O romance entre d. Pedro I e a marquesa de Santos e as mensagens trocadas entre os amantes
A obra que marcou a estreia editorial do escritor e pesquisador Paulo Rezzutti chega em nova edição à série A história não contada, da qual fazem parte os aclamados D. Pedro, D. Leopoldina, Mulheres do Brasil e o novíssimo D. Pedro II, todos assinados pelo autor. Titília e o Demonão reconta a história de amor e paixão protagonizada por d. Pedro I e sua amante mais famosa, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos. Para narrar a história não contada da relação dos dois, Rezzutti recorreu às cartas trocadas entre eles de 1823 a 1829. O imperador assinava suas mensagens como “O Demonão”, e Domitila era tratada por ele como “Nhá Titília”. Transcritos, contextualizados e comentados num texto que combina leveza e profundo conhecimento de História, os escritos, encontrados por Rezzutti num arquivo nos Estados Unidos, após terem sido considerados perdidos por quase dois séculos, revelam aspectos surpreendentes da vida amorosa do imperador e da marquesa de Santos e iluminam a vida cotidiana durante o Primeiro Reinado.
Em 2010, durante pesquisas documentais para a biografia da Marquesa de Santos, Paulo Rezzutti encontrou no arquivo histórico da Hispanic Society of America em Nova York 94 cartas inéditas do imperador D. Pedro I para sua amante Domitila de Castro do Canto e Melo, a Marquesa de Santos. Em 2011, organizou a obra Titília e o Demonão, cartas inéditas de D. Pedro I à Marquesa de Santos, publicado pela Geração Editorial.
Prosseguindo seus estudos sobre a Marquesa de Santos, publicou em 2013 a obra Domitila, a Verdadeira História da Marquesa de Santos finalista, na categoria biografia do Prêmio Jabuti de 2014 e do 2º Prêmio Brasília de Literatura de 2014. Em setembro de 2015, lançou pela editora LeYa a obra D. Pedro, a história não contada. A obra foi vencedora, na categoria biografia, do 58º Prêmio Jabuti de Literatura, em 2016.
Em 2012, devido aos seus conhecimentos a respeito da família imperial brasileira, participou como consultor do trabalho da arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, que estudou os remanescentes humanos dos primeiros imperadores do Brasil sepultados na Cripta Imperial do Monumento à Independência, em São Paulo. Como arquiteto, Rezzutti foi o responsável técnico pelo trabalho de retirada do esquife da Imperatriz D. Amélia, que se encontrava emparedado no local.
É autor de diversos artigos a respeito da história do Primeiro Reinado e seus personagens, bem como a respeito de História de São Paulo. É colaborador da Revista Aventuras na História, Revista de História da Biblioteca Nacional, Revista Carta Fundamental, Revista História Viva, entre outras.
Em 9 de julho de 2012, tomou posse como membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e, em dezembro de 2015, foi nomeado membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes.
Tenho que admitir que d. Pedro I foi uma grande figura. Nunca havia levado tão a sério sua história até ler este livro. Bem, talvez não tenha sido o melhor livro para o conhecer mais detalhadamente, mas a obra teve seu grande mérito em mostrar trechos importantes da história do primeiro reinado sob a ótica novelesca (no melhor estilo mexicano) das diversas cartas inéditas enviadas pