Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.
Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.
Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior... e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.
Felipe Castilho é autor da saga O Legado Folclórico, formada pelos livros Ouro, Fogo & Megabytes (Gutenberg, 2012), Prata, Terra & Lua Cheia (2013) e Ferro, Água & Escuridão (2015). A sua fantasia Ordem Vermelha: Filhos da Degradação (Intrínseca, 2017) chegou às listas de Mais Vendidos em 2018. É autor da antologia de contos do audiolivro Futuros Malfeitos, Pretéritos Imperfeitos (Tocalivros, 2018), e recentemente publicou seu quinto romance, Serpentário (Intrínseca, 2019).
Entre suas obras em quadrinhos, Felipe escreveu o "steamfantasy" Desafiadores do Destino: disputa por controle (AVEC, 2018) e Savana de Pedra (2016), obra finalista do Prêmio Jabuti de Histórias em Quadrinhos.
Eu não vou dizer que entendi tudo, pois seria uma mentira, nem que não pretendo reler tudo para entender direito o que aconteceu, porque também seria uma mentira.
Esse é um livro que me pegou de surpresa. Esperava um suspense simples, talvez com uma pegada de terror e só. Eu recebi várias narrativas que se conectam das formas mais inimagináveis (porém lógicas dentro da trama) e muitas perguntas. Em geral, curti MUITO a experiência.
O Felipe constrói personagens complexos, dramas intensos e lugares sinistros com excelência. Essa história é do tipo que só uma pessoa conseguiria contar da forma que foi contada, e ele é a pessoa certa para isso.
Apesar de ainda ter questionamentos (o que para mim não é um problema), eu indico MUITO esse livro. Se conseguir, releio ainda esse ano porque agora sei no que prestar atenção.
Personagens interessantes e tridimensionais, uma atmosfera especial (It, a Coisa + Oxenfree + família passando ano novo na praia) e algumas experimentações na forma muito interessantes. Eu gosto bastante de tudo o que o Castilho escreveu, mas nesse livro ele tá em sua melhor forma.
Esse livro tinha tudo pra ser bom, realmente não entendo pq o autor quis seguir por esse caminho. Não tinha ngm pra avisar? Decepção do ano.
O livro deixa lacunas enormes, eu terminei o livro cheia de perguntas que me parece que o autor nem fez questão em responder durante a narrativa. Ele colocou vários elementos e se perdeu. Além de que eu fiquei esperando o grande plot twist e dei de cara com um desfecho, nada a ver com nada, mal trabalhado e ainda racista.
Pra explicar o motivo do racista eu vou ter que falar alguns spoilers, então se você não gosta de spoilers pare por aqui.
Bom pra começar é nos dito logo na sinopse que um menino morre e é isso. Quando vamos para o livro descobrimos que quem morre é Paulo e dentre os 4 adolescentes ele é o único negro, algo frisado pelo autor. Paulo mora na ilha que os outros 3 branquelos vem passar as férias e só assim, eles se reúnem. Durante o livro você vai descobrir como Paulo foi deixado para morrer pelos ditos amigos, pq eles não teriam o que explicar !! Pra não ser injusta kk tem uma personagem que ainda se compadece e tenta salvar o amigo, mas fracassa. Só que tcharam Paulo não morreu e tá de volta e tá agora os 3 com o cu no ponto achando que ele quer vingança. E certo ele se quisesse, mas o que temos eh um Paulo submisso, que perdoa os amigos branquelos, mesmo com toda uma fixação bizarra com as cobras que são um elemento crucial na sua suposta morte. Como disse né, o autor não explicou porra nenhuma. E como pouca merda não existe, tem esse seguinte trecho no livro:
“E você não será esquecido de imediato, Wainer. Ironicamente, houve uma época no Brasil em que escravos levaram o sobrenome do senhorio... Era uma maneira de apagar a história deles, e era uma maneira se manter o controle...
— Selvagens! – gritou Wainer.
Paulo fez sinal de silêncio para ele, enquanto o homem se encolhia, o olhar pouco acima de sua cabeça. — Eu vou manter o Heinz por um tempo, seu Magnus. E farei coisas incríveis com ele, abrirei todas as portas que me foram fechadas só porque nasci como sou. E alguém vai contar essa história, a minha história, e a sua história. Para a sua vergonha.”
