews16 followers
October 3, 2019
Que livro incrível!!! É o tipo de livro que eu nunca pegaria pra ler, porque acho que nunca ouviria falar sobre ele e porque não sou fã de poesia. Porém ouvi uma resenha em um podcast sobre literatura que acompanho e fiquei curiosa. Aí fui pesquisar e ele estava super barato, então comprei na hora! A autora tem como fio condutor (no pun intended) de sua obra o cabelo das mulheres negras e, a partir disso, fala sobre identidade, autoestima, preconceito e mais diversos outros temas, tudo com uma linguagem fluida e super envolvente. Recomendo a leitura para todos! Estou adorando conhecer mais da literatura brasileira este ano!
Profile Image for Felipe Vieira.
789 reviews19 followers
June 7, 2023
(…)
o poema de quem parte não preenche, roça lento as bordas do vazio
A arte de abandonar não é
ensinada a ninguém.
E está longe de ser rara
a situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir jogando.
(…)


Eu adorei a narrativa que Stephanie Borges constrói nesse poema sobre cabelos crespos e seus cuidados. Mas amo também o além que é sobre o existir e tudo aquilo que nos perpassa ao longos das nossas vivências. Mesmo que pareça que ela fale de algo ou alguém específico.

A parte VI é uma das minhas preferidas. Super recomendo.
Profile Image for Paula Cruz.
Author 17 books245 followers
July 4, 2019
Um livro poema necessário sobre autoafeto e percepção própria. Bonito demais ver as referências mitológicas e milenares usadas num contexto tão atual do olhar feminino sobre si mesmo. Orgulho máximo da Stephanie, que conseguiu unir todo o repertório cabeçudo dela com o olhar intenso escorpiano que tem e o jogo de cintura do Rio de Janeiro. Que tema, que versos!!
Profile Image for Carol Vidal.
Author 12 books42 followers
April 9, 2020
Uma leitura bem fora da minha zona de conforto! Gostei a forma como, a partir de discussões sobre o cabelo (especialmente das mulheres negras), Stephanie abordou questões muito mais profundas que perpassam o machismo e o racismo.
Profile Image for Sofia Soter.
Author 93 books209 followers
July 19, 2019
Uma mistura de referências linda e complexa no texto cheio de sutilezas e personalidade da Stephanie!
Profile Image for Thomaz Amancio.
154 reviews20 followers
August 14, 2019
O que pode ou quer um poema?

Talvez poucos gêneros literários sejam são cheios de regras (jogadas no lixo), tradições (descartadas por neófitos) ou definições (ridiculamente limitadas) quanto a poesia lírica. De modo que é difícil, às vezes, escrever "sobre" (em modo de resenha) um livro de poemas sem apelar a um horizonte de expectativas muito pessoal a partir do qual considerar "o quê" faz de um certo livro bom - ou não.

Com poemas individuais é mais fácil: dá pra dizer Esse falou comigo, ou Esse não me disse nada. Mas quando se trata de um livro entram questões como qualidade média, fôlego, unidade ou diversidade, estilo...

Bom: o livro de Stephanie Borges é tão bom assim porque, ao longo das dez partes do poema que elas formam, a poeta oferece as condições de sua própria leitura. Ela estabelece um tema unificador e uma diversidade de imagens que se transmudam e ondeiam, não só recriando as coordenadas de uma certa experiência, mas desbravando as possibilidades de recuperar essa experiência em suas dimensões política, existencial e metafísica. A dicção é reconhecível e muito particular, uma característica louvável de uma poeta que não é somente fabricante de versos - sua sintaxe e seu ritmo se encontram e se chocam com seu vocabulário, criando passagens enganosamente transparentes e outras perfeitamente misteriosas, deixando o tanto necessário e omitindo o tanto inquantificável para que o jogo de luz e sombra que caracteriza (às vezes, para alguns) a poesia seja possível e se faça presente. E como se não bastasse, o livro ainda cai no presente como a caixa preta do sobrevôo uma pensadora com uma perspectiva forte e original sobre os "nossos" problemas - de algumas ou uns de nós mais que de outros.

Talvez precisemos de um nome para isso é, enfim, um poema que, além de apelar a qualquer leitor (ou pelo menos a um leitor qualquer) também interpela aquelas pessoas que investem na prática da escrita seu tempo e seu desejo - um pouco como o texto escrevível conceptualizado por Roland Barthes. É um tipo de enunciado performativo muito particular, que não atualiza o que diz mas o que não diz, que chama à leitura tanto quanto à escrita - que se liga, com diverso/as leitora/es, à possibilidade de gestação de escritora/es diverso/as.
Profile Image for Iara.
63 reviews2 followers
September 29, 2019
"muita atenção
nas negociações
abrir mão
de certas partes
pode ser um perigo"

Um poema sobre cabelos, raízes, medusas. Que junta guanidinina e receitinha caseira, Yemanjá e o apóstolo Paulo (realmente não esperava encontrar referências bíblicas aqui, mas que surpresa boa), sereias e cafuné, biologia e política. Amei o jeito da Stephanie trabalhar todas essas referências, pra falar de uma experiência tão particular e tão universal.

