Espetacular. Tremendamente humanista, recheado de uma moral que lança luz sobre os pobres e oprimidos, mas, no lugar de cair no perigoso vão das coisas rasas, "Em Má Companhia" surpreende por vários motivos. Primeiro, a capacidade sombria de transmutação de objetos e domínio completo do ritmo. A capela abandonada tem olhos, a montanha tem seu próprio temperamento e a estátua de abandonada de Jesus é revelada, inicialmente, como se fosse uma coisa outra. Em certos aspectos, me lembra muito a forma como Zola transformava o recorrente trem em "A Besta Humana" em uma criatura fantástica. Em segundo lugar, as camadas emocionais de cada cena também me surpreenderam. A forma como ele complexifica, em poucas páginas, a relação entre pai e filho, marcada por uma tragédia, mas também silenciada por todas as coisas sentidas, mas não ditas, me tocou profundamente. A história central e a relação do menino com aqueles que compõem as "más companhias" poderia, sim, cair simplesmente no moralismo barato, mas suas características e a humanidade que ele confere a cada personagem atravessa muito bem essa corda-bamba. Uma feliz descoberta para 2025.