Tiro o apagamento histórico, deixando só o apagamento histórico. Para esclarecer, para quem não leu, Wainer era o patrão nazista da mãe de Paulo, que trabalhou na casa por 10 anos. E é isso, o final do livro é uma bela de uma bosta, tudo se resolve como passe de mágica e mais uma vez nada é esclarecido. Isso foi Serpentário, pessoal!
tinha dado 4 estrelas logo depois de ler, mas fecho em 5 agora ♥️ um dos melhores livros do ano, com forte inspiração Lovecraftiana que deixa de lado tudo que empobrece a narrativa dos Antigos originais. delicioso, viciante, assustador, de deixar a cabeça um pouco quebrada depois de ler. e também um documento do Brasil de 2018/2019. LEIAM.
4,5/5 Eu sou uma pessoa bem falha quando se trata de ler livros nacionais, mas estou remediando isso. E não poderia ficar mais feliz por ter um livro de um autor brasileiro como um dos meus favoritos do ano até agora. Serpentário tem tudo o que você está acostumado a ver em obras estrangeiras, mas o conforto e a familiaridade causados pelas suas inúmeras referências a assuntos que só quem vive dentro da nossa cultura sabe reconhecer, faz com que essa obra se eleve ainda mais na minha estima. A história não se importa em alternar três narrativas diferentes. Não é tão confuso quanto parece, afinal. Mesmo que algumas coisas tenham permanecido sem explicação (motivo pelo qual tirei meia estrela da minha avaliação). Os personagens são muito bem construídos, com dramas palpáveis e reais, e extremamente carismáticos, por mais que seja impossível defendê-los, às vezes (alô, Hélio). Eu disse várias vezes durante a leitura que adoraria ver uma obra audiovisual sobre essa história, e essa continua sendo a minha opinião final. O Feipe Castilho é foda e espero ler mais coisas dele daqui pra frente.
Um grupo de amigos compartilha um trauma e um enorme arrependimento após um passeio na misteriosa ilha das cobras. Anos mais tarde, eles se reencontram para tirar tudo a limpo ao retornar a ilha. Além da habilidade de uma narrativa não linear, que intercala o passado e o presente dos personagens de forma muito precisa, também temos uma ambientação que colabora de forma brilhante para o que seria o movimento fantasista: referências e ambientação brasileiras, representatividade, elementos fantásticos/insólitos. A narração sarcástica e às vezes bem-humorada é um bom contraponto ao suspense da trama, que muito rápido faz tudo ficar sombrio. Os personagens são muito bem construídos, cada um tem os seus medos e limitações de caráter, além de uma história própria tão bem construída que faz as cenas mais dramáticas ganharem significado, até mesmo quando protagonizadas por algum personagem mais dúbio. Além de tudo tem o subtexto, que é onde o livro faz ainda mais bonito, uma mensagem interessante sobre a classe média que está cheia de salvadores brancos que adoram discursar bonito em público, mas que na hora da verdade acham natural largar a mão das minorias. Serpentário, ao lado de Ordem Vermelha, é mais um livro de Castilho onde a qualidade literária se alia ao entretenimento sem ter medo de se posicionar. Porque algumas coisas precisam sim ser sutis, mas outras não.
No começo eu pensei que fosse uma fábula da Bíblia, como mãe do Aronofsky, onde as cobras representavam todo o pecado daquelas crianças, mas depois foi desenvolvendo pra uma trama que deixou minha cabeça mais perdida que outra coisa. As partes finais sobre os alemãs, mds. EU NÃO ENTENDI NADA !!!!
CARALHOOO! Que livro. Que jornada. Que TUDOOO! Posso não ter entendido muita coisa, mas amei cada segundo. Narrativa impecável e história super interessante que te prende do começo ao fim.
