A poesia de Antonia Pozzi é eterna. Aspira à leveza total, à tristeza total, ao belo, ao sublime. Seguir-lhe o génio nesta lindíssima segunda edição da Averno é um regalo para os sentidos e para a alma. Mas sobretudo pela voz da poetisa, princesa do panteão literário e poético mundial.
Parecia-me que este dia sem ti devia ser inquieto, escuro. Em vez disso está repleto de uma estranha doçura, que aumenta com o passar das horas - quase como a terra após um aguaceiro, que fica sozinha no silêncio a beber a água caída e pouco a pouco nas veias mais fundas se sente penetrada.
A alegria que foi ontem angústia, tempestade - regressa agora em rápidas golfadas ao coração, como um mar amansado: à luz suave do sol reaparecido brilham, inocentes dádivas, as conchas que a onda deixou sobre a praia.
Embora os poemas tenham sido bons, uns deles conseguiram marcantes mas tirando esses os restantes foram pura e simplesmente bons, não achei um livro marcante, apenas aqueles livros que se lê de passagem, que se lê só porque não se tem nada para ler, mas, ainda assim achei bonito. Achei a primeira e a ultima parte do livro longas demais para o que eu esperava, e especialmente a ultima parte, acabou por se tornar entediante. Além disso, meio que se perde a linha de raciocínio, lê-se a primeira parte que tem haver com a cronologia de Antonia Pozza e depois logo de seguida lê-se bastantes poemas, e por fim vem mais uma longe parte sobre criticas e opiniões, parece que se lê três livros diferentes num só. Eu acharia interessante se fosse proposital, se fosse um livro com três histórias diferentes, mas aqui, a cronologia é sobre a autora, e as criticas são sobres os poemas então está tudo interligado. Mas enfim, não apreciei, talvez apenas não seja o meu tipo de livro. A parte que mais apreciei foram os poemas e não foram do mais marcante e tocante que já li.