Una selección de las crónicas de António Lobo Antunes publicadas entre 2000 y 2004. Este Tercer libro de crónicas reúne algunas de las crónicas que António Lobo Antunes escribió entre 2002 y 2004. El oficio de escritor y las dudas que lo asaltan («¿seré capaz?»), su estancia en Angola, la infancia «en una casa con una acacia», la familia(«estos seres extraños en los que se prolongan nuestras facciones»), el amor, lo efímero y lo eterno son algunos de los temas recurrentes de sus novelas, que desarrolla también en las crónicas. Los múltiples registros del autor, la sutileza de su humor, su virtuosismo y el arte de llevar al lector de la sonrisa a la emoción extrema hacen que estos textos se lean con una enorme facilidad. Además, las pequeñas anécdotas que relata, así como sus reflexiones sobre el paso del tiempo y el oficio de escribir, convierten estas crónicas en lo más parecido a una autobiografía de uno de los escritores más reconocidos de la literatura contemporánea. La crítica ha dicho... «Lobo es un preciosista que merece desde hace ya rato el Nobel de Literatura. Tengo la sospecha de que sus actividad literaria lo llevará directamente, antes que tarde, hasta las nieves frías de Estocolmo, cuando menos lo esperemos.» J.J. Armas Marcelo, Cultural «Lobo Antunes [...] escribe con una feroz e inconfundible poética de los infiernos del inconsciente. Hace penetrar a sus lectores en esas exigenteszoas oscuras, tenebrosas, fieramente evocativas, que traducen, de la forma más exacta y estremecedora, las asfixia y pesadilla inconexa e inhabitable, roída de miedos, recuerdos, obsesivos, secretos y silencios, que es interior humano.» Mercedes Monmany, ABC
At the age of seven, António Lobo Antunes decided to be a writer but when he was 16, his father sent him to medical school - he is a psychiatrist. During this time he never stopped writing. By the end of his education he had to join the Army, to take part in the war in Angola, from 1970 to 1973. It was there, in a military hospital, that he gained interest for the subjects of death and the other. The Angolan war for independence later became subject to many of his novels. He worked many months in Germany and Belgium.
In 1979, Lobo Antunes published his first novel - Memória de Elefante (Elephant's Memory), where he told the story of his separation. Due to the success of his first novel, Lobo Antunes decided to devote his evenings to writing. He has been practicing psychiatry all the time, though, mainly at the outpatient's unit at the Hospital Miguel Bombarda of Lisbon.
His style is considered to be very dense, heavily influenced by William Faulkner, James Joyce and Louis-Ferdinand Céline. He has an extensive work, translated into several languages. Among the many awards he has received so far, in 2007 he received the Camões Award, the most prestigious Portuguese literary award.
elementos específicos, indispensáveis, indissociáveis da memória: o relógio, a avó, as fotografias dos mortos, novamente o relógio, o tempo, a mão fria das mulheres nos ombros, as mulheres, as mulheres de cor pálida e cheiro bafiento, aquelas de outro século. o antónio recorda-se sempre da sua pequenez, mas o mais bonito, mais novo e mais neto da sua avó era o antoninho. o antónio não, porque está crescido e altivo e só se recorda de verbos de ordem fatal: como arder e amar.
Como habitual, o autor envia-nos o nectar vertido em folhas. São vivências e pensamentos que populam a sua mente e acabam por colonizar a nossa, também. Obrigado, António.
António Lobo Antunes tem a capacidade de nos ensinar grandes verdades sobre a vida mesmo antes ter termos de passar pelo Sofrimento que as ensina.
"...nós que nos vamos embora antes dos outros - Não se incomodem, não se incomodem nós na última fila dos retratos de grupo, apagados pelo tempo, com demasiada sombra na cara, chega a uma altura em que não somos a cara, somos a sombra na cara, chega a uma altura em que se acabou a cara, se acabou a sombra, chega a uma altura em que a casa vazia, um livro deixado a meio, a caneta sobre a mesa, inútil, chega uma altura em que o telefone a insistir, desesperado, em que os olhos secos, chega uma altura em que não há altura, em que o balão do soro cessa de pingar, em que o espanto não se transformou ainda em desgosto, em que uma coisa me substitui, uma coisa com roupa minha que se aparfusa numa caixa, chega uma altura em que este sol sem mim depois de empurrarem o cão atropelado para a berma da estrada." ( chega a uma altura )
“Escrever é ouvir com força. Continuar a ouvir o já ouvido. Continuar ouvir o já já ouvido. E o já já já ouvido. E assim por diante. Esvaziar-me do que não seja isto para poder encher-me. Não se me afigura uma tarefa por aí além, esta escuta perpétua. Quando não estamos vazios não acontece nada. O segredo é partir para isso sem ideias, sem planos. Deixar vir. Não acrescentar nem tirar. Receber com humildade a inocência. Farejar como os bichos, ir cavando, cavando. E em baixo, depois de muita terra, muitas carapaças de insetos, muitas folhas, muitas raízes, muitas pedras, o livro. Que não se escreve, limpa-se. Uma tarefa de mineiro sem lanterna na testa até acharmos as pessoas e nós no meio delas. Uma profissão de silêncio até que as vozes nos toquem. “
Depois de ter lido As Crónicas e As Outras Crónicas, pouco mais tenho a acrescentar, apenas isto: este livro inclui uma dezena de crónicas que não figuram nos outros dois. De resto, resta-me sublinhar a minha opinião quanto às Crónicas de ALA: há aqui páginas magistrais.
Este libro es un viaje constante a alma de Lobo Antunes, es un viaje personal en donde terminas sintiendo su alegria, su hastio, pena... recomendadisimo