Sabe quando você tem um daqueles pesadelos que são super vívidos, que enquanto tudo ta acontecendo faz super sentido mas depois que você acorda fica tentando entender o que houve e nada se encaixa direito mas ainda te dá um medo e uma angústia? Então, é esse livro! Eu tava angustiada o livro todo e se me perguntarem da história eu nem sei explicar! Dito isso, achei ótimo 😆 um pesadelo total, 10/10 👍
Serpentário é uma daquelas leituras que você tem que ir sem saber nada sobre, sério. São tantas questões e camadas que é difícil resumir a história de uma forma. Talvez, linearmente, uma forma de explicar seria sobre 4 amigos que, quando adolescentes, tiveram um incidente na ilha das Cobras que os marcou e isso vai fazer com que eles se reconectem anos no futuro. Mas o livro vai tão além disso!
A escrita do Felipe é fantástica, mesmo! Eu ficava vidrado, as páginas passando e passando e eu simplesmente não sentia, de tão absorto que tava na história. Eu queria saber as soluções pro mistério (que é muito bem conduzido até o final) ao mesmo tempo que me impressionava com o tanto de metáforas!
As metáforas são um ponto fortíssimo do livro! A genialidade da história tá em utilizar um enredo de terror pra agregar muitas outras camadas que se conectam de alguma forma! A situação político-social brasileira atual, um vislumbre distópico, problemáticas religiosas, questões sociais, discursos totalitários, o amadurecimento do ser humano...tudo isso é bem amarrado dentro de um enredo de terror bem construído, com um bom mistério, doses de aventura e uma construção brilhante de personagem!
Eu adorei cada uma das personalidades aqui, sério. A evolução de cada um, o retrato adolescente em contraponto com a atualidade adulta (inclusive o recurso de transitar entre o passado e o presente foi brilhantemente usado), o modo como cada um tinha uma problemática e uma solução...enfim, eu amei muito cada um! Mesmo com todos os seus defeitos e problemas! É genial o modo como as personalidades foram combinadas e evoluíram juntas.
Serpentário é, sem dúvidas, um primor da literatura fantástica brasileira! Uma escrita bem feita, enredo bem amarrado, camadas diversas bem colocadas e contemporâneas, personagens cativantes e que evoluem... Enfim, é sem dúvida um livro que eu recomendo muito!
Atsmoférico, assustador e fantástico. O Felipe cria aqui uma narrativa que vai e volta, vai e volta, como uma serpente engolindo a si mesma. Os personagens são ótimos, e as perguntas ao longo da narrativa são muitas (e nem todas tem uma resposta).
Como a minha opinião em cada parte desse livro foi muito diferente eu preferi dividir tudo kkkkkk
O livro conta sobre a volta de um grupo de amigos para o litoral, onde passaram juntos por um trauma em 1999. Cada capítulo é dividido em 3 partes: Hoje, Antes e um trecho de uma história paralela, atemporal, que se conecta com tudo de alguma forma. Tem todo um suspense envolvendo o trauma, e é isso que segura a leitura, já que a narração é lenta e repetitiva. 4 estrelas pra esse começo.
A partir de uns 30%, quando a gente começa a achar que ta entendendo a história (spoiler: não ta, no bom sentido), tudo engata muito rápido e meu deus, fica MUITO BOM. Suspense, terror, reviravoltas, passado e presente tudo misturado. A narrativa muuuuito bem feita, com recursos linguísticos super criativos e várias referências externas que me fizeram pesquisar e ir além da história que tava escrita ali. 5 estrelas brilhantes.
Vi muitas críticas ao final, mas eu achei que o Felipe Castilho fechou todas as pontas necessárias. Gosto de ter espaço na história pra especular o que aconteceu. Só achei essas pontas foram fechadas muito rápidas (um parágrafo pra cada? as vezes nem precisava). 4,5 estrelas.
Agora, uma parte chave do livro. O início tem vários monólogos da Carol sobre questões raciais, bem rasos, e ao longo do enredo é usada a mesma narrativa racista que vem sendo escrita a séculos. Achei hipócrita, e me deu um nó na garganta. Toda hora aparecia o meme do “Acho que o twitter vai gostar”na minha cabeça kk.
Eu gostei bastante desse livro. Um ótimo conhecimento de mundo, simbologia, referências... Fiquei levemente confusa com o final, mas ok. Quanta cobra nesse mundo né. Não indico pra quem tem fobia. Eu mesmo fiquei meio assustada e tive que parar de ler
Em 1913, quando Stravinsky estreou A Sagração da Primavera, levando em consideração o contexto, até entende-se a reação escandalosa da plateia. Temática, música, narrativa, tudo era muito diferente do que se fazia. Pô, ainda hoje o ballet transborda ousadia e é uma das minhas peças favoritas.
