A maternidade não é uma coisa perfeitinha, como vemos nas redes sociais, não é fácil, como mentimos umas às outras, não é mágica, como imaginamos antes de engravidar. Ser mãe é a prova de maior resistência física e emocional que existe. E quando insistimos em perpetuar a ideia de que tudo é perfeito, em vez de estendermos a mão às outras mães, estamos a colocar em cima delas o peso da culpa por não conseguirem alcançar essa perfeição.
Quando fui mãe, senti que se tinha instalado no mundo uma política que nos proibia de errar, de nos assumirmos cansadas e de dizermos tudo o que sentimos para lá do amor avassalador pelos nossos filhos, como se todos os ais tivessem de ser silenciados para não sermos julgadas em praça pública. Não contem comigo para isso.
Às vezes, a maternidade é um milagre, outras vezes é apenas uma enorme dor de cabeça. E dizer isto não coloca em causa o amor que sinto pelos meus filhos, porque entre birras, respostas tortas e noites sem dormir, eu sou a melhor mãe do mundo para os meus filhos, da mesma forma que vocês são a melhor mãe do mundo para os vossos. Acreditem, ninguém os atura melhor do que nós.
Então, vamos lá parar com esta merda de fingir que não estamos todas à beira de um ataque de nervos, pegar num copo de vinho e falar sem filtros sobre isto de ser mãe…
«Mães imperfeitas que não têm medo de o assumir, este livro conta a nossa história, não duvidem. Vão ler-se a cada palavra, a cada vírgula. Fôssemos gente de criar grupos de Facebook (Deus nos livre e guarde de tal sorte) e bateríamos recordes de participação.» Ana Bacalhau, in Prefácio
Absolutamente fantástico! Houve alturas que me ri tanto pensei que ia fazer chichi nas cuecas! Altamente provocador para todos aqueles que andam com Nariz enterrado na areia e continuam a criar fantasias a volta da gravidez, maternidade e tudo o que esteja á volta desse assunto. Uma sinceridade crua, bem disposta e regrada de muitos palavrões (os quais encaixam perfeitamente na explicação e sentido das coisas), uma dose de reflexão sem culpas nem julgamentos que nos faz sentir humanos despejados de ambições megalómanas de perfeição.
Uma leitura leve e bem disposta e muito sincera! Bom trabalho Susana Almeida, obrigada pela sinceridade e boa disposição!
Em primeiro lugar, eu já não me lembrava da última vez que comprei um livro em português! Em segundo lugar, gostaria de dizer que eu li este livro em condições extremas: no sofá enquanto o Príncipe brincava ou via os seus desenhos-animados. Em terceiro lugar, tenho que antes de começar a minha review do livro da Susana Almeida, quero informar que este livro contém uma linguagem bastante colorida... Aliás, não sei como a editora Influência não colocou uma bolinha vermelha no canto superior, LoL.
Dito isto também quero de dizer que se quiserem virar este livro para audiobook, gostaria que se lembrassem de mim! Adoraria narrar este livro e eu até peço à minha mãe autorização para dizer asneiras! Pensem com carinho sobre isto, eheheh.
Ora bem, quanto ao livro em si, é basicamente a evolução da Susana como mãe. Ou seja, desde que incluiu o enteado na sua vida, quando engravidou, até ao presente... falando dos vários estágios da maternidade e, claro, as teorias da carochinha incluindo o sítio onde o sol não brilha para onde ela as manda. Fala então da gravidez (que nem sempre é o equivalente a andar por nenúfares qual ninfa do lago); da amamentação (que só isto dava um livro, muito honestamente); das diferentes personalidades dos filhos; da privação do sono e consequentemente do vinho e gin... E muito mas mesmo muito "no nonsense", sem papas na língua e uma visão realista das coisas. Ela diz em várias vezes que não está a impingir teoria nenhuma mas tenta sim, tirar um pouco do peso da culpa dos ombros das mães. A mesma culpa que parece que nasce ao mesmo tempo que os nossos filhos.
