Antes de iniciar a leitura deste livro, pensei que o mesmo retratava a vida de uma assistente viva, de pele e osso, que respirava,… (de salto alto, saia acima dos joelhos, camisa com cinco botões, dois deles desabotoados, óculos e rabo de cavalo). 😆 Mentira, brincadeira… três botões desabotoados! 😅😅😅.
Definitivamente, esta assistente virtual é um dispositivo inteligente, tal como (já terão ouvido falar) a Alexa.
Uma história passada na atualidade, com pequenos eventos a roçar o futurismo. A roçar o futurismo, para quem é mais desatento, para quem é um pouco desligado da evolução tecnológica, sobretudo ao nível da AI (inteligência artificial). Já a vemos, já a sentimos em quase tudo que nos rodeia.
O enredo: Jo, jornalista, mora no casa da sua melhor amiga em Londres. A sua amiga, bem abastada financeiramente, dotou a casa com uma série de dispositivos domésticos, que, para além de serem uma companhia, funcionam como assistentes (regula a temperatura!, abre a porta!, liga ao Simon!, fecha a persiana!, como estará amanhã o tempo em Londres!, reduz o volume do rádio!, liga a televisão!,…)
Como a proprietária do apartamento, raramente está por casa, pelo que Jo geralmente está sozinha. Subitamente uma das assistentes, inicia uma conversa com a Jo sobre um tema que (quase) ninguém sabe, sobre o seu passado e que a compromete.
O livro “começa devagar” e sinceramente os primeiros 10% chegaram a ser chatos e aborrecidos. À medida que a história avança, a intriga e o mistério adensa-se, retomando então a vontade de devorar os capítulos que se vão avizinhando.
É a (por mim) chamada leitura pastilha elástica invertida. Ou seja, inicialmente insípida, desenxabida, com pouco “sumo”, mas depois há uma evolução positiva e começo a retirar gozo da leitura. (Não gosto de pastilhas elásticas)!
Maioritariamente escrito na primeira pessoa, da perspetiva da Jo, mas também alguns capítulos que seguem as perspetivas de outras personagens, são escritos na terceira pessoa.
Um final galopante, interessante, embora já perspetivasse parte do seu desfecho.
Uma reflexão básica sobre a evolução irrefletida, a ascensão da tecnologia no mundo e o possível impacto sobre a nossa espécie. Uma reflexão sobre a tecnologia que exponencia o melhor de nós e por vezes o pior.
Um bom livro para os amantes de suspense.