Eu faço essa analogia toda torta e pessoal porque Serpentário me trouxe exatamente essa sensação: ousado e vivo.
Não vou falar da história, uma pra não ter spoiler, outra porque, apesar de ser fantástica, o grande trunfo do Castilho aqui foi no modo de contá-la. Minha maior reclamação em histórias de fantasia, horror, seja lá o que for, é o excesso de informações e descrições ou até diálogos expositivos, nem é tanto o infodump (apesar de ele ser péssimo), digo mais pelo engessamento. A magia da literatura, para mim, é conseguir criar um vínculo empático do leitor com o texto, conseguir inseri-lo na história com todas as suas subjetividades e acabar tendo parte de si lá, as vezes nem conseguindo separar. Há meios diferentes para fazê-lo, e aqui o autor acertou lindamente e precisamente.
A história não é contada de forma linear, parece algo mais circular, que serpenteia (;p) pela história apresentando alguns pontos esparços e separados, algumas vezes sem nenhuma conexão aparente. As vezes um interlúdio em fonte diferente aqui, um flashback ali, e vamos conhecendo as personagens, os dramas, nós mesmos. É difícil perceber o que está acontecendo, aproveitar a leitura e absorver o que o Felipe apresenta pouco a pouco é muito melhor, como um maestro ele vai apontando e desencadeando os crescendos e ritornelos que tornam o modo de contar a história de forma única.
Além disso, a narrativa é muito aberta, as explicações ficam no ponto hesitante entre o claro e o vago, onde vamos deduzindo e colocando nossas impressões na história, preenchendo e substituindo quando vem uma informação nova. Nós acabamos nos envolvendo de uma forma profunda com as personagens, reconhecendo nossas intimidades e limitações nas deles e ampliando cada fato e pessoa com elementos nossos, nos colocando dentro da história.
Na segunda metade é que começamos a perceber o caminho da peça, quando os círculos vão se fechando, nomes são dados, alguns fatos apresentados e começamos a perceber que tipo de quebra-cabeça estamos montando.
Com críticas ácidas à sociedade, governo, egoísmos e preconceitos, Castilho traz uma obra que transcende o gênero e consegue fazer o leitor se inclinar tanto ao livro a ponto de cair do outro lado e ficar lá e cá. Um livro que não subestima o leitor, não segura na mão dele e nem se preocupa muito em satisfazê-lo, e é aí que ele consegue fazê-lo de forma natural e plena.
Li com um sorriso em boa parte do livro, que no final quase me deu câimbra, pela satisfação da narrativa e pela coragem do autor.
Brilha muito, seu Castilho, segue cativando e sendo foda.
3,5 Eu queria ter AMADO esse livro mas, infelizmente, não aconteceu... Mas acho que o problema é comigo mesmo. Eu DETESTO quando a história acaba e as coisas não foram bem explicadas, eu gosto de SABER das coisas (!) mas esse livro não me deixou saber de NADA!!! Fui lendo o livro é pensando, “Ok, está tudo uma loucura agora mas no final vai ter AQUELE plot twist, vou ter várias descobertas, ficar de queixo caído etc etc” mas aí eu fui chegando ao final do livro e nada dessa expectativa se materializar, aí o livro acabou e eu fiquei tipo: “AFF, ACONTECE UM MONTE DE COISA DOIDA E NO FINAL NADA VAI FAZER SENTIDO MESMO?!”. Óbvio que dizer que nada fez sentido é um exagero, mas a fixação com as cobras, o vilão(?) do livro as ligações entre as diferentes histórias em diferentes tempos nem se explicaram muito menos se justificaram, talvez eu que não conheça todas as referências que deram origem ao livro mas esse homem/cobra + ilha misteriosa não fez sentido nenhum pra mim... Terminei o livro com um sentimento de promessa não cumprida. Afinal, o que aconteceu com a Carol no final??? Boiei??? Depois de um monte de coisa doida, de repente, tudo se resolve e todos os personagens dão a “volta por cima”, superam todos os seus traumas e defeitos, aí tudo da magicamente certo assim como tinha dado magicamente errado?? Não aceitei muito bem a falta de explicações e justificativas, assim como os personagens. Não consegui me apegar a nenhum deles (inclusive os achei bem detestáveis na maior parte do tempo), passei algumas partes do livro achando que o Paulo seria o vilão, aí no final ele é quase um santo que perdoa tudo e todos??? Achei ele bem superficial... Sei que o livro é uma ficção especulativa mas os personagens e alguns acontecimentos simplesmente me pareceram injustificados e até desnecessários... Talvez esse não seja meu tipo de livro. Esse foi o primeiro livro do Felipe que eu li e, embora não tenha gostado muito, ainda quero ler outros livros dele, principalmente os d’O legado folclórico. P.S.: Já ia me esquecendo de elogiar a escrita do Felipe que, embora tenha pesado um pouco a mão nas referências e comparações, é muito boa assim como o projeto gráfico muitíssimo interessante e bem executado do livro como um todo! O livro é LINDO por fora e por dentro, parabéns aos envolvidos!