Tendo em conta que li enquanto tinha uma criança de 2 anos a brincar no background, posso afirmar sem sombra de dúvida que a escrita da Susana é super fluída, divertida e com uma dose de realismo perfeita para os dias de hoje, quando há cada vez mais pessoal nas redes sociais a deitar areia para os olhos do povo ou a tentar vender-nos a banha da cobra. Eu já seguia o blog Ser Super Mãe É Uma Treta já há bastante tempo e o que encontrei neste livro foi precisamente a mesma Susana que me conquistou com os seus posts. Aliás, eu cheguei a ler à minha mãe o post da Susana a tentar cortar as unhas ao filho... Pronto, ok, cortei um pouco nas asneiras mas isso é porque e passo a citar a minha rica mãe: "estás ainda em boa idade para levar umas palmadas!" #sóseperdemasqueficamnoar
Este livro teve também uma leitura especial pelo facto que ao ler uma ou outra passagem, ia falar com a Susana ao instagram. Que se não lhe forem tentar vender coisas ou chatear a mioleira, ela é uma pessoa cinco estrelas!
Portanto, no livro fala também nas teorias da treta e da fé nas fadinhas. Mostrando a maternidade real, sem filtro, que parece ser um verdadeiro tabu e qualquer mãe vista a dizer algo do género ou é excomungada da Irmandade das Mães Perfeitas ou então é logo rotulada de má mãe. E eu acho que isto não é só produto da sociedade mas também biológico. Pensem comigo... Sim, o papel da mulher ainda é o de "mula de carga", apesar de estar lentamente a mudar, mas a verdade é que se a maternidade tivesse regada de realismo e não coberta por um véu de piriquitices, se calhar a taxa de natalidade descia a pique, LoL. Contudo, não é a minha intenção (quando escrevo no blog) e da autora do livro tirar o véu tecido pelas fadas das mães perfeitas e mostrar-vos a realidade, ou seja, mães reais... numa de combater desilusões, ilusões, culpas, depressões, solidão, etc.
Um exemplo é o capítulo "A licença de maternidade não são férias", onde eu estava a ler cada parágrafo e a dizer amén. Eu! Euzinha pensei, quando estava grávida, que quando estivesse de licença que ia ter imenso tempo! Andei a juntar livro atrás de livro e série atrás de série porque assim, ao menos tinha que fazer.
Eu...era...uma...idiota!
Além de obviamente de não se estar de férias durante uma licença, a Susana menciona de forma brilhante como a maternidade muitas das vezes parece uma ilha deserta e solitária. E como muitas mães chegam a sentir falta de ir para o trabalho pois sentem falta de existir sem os filhos e/ou conversar com adultos. Mas claro, isto não se diz, porque senão a Irmandade das Mães Perfeitas faz-nos uma espera ou então as mães entram numa espiral perigosa à conta da culpa, tendo em loop na cabeça que são más mães... Não! São apenas mães, ponto final. Sim, porque como a Susana diz e muito bem "As mães têm de aturar muitas merdas", além da culpa que nasce com os nossos filhos, temos que aturar as opiniões (vulgo bitaites) altamente especializados dos outros. Que as melhores são as dos pais perfeitos. Vocês sabem, aqueles pais perfeitos... que não têm filhos, LoL. Ou então as mães dos grupos do Facebook, que para mim são uma infestação de cyberbullying (se vocês não sabem do que falo, vão até ao blog da A Mãe Imperfeita).
Há uma citação que eu acho que devia ser emoldurada:
"Dizer a uma mãe que se queixa de estar cansada que faz parte, é colocar em cima dela o peso da culpa por não aguentar ser mãe."
Muitas vezes uma mulher tem o dobro do trabalho. Isto é, imaginem duas mulheres numa pista de corrida. Uma delas fresquinha que nem alface a caminhar pela pista descansadinha da vida, até à meta. A outra com uma carroça às costas. Ela chega ao destino sim, mas depois de muito esforço e muito suor. Este exemplo é de uma mulher sozinha e uma mulher com família. Não só temos o trabalho normal de manter uma casa, como temos o trabalho adicional. Isto é, se não queremos esse trabalho por inteiro temos que perder tempo a fazer reprogramação comportamental doméstica, que é como quem diz re-educar os maridos. Agora já há muito de "partilhar tarefas", ou seja, eles fazem a parte deles. E eu sei que algumas pessoas vão pensar que estou a ser sexista mas é apenas a nossa realidade cultural. Os homens raramente são educados a cuidar de uma casa ou a dar valor ao esforço para manter um lar. Por isso, a mulher tem que ser mãe logo aí e educar o que as mães deles não fizeram.
