«A desinformação é um processo, uma sequência de actos concebidos por alguém com o objectivo de manipular as convicções do maior número possível de pessoas.»
Um pouco por todo o mundo, as infames fake news têm-se revelado um verdadeiro entrave à democracia e uma incubadora de ódio social. Seja no Brexit, na eleição de Trump ou de Jair Bolsonaro, o efeito da desinformação e das mentiras propagadas como se notícias fossem pode ter sido determinante para decidir o voto de muitos eleitores.
Em Portugal, onde 63% das pessoas afirmam receber as notícias que as mantêm informadas através das redes sociais, mentiras meticulosamente plantadas no mural certo, à hora certa podem fazer a diferença num momento decisivo. Mas como chegámos aqui? Quem fabrica estas «notícias» e por que o faz?
Numa investigação de fôlego em coordenação com organismos internacionais, o premiado jornalista Paulo Pena lança-se numa viagem aos bastidores das fake news, nacionais e internacionais, para nos mostrar que a era da desinformação chegou e que está nas nossas mãos combatê-la.
Excelente síntese de um fenómeno que veio para ficar. A dado momento, o autor aponta o cerne do problema das fake news, que é também o seu principal objectivo: instalar a dúvida. A partir do momento em que se atribui o mesmo peso e significado à informação e à desinformação, vivemos numa era de todos os perigos e de todas as intoxicações. No que ao contexto português diz respeito, apetece pedir uma sequela do livro. Em menos de ano e meio desde a publicação, o nosso panorama piorou, e de que maneira, com fenómenos como o chega ou o movimento zero.
Uma viagem a um mundo mais desconhecido do que parece. As fakes news não são apenas as fotos com má qualidade e letras garrafais que se partilham nos grupos de what’s app de boomers, são um negócio altamente lucrativo que não se importa de sabotar a democracia pelo caminho para maximizar os seus ganhos. Esta investigação do Paulo Pena, e da equipa de que fez parte, não deixa dúvidas em relação a isso.
O modelo de negócios das grandes plataformas de redes sociais está intimamente relacionado com a disseminação de desinformação e notícias falsas, quanto mais cliques mais dinheiro e quando mais polêmica mais cliques.
O grande desafio é compreender que entregar o controlo da informação de conteúdo alegadamente falso a estas plataformas é uma forma potencialmente perigosa de privatizar a censura e que os casos de parecerias entre o Facebook e jornais online para fact checking resultaram em acusações muito graves por parte de jornalistas em relação ao Facebook e as suas ações para os desviar de certos temas e priorizar outros para a análise de verificação de factos.
Apoiar jornalismo de qualidade - que busca o interesse público e não esconde factos desconfortáveis - parece ser uma as soluções mas não anula o outro lado, não anula as notícias falsas embora seja capaz de lhes trazer contraditório. Ainda assim, apoiar jornalismo de qualidade é o quê? Estar disposto a pagar por informação de qualidade? E quem não pode pagar? E assumindo que se chega a um ponto em que todos podemos pagar, quais serão os riscos éticos de transformar o jornalismo num negócio? E não será ingênuo falar no futuro? O jornalismo não é já um negócio quando parecem existir mais métodos de trabalho mais próximos de pagamento por clique do que de investigações demoradas e dispendiosas?
Este livro ensina muito e, ainda assim, traz mais perguntas que respostas - e isso não é uma coisa má.
Abordagem interessante à temática da desinformação, identificando-a como um processo com o objetivo de manipulação dos utilizadores de redes sociais e, consequentemente, da opinião pública. Foca como a crise do jornalismo fomenta a desinformação, o papel das grandes plataformas de social media e da publicidade direccionada.
Descontruindo desinformação: é este o mote de "Fábrica de Mentiras". Enquanto interessado pela área dos media, este livro chamou-me à atenção aquando do lançamento, visto não haver nada escrito sobre o tema em Portugal (ainda que, na altura, tenha sido lançado o "Viral", de Fernando Esteves e Gustavo Sampaio). "Fábrica de Mentiras" é, acima de tudo, uma viagem. Uma viagem pelo jornalismo, avaliando o que nos trouxe até esta era onde a informação pode nem sempre ser verdadeira, dividindo o nosso tempo entre likes, partilhas e retweets. De seguida, desconstrói um pouco toda esta máquina de desinformação que tem sido construída (não só em Portugal) e avalia a forma como isso nos afeta a nós, cidadãos. No final, fica a reflexão: como podemos ajudar os média em tempos de incerteza?
Li o ano passado e, na altura, este livro ainda não se encontrava aqui no Goodreads! Aconselho a sua leitura a todos aqueles que pretendam estar (bem) informados: quem queira saber separar o que é (ou não) verdade. Parece que foi hoje que começámos a ouvir falar em fake-news, inverdades, etc.
Gostei especialmente da descrição dos casos portugueses e da investigação que o autor fez às suas origens, algo que nunca tinha lido apesar de já ter tido conhecimento de muitos dos exemplos que aponta.
Livro muito bem escrito! Adorei a leitura, apenas dou esta pontuação pois o livro foca se muito no aspecto politico das fake news. Ao que estava mais interessado em obter uma visão geral das mesmas no aspecto empresarial, vida social etc. De qualquer forma para quem se interessa pela area politíca é uma boa analise de como estas influenciam os partidos, e as eleições dos mesmos para as presidenciais.
Num livro curto e de leitura cativante, Paulo Pena consegue explicar o que são “fake news” e o que está por detrás delas, e delinear quais os desafios que o jornalismo, em especial o de investigação, enfrenta. Com o seu optimismo assumido, aponta também caminhos para a evolução/salvação da informação fidedigna. Um livro seguramente a reler!