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Ok, depois de refletir um tanto decidi vir aqui fazer minha avaliação de Serpentário, simplesmente porque acho que ele é um livro incrível do qual todo mundo se beneficiaria lendo. Primeiramente, a narrativa dele é extremamente envolvente, de forma que foi difícil colocar o livro de lado enquanto estava lendo. Em segundo lugar, esse livro situa de maneira simbólica e também mais explícita o contexto atual brasileiro, nos deixando um forte alerta de um futuro nada improvável. Aliás, ser realmente brasileiro é outro dos pontos fortíssimos do livro, que passa longe de ser uma narrativa que parece copiada e colada dos moldes do YA americano. Após terminar de ler esse livro, passei um tempo me questionando acerca da história, tentando entender melhor e preencher lacunas. Sinto que isso nunca será totalmente possivel, e que uma aura de mistério sempre fará parte, como nos bons livros de terror. Apesar disso, senti que a narrativa tem muito a dizer sobre responsabilidade e culpa, sobre como a nossa história nos constrói e como podemos nos libertar ou não, tudo isso de forma política, histórica e socialmente situadas. Não será hoje que terei uma compreensão completa dessa obra criada por Felipe Castilho, mas estou feliz de deixar ela crescer em mim.
O que funcionou para as outras pessoas, não funcionou para mim. Eu gostei da amizade dos 4 e da profundidade dos personagens e seus traumas, mas acho que não gostei de todo o resto. A história toma caminhos esquisitos, deixa perguntas sem resposta e termina de forma apressada e sem graça. E a quantidade de citações de cultura pop é tanta e tão desnecessária, parecia que os personagens não conseguiam pensar sem se lembrar de alguma coisa óbvia dos anos 90, que aflição! Enfim, algumas partes do desenrolar me prenderam, mas no geral eu não achei tudo isso.
eu não sei o que PENSAR desse livro, é uma sensação de que eu não entendi NADA mas ainda assim eu amei demais ter minha cabeça completamente BUGADA por essa história
Pelo estilo, alguns temas, e pelo fato de ser uma leitura fluida e que prende eu queria mesmo ter dado 5 estrelas para Serpentário. Então é o seguinte. O meu único (e contundente) ponto para negar as 5 estrelas e colocar 3 é RACISMO. Vou de elogios primeiro e no final explico onde o Castilho errou feio.
Eu gostei do jeito que construiu suspense, do jeito que conseguiu nos aproximar dos personagens e, principalmente, das páginas datilografadas (que depois descobri do que se tratam e quem escreveu). Tenho certeza de que a Alice é algo que aconteceria no futuro, no início daquela "Nova Era" que começou no final de 2018. Então é bem escrito, é bem legal mesmo. E shippei a Mariana e Carol desde o momento do toca-fitas.
Ah.... o Dr. Honorato não deveria ser denunciado ao CRP só por causa da conduta na "terapia" não. Aquele anúncio fere o Código de Ética da Psicologia. Mas.... Eu não curto a abordagem da Dra. Monique e muito menos isso de ficar usando o título "Dr." (mesmo eles tendo doutorado, o que permite o uso do título). E sim.... Eu entendi que o Honorato é, na verdade, .
