Nesta edição, por ser um convite à leitura, procurou-se colher amostras representativas nas coletâneas de contos organizadas em vida pelo autor. Além disso, incluíram-se contos publicados em periódicos, mas que não chegaram a compor livros, enquanto Machado viveu. Sendo um autor de estatura universal, muito do que Machado de Assis escreveu pode nos levar à reflexão, se não estabelecer incômodos, por nos vermos parcialmente representados nas ações, justas ou questionáveis, de suas personagens. Mas, o leitor não desanime: em diversas ocasiões, o que pensamos sobre determinadas coisas está contemplado no comentário sutil de seus narradores. Resta saber se podemos dar-lhes crédito.
Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. However, he did not gain widespread popularity outside Brazil in his own lifetime. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."
Terminei a deliciosa leitura desta nova edição caprichada dos contos de Machado de Assis. Os textos são de 1870 até 1906, mas tem a atemporalidade dos grandes observadores da natureza humana. Assim como Ingmar Bergman ou Nelson Rodrigues, Assis faz uma dissecção da alma em suas qualidades e fraquezas inerentes a nossa desafiadora existência. Sempre com uma criatividade que surpreende o leitor através de uma escrita de elegância impecável. Como o contexto é o Brasil imperial e pós republicano, o livro traz em todos os rodapés das páginas uma ótima pesquisa com referências de expressões, citações e situações da época. Isto enriquece muito a leitura. Um livro bem acabado gráfica e editorialmente. Vale demais a leitura, recomendadíssimo.
7 meses pra terminar esse livro! Mas vou me dar um desconto porque teve aí uns 4 meses de hiato na leitura por coisas da vida.
Soa quase como um pecado dar 3 estrelas pra Machado de Assis, mas não estou aqui pra performar intelectualidade. Avalio o quanto gostei.
Pra começar, eu não gosto de contos enquanto formato literário — aí o problema não é ele (livro), sou eu. Segundo, apesar desta edição estar recheada de notas de rodapé explicando contextos, referências, e vocabulários, muita coisa se perde pra um leitor contemporâneo. Afinal de contas, são contos escritos no século XIX. Terceiro, tem muuuitos contos aqui. Acho difícil alguém sinceramente gostar de todos haha
O interessante desse tipo de apanhado geral é que fica muito claro os temas que o autor gostava, porque tem muita repetição.
Por exemplo, com esse livro você consegue fácil fazer um drinking game. Tome um shot sempre que: - um personagem falido tentar um plano mirabolante pra ganhar dinheiro fácil; - um personagem tentar seduzir uma viúva; - um personagem considerar adultério (double shot se a traição rolar de fato); - o narrador quebrar a quarta parede e falar diretamente com você.
De qualquer forma, é uma leitura interessantíssima e surpreendentemente atual. Poucos compreendem ou compreenderam a essência do brasileiro como Machado.
- Design bonito: capa dura com letras coloridas, contracapas em amarelo-gema, corte em violeta, marcador de fita em cetim azul e... os números das páginas aparecerem cortados (acho que foi intencional, não atrapalha em nada). Letras em bom tamanho e papel macio. É Machado vestido para um baile de carnaval no Copacabana Palace. Colorido e luxuoso.
- Lombada: Os títulos de todos os contos estão na lombada. Achei prático.
- Seleção de contos: faz juz ao título "Contos Essenciais". São 55 histórias divididas em 8 partes, por ano de publicação: Contos fluminenses, 1870; Histórias da meia-noite, 1873; Papéis avulsos, 1882; Histórias sem data, 1884; Várias histórias, 1896; Páginas recolhidas, 1899; Relíquias de casa velha, 1906; e Contos esparsos, sem data.
- Notas de rodapé: muito bem-feitas. Palavras incomuns, personalidades da época, bairros do Rio de Janeiro... Nada fica sem explicação.