Mas vocês podem ler isto e muito mais no livro...
Eu gostei mesmo muito da leitura fluída. Como que com sentido de humor a Susana nos transmite que mesmo passados anos e anos, somos mães em construção mas que mesmo não sabendo tudo mal sejamos mães, que nós conhecemos os nossos filhos melhor que ninguém e que o nosso instinto é a nossa melhor bússola. Não contente, com estas coisas todas, a Susana acaba o livro com o melhor grito de guerra de todo o sempre:
"Somos todas umas mães do caralho!"
Dito isto, acho que a única crítica que tenho a fazer é o facto do livro ser cor de rosa... Susana, eu tenho uma reputação de metaleira a manter, por isso numa próxima edição podes tratar do assunto? LoL.
Resumindo, aconselho este livro a todas as mulheres. Repito: todas as mulheres!
Quando colocava nas stories que estava a ler o livro, várias meninas me disseram: ah se fosse mãe ia ler esse livro. Mesmo que não tenham filhos ou estejam sequer grávidas eu aconselho este livro a todas as mulheres pois quantas mais de nós tivermos noção da realidade e que não estamos sozinhas neste barco chamado "Maternidade", melhor!
Susana, onde quer que estejas, podemos ser amigas? Ou, podemos começar um tão temido "grupo de mães" mas só com esta mentalidade "foda-se", para nos queixamos de todas as fundamentalistas que há por aí e todas as vezes quedos fizeram sentir mal? Só para podermos dizer de vez em quando, "foda-se, odeio estar grávida" ou "odiei amamentar" ou "não aguento mais estar perto do meu filho, preciso de uma pausa"? Ou, "vou parir como eu quiser e não tens nada a ver com isso". Já ofereci este livro a amigas, e há tantas mas tantas partes que já reli para me sentir um pouco amei tranquila sobre mil coisas... Como os capítulos são curtos e a linguagem simples é um bom livro para ir lendo um bocadinho todos os dias, mas atenção - É difícil ler apenas um capítulo de cada vez. Este livro mudou a minha perspectiva sobre mesmo muita coisa relacionada com maternidade. Adorei a linguagem direta e sem tabus, simples, sem floreados. O sentimento que não estava sozinha nas minhas convicções e nas minhas dúvidas. Todas as mulheres, aliás, toda a gente, devia ler este livro! Tenho a certeza que não vai ser para todos, e com certeza que muitos vão ficar chateados por se reverem nos comentários negativos, mas para mim foi uma mantinha num dia de Inverno. É um livro que diz a todas as mulheres: Estás bem assim, como és, não tens de andar sempre a correr atrás do prejuízo! Não deixes que te julguem a ti, ou às tuas escolhas, como mulher e como mãe! É um reminder constante de que, podemos ser eventualmente mães (se quisermos) mas nunca deixamos de ser mulheres. Que nos faz pensar sobre o quanto as nossas mães devem ter sofrido ao longo destes anos. E que temos mais é de aparecer, tentamos o nosso melhor e irmos dormir descansadinhas sem ouvir opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, sem duvidamos de nós próprias, sem nos sentimos culpadas constantemente. As mães são mesmo do caraças. Temos todas o direito de sermos o tipo de mãe que quisermos. E eu espero sinceramente habituar-me a fazer como a Susana, e mandar as outras todas à merda sempre que me cheguem com fundamentalismos parvos. De boca cheia ou só dentro da minha cabeça!... O meu capítulo favorito foi o último, mas em todos eles eu parava e lia alguma passagem (ou capítulos inteiros) em voz alta ao meu namorado, que coitado lá apanhava a minha raiva toda de tabela.
Este é O Livro que TODAS as Mães devem Ter para poderem Manter a Sua Sanidade Mental. Não este não é um Livro de Auto-Ajuda para Nos Fazer Ver a Maternidade como um Sítio Encantado Cheio de Unicórnios, Arco-Íris e Dias de Sol Resplandecente. Não, Não, Não este é um Livro que Nos Ajuda Nos Dias Mais Negros a Pensarmos: Que se F*** a Culpa, Sou uma Mãe do C****** e Sou Acima de TUDO a Melhor Mãe que Consigo Ser, a Melhor Mãe que Sei Ser e a Mãe que o meu(s) Filho(s) Precisa(m). Aconselho este Livro a Todas as Futuras Mães, às Mães Recentes e às Mães com Filhos Pequenos. Não se vão Arrepender de Ler este Livro, vão sim Se Sentir tão Mais Leves e Livres de Culpa e de Julgamentos.
Nascer menina é nascer também para uma figura idealizada de matriarca. Não quero falar por outras mulheres mas sinto que desde que tenho lembrança ouvi frases como: "deixa, quando tiveres filhos logo vês!" Desde que me lembro de ser gente que ouvi referir o "quando" e muito poucas vezes o "se".
As princesas vivem sempre felizes para sempre, com uma prol de filhos. E os príncipes vão caçar dragões e deixam o lar à amantíssima esposa.
Os brinquedos de criança são os berços, os bebés chorões e pouco mais.
A maternidade é pintada com riscos cor de rosa, com cheiros doces e com sorrisos meigos. Mas todos sabemos que existem vários lados num dado; que o jogo não se faz nunca e só quando sai o 6!
Hoje lembro-me também do dia em que tive o primeiro choque de realidade: a minha irmã em trabalho de parto um dia inteiro. Eu com 16 anos, sabia tudo o que eram os mecanismos físicos da maternidade mas nunca tinha visto a imagem da mãe pura e dura! Uma mulher, que aparece numa maca com um sorriso e um bebé mas que parece que não é a mesma que lá deixámos horas antes. Uma mulher que no dia seguinte quando visitamos está ainda a mover-se com a dificuldade das dores do parto. E depois o resto. Tudo o resto que vemos mas que é só a ponta do iceberg do que aquela mulher poderá estar a sentir.
A Susana (Ser super mãe é uma treta) escreveu um livro que norteia por ser verdadeiro! A verdade é a da Susana, que não pretende pôr em causa os unicórnios das mães que assim encaram os partos mas mostrar que a palete de cores é muito mais do que o que se pinta; que não, uma mãe não deixa de ser mulher. Que uma mãe continua a fazer desporto depois de parir, nem que seja na ginástica orçamental. Que o que importa não é nem o quadro de mérito das mães nem o dos filhos porque ao fim ao cabo as nossas são sempre as melhores mães do mundo e, como diz a minha, façam o que fizerem, os filhos nunca cheiram mal aos pais.
E eu sinto-me bem após ler este livro de penalti porque a culpa está, na maior parte da vezes, nos olhos de quem vê e de quem acusa: porque cada mãe escolhe o melhor para o seu filho e no fim até pode não ser mas cada mãe também tem o direito à errar. A perfeição na minha mãe está exactamente em cada momento que a vi mostrar que também ela erra.
E porque este livro é também um grito de Ipiranga para as que, como eu, se sentem bem fora da maternidade mas que continuam a ser diariamente interpeladas: Porque vais para tia, porque já não és nova...
Usando a meu favor uma frase dita pela Susana, peço a todos os que olham para cada mulher com vontade de fazer algum comentário, pergunta ou sugestão na área da maternidade que pensem: "ela pediu-me opinião?" E como na maior parte das vezes eu (e as outras mulheres não a pedimos) podem remeter-se ao silêncio.
Se ainda assim acharem pertinente falar sobre quando penso em ter filhos, estejam à vontade! Também eu tenho algumas perguntas e curiosidades a fazer sobre a vossa vida sexual!
Tirando brincadeiras - nunca ninguém sabe as lutas e os dragões que as princesas que ficaram nos castelos tiveram de enfrentar por isso não se limitem a escrever contos de fadas!