Dizem que quem viveu os loucos anos 60 nao lembra como foram. Com o Circo rola mais ou menos isso. Mas Juca foi fundo e reuniu em pouco mais de 700 paginas, embaladas pela capa de Luiz Zerbini e Vagner DoNasc, a herculea odisseia dessa -turma muito louca aprontando as maiores confusoes-. Com a palavra, a propria:
-Escrevi este livro na cidade do Rio e em Buzios entre junho de 2012 e novembro de 2013. Ri muito, me diverti quando lembrava das nossas bravatas para conseguir programar a agenda do Circo Voador ao longo desses 31 anos. Sao cerca de 15 mil eventos, entre festivais onde se apresentaram 50, 60 artistas em dias de maratonas sonoras, shows de artistas brasileiros consagrados e de artistas internacionais querendo conquistar o rico mercado musical brasileiro. Quantas fantasias, mentiras e verdades alimentaram nossos sonhos para recriar a vida. Sim, a nossa e a de todos que passaram por aqueles precarios e generosos portoes de bicoes, duros e tesos de qualquer tostao para pagar um ingresso e ver seus shows preferidos.
Juca conta que nao aguentava mais ser assombrada por tanta memoria e nao dividir isso com esse respeitavel publico: -Esses fantasmas todos, ocupando minha turbulenta memoria, me faziam carregar o peso e o compromisso de alimenta-los. Porque eram companheiros de estrada meus de Rolinha, de Jamari Franca, de Luiz Antonio Mello e de tantos artistas e produtores que deixaram no palco do Circo Voador sua singular marca. Esses fantasmas se expandiam especialmente quando alguem se dirigia a mim com aquela infame pergunta: Por que voce nao escreve um livro sobre tudo isso que acontece no Circo? Como voce comecou nessa vida? Escreve. Ate que os fantasmas comecaram a fazer parte das conversas das tantas pessoas que encontrava pelos bares, jardins, backstage e camarins do Circo, extrapolaram para fora deles e comecaram a invadir minha cama, meus sonhos, meus banhos e me deixar sem sossego para criar. Me diverti muito transformando tudo
Ler este livro durante a pandemia do COVID-19 foi uma experiência agridoce: bom poder escapar para o Circo e conhecer a história desse lugar mágico; péssima a incerteza de quando poderemos voltar a nos encontrar ali. Os capítulos se organizam em ordem cronológica, mas a narrativa faz vários desvios, indo e voltando no tempo pra acompanhar a trajetória das pessoas que passam pelo Circo. No começo fiquei tonta com isso mas logo acostumei, é como uma daquelas longas conversas de bar que vão e voltam sem deixar de prender a atenção (saudades!). O Circo Voador é um dos meus lugares favoritos do Rio, e depois desta leitura meu amor só aumentou! Aguardo ansiosa o momento de estar de novo sob a lona ❤️
Como fonte, o livro é muito bom. Repleto de imagens e declarações valiosas, a obra destrincha momentos importantes do rock brasileiro das décadas de 1980 e 1990. No entanto, o texto peca muito na organização.Capítulos imensos atrapalham o andamento da leitura e em vários momentos o circo é deixado de lado para se transformar numa autobiografia. Faltou um trabalho melhor de edição e revisão. Algumas informações também são passíveis de críticas e questionamentos, como colocar a ZS como a vanguarda cultural do RJ.