Depois de se separar, o jornalista Marco Camargo resolve tirar o atraso, propondo-se a cair na noite e levar cem mulheres para a cama. O que pode parecer uma premissa vazia revela-se uma forma corajosa e bem-humorada de abordar a crise do macho contemporâneo. Afinal, ao acordar solteiro, Marco descobre que, para lá da porta do seu apê, o mundo não é mais o mesmo. As mulheres mudaram e a forma de interagir com elas também. Numa era digital e avessa a ranços machistas, Marco tenta sobreviver e (por que não?) se dar bem, pulando de um par de seios para outro, às vezes anestesiando-se com drogas, bebida e música pop, às vezes fantasiando um curioso seminário sobre como conquistar qualquer mulher. O nome Consolação refere-se ao bairro em gentrificação que se transforma junto com o personagem, mas também poderia aludir ao resquício deixado pela narrativa: num universo de relações cada vez mais supérfluas, o sexo casual pode não salvar ninguém, mas pelo menos serve como algum consolo.