O lance das lacunas foi daora.
AGORA O RACISMO.
Primeiramente, indígenas e elementos de cultura indígena foram utilizados para dar o tom "macabro" para a história. Isso não foi NEM UM POUCO LEGAL. Acredito que indígenas se sentiriam extremamente ofendidos ao ler "Serpentário". Segundo por causa do Paulo, o "caiçara". Bem conveniente o personagem a ser deixado para a morte e o caramba a quatro ser o único negro dessa história (ah, tem a mãe dele também, né?). E deu pra ver que o Castilho tentou fazer uma crítica às estruturas racistas, ao apagamento histórico que rolou aqui no Brasil, incutir consciência de classe e raça nos personagens brancos e ricos, mas... Não funcionou. Como um outro review deixado aqui explicou, "tirou o apagamento histórico deixando apenas o apagamento histórico". E isso do Paulo ser coach, "método VIPer"... Não sei como me sinto em relação a isso também. Mas esses detalhes estragaram boa parte da minha experiência de leitura.
Não to aqui para criar treta e nem cancelar o Felipe Castilho. Mas espero muito que ninguém passe pano para esse tipo de coisa porque, com o tempo, precisamos melhorar.
No final de 2018 Carol combina de reencontrar com seus amigos que não vê há 19 anos, Hélio e Mariana, pois todos se culpam pelo que ocorreu no Réveillon de 1999 com Paulo na Ilha das Cobras. Será que eles têm chance de recuperar algo do que foi perdido naquele dia? Mas o que exatamente aconteceu?
Esse é meu primeiro contato com a obra do Castilho, apesar de acompanhar mais ou menos a sua carreira, e já o ter ouvido em vários podcasts por aí. E gostei bastante do que li. Serpentário é uma obra estilisticamente madura, com a narrativa entrecortada por trechos do passado e cenas aparentemente desconexas que vão se alternando com os dias de hoje. Essa decisão permite que o leitor vá juntando as peças do quebra-cabeça do passado em paralelo com os acontecimentos do presente, ao passo que começa a entender os trechos dos finais dos capítulos, e cabe a nós encaixar todas as peças do quebra-cabeças.
Os quatro personagens de destaque são interessantes cada um a seu modo. Eu amo a Mariana adolescente e odeio a adulta. Detesto o Helio e gosto da Carol em ambas as idades. Mas todas as atitudes deles têm sua razão de ser. Talvez a catarse final dessa amizade tenha ocorrido de forma um pouco apressada, e eu não senti tão bem que o não dito ficou resolvido.
A trama em si tem uma pegada sobrenatural, com bons toques de horror e até uma ou outra cena gore, mas gosto como o Felipe mistura mitos e referências, joga aquela pitada de nazismo e um pouco de cristianismo e gera esse caldo encorpado que dá forma ao mistério da história. Novamente, a resolução me pareceu simples, especialmente no que diz respeito ao Paulo, mas até que funcionou.
Serpentário concentra bons personagens e uma estrutura complexa que ajuda a compor uma atmosfera de constante tensão e a despertar a ânsia do leitor para saber o que vai acontecer. É uma obra sólida e bem escrita, merecedora de todas as honrarias que vem recebendo.
fique mega interessada na historia desde o inicio, e apesar de ter muitos simbolismos e alegorias, acho que só acrescentaram ao livro. não conhecia todos, e sinto que se conhecesse poderia ter aproveitado mais, mas não saber não diminuiu minha experiência, da pra ter uma ideia.
o livro é bem mais sobre a mensagem que ele quer passar e as críticas que quer fazer do que sobre o enredo em si. acho que faltou um pouco mais de aprofundamento nas criticas, que ficaram meio rasas em alguns casos.
e decepcionada com o final. senti que o livro construiu toda essa expectativa pras respostas do mistério, e foi bem corrido e anticlimático. o autor não da quase nenhuma resposta , e é legal refletir e chegar as próprias conclusões, mas acho que podia ter finalizado dando um pouco mais de informação. sem contar que tiveram varias cenas soltas que pra mim não acrescentaram nada, mas pode ser que eu não tenha entendido kkkkkk
acho que numa releitura, e talvez lendo uma analise falando um pouco mais das referências, aproveite mais.