Recomendo pra todes mas especialmente pra quem vive essa relação complicada e linda com o cabelo cacheado/crespo e todas questões embutidas nisso: alisar/relaxar, transição, assumir os cachos. Essa "estranha necessidade de quem se apropria do que sempre foi seu". Aprender a amar o volume, "perder o receio e ocupar espaço".

Ocupemos espaços!
Profile Image for William Alves.
75 reviews10 followers
February 20, 2020
[...] assim se perde de perspectiva
a dor aceitável e a ideia de que nunca
é suficiente, sempre outra e mais
e mais
até realizar
com sucesso o truque
da desaparição
em plena vista
[...]
.
.
Meu primeiro livro de poemas de 2020. Embora a autora tenha usado suas experiências, seus traumas relacionados ao racismo, misoginia e microagressões diárias, eu acabei me apropriando de algumas passagens relacionadas à aceitação e liberdade capilar.
Fui alertado de quão impactante era o último poema, mas não esperava ficar tão abalado.
Profile Image for Bia.
256 reviews
August 17, 2019
Leituras feministas colocadas em poemas, ou em um longo poema(?). Percebi a abordagem da Stephanie como uma leitura do feminismo negro e a relação da opressão com o cabelo crespo na nossa sociedade racista. A forma como se tenta, através da dor, subjugar os cabelos e corpos negros e porque é importante pensar para além do já saturado empoderamento (sobre o qual ela fala magistralmente sem usar a palavra que hoje já serve para vender de um tudo, de curso de coach à sabonete).
Profile Image for Thaís Fernandes.
21 reviews
July 12, 2020
Um livro de poemas que carrega descrições fortes sobre a experiência de quem sabe falar sobre o assunto. É um livro lindo, que por muitos momentos te abraça. "Talvez precisemos de um nome pra isso" relata sobre cabelos, transição capilar, preconceitos, padrão de beleza (que sabemos que nunca é o do corpo negro), e momentos que se parecem para aqueles que carregam seus traços negroides. Me emocionei muito com o livro, não teve como não me lembrar da minha história. Tá lindo.
Profile Image for Jessiane Kelly.
161 reviews13 followers
June 21, 2020
Descobri o livro por acaso. Quando li o título, me arrepiei. Ao descobrir os poemas me identifiquei e pensei “quem dera ter lido isso em 2013, quando eu fiz a transição”. Talvez seria mais fácil com um nome.
Profile Image for Cláudia.
Author 7 books77 followers
August 18, 2019
um registro de memórias, mitos e dados transformados em poesia linda, mas também dura e metódica quando o momento se apresenta. que coisa linda, Steph. obrigada por isso ♥️
Profile Image for Deborah.
47 reviews3 followers
September 4, 2019
O poema X é absolutamente avassalador. A Stephanie torna um problema tão distante (para mim) algo tão familiar.
Profile Image for Johnatan.
Author 15 books85 followers
November 7, 2019
versos perfeitos para um tema super válido! é uma leitura rápida, mas a stephanie joga com as palavras com maestria, gostei muito do livro e da forma como ele está escrito. 10/10
Profile Image for Melissa Barbosa.
Author 25 books15 followers
October 31, 2020
Amei muito esse livro! Poesia para ler e reler. Há tantas imagens, sentimentos, sensações e referências que certamente são textos que devem ser degustados e revisitados.
Profile Image for Jaqueline.
551 reviews47 followers
December 30, 2021
Ela fala sobre a relação com o cabelo, mas mistura mitologia, religião, racismo, machismo, o livro tem muitas nuances, as imagens que ela constrói são muito interessantes e bonitas.
Profile Image for Marcos Faria.
234 reviews14 followers
August 30, 2019
O subtítulo é "O poema de quem parte", e logo se descobre que quem parte é a própria autora (claro, já que o poema é dela). Partir, aqui, verbo transitivo: ela parte a palavra, escancarando seus sentidos como se fossem pontas duplas no fim dos fios. No caso da palavra, essas pontas duplas não são defeitos: são abertura de caminhos, pelos quais ela parte (dessa vez, intransitiva) do prosaico para os temas mais complexos. O resultado tem volume, tem brilho, tem cachos de poesia.
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