Leitores delicados acharão, talvez, essa história um tanto dura e violenta. Têm razão. Apenas quero lembrar-lhes ser mister, na reprodução de cenas rudes, usar de termos correspondentes à realidade. Não se pintam quadros de guerra em tons ame-nos e pálidos, mas de maneira persuasiva e forte. A linguagem predileta de Lutero pode ser qualificada, furiosa e desenfreada, apelando a cada passo para o demo, com que ele assegurou possuir relações estreitas. Não convinha modificar esse seu modo de falar, sob pena de alterar-se a fisionomia do autor. Católicos e protestantes deverão ler atentamente este livro. Para os primeiros ele será um relâmpago e para os segundos, um trovão. O relâmpago projeta claridade, o trovão faz tremer os mais valentes. Precisam os católicos de luz, para se precaverem contra o erro protestante; os protestantes necessitam de trovão, para acordarem do sono dos seus ensinos falhos. Apesar de sua forma popular, este livro é um verdadeiro estudo, com argumentos sólidos, certos, tendo por mira somente mostrar a verdade. O protestantismo, ao contrário, firma-se exclusivamente na ignorância da dou-trina católica. Aí está porque os pastores protestantes proíbem com tanto rigor aos seus adeptos a leitura dos livros católicos, sabendo que a verdade, neles exposta, é bastante clara e contagiante para uma alma reta à procura da luz. Possa esse volume tornar conhecida esta verdade que com tanto fulgor se irradia da Igreja, luzeiro divino, em face da qual aparecem as falsidades do pretenso reformador e de suas multiformes denominações sectárias. A Igreja Católica é o pleno dia da verdade; as seitas protestantes são a noite trevosa dos erros. Mostrar essa luz, este dia, esta escuridão, salientan
Um livro extremamente carregado de ódio ao protestantismo. Imparcialidade inexistente. Mesmo em suas fontes, que o querido autor diz serem todas fontes protestantes, nenhuma deixa de ser enviesada. Porém, o livro me ajudou muito a perceber a dinâmica entre a Igreja e os protestantes durante a época da “Reforma”, a qual o autor mesmo intitula de “Deforma” várias vezes no decorrer do livro. Eu prefiro o termo “Revolução”. Quem quer reformar sua casa não a larga e compra outro terreno e começa a construir uma casa nova. Quem reforma uma casa fica com ela e aos poucos vai cuidando e inovando ela. Resumo aqui o livro com uma das poucas fontes que gostei, por ser leve e caridosa, diferente das demais que são simplesmente puro ódio. A frase de autoria do pastor anglicano Edmonds, reitor de Whrittington: “(O protestantismo) Conheceu um belo número de adeptos nobres, impossível, porém eternamente viver dum protesto. A religião protestante é religião parcial, favorecendo a parcialidade. Só a religião católica, que é uma religião total, isto é, do todo e não apenas da parte, satisfaz plenamente às necessidades espirituais dos homens de todos os tempos e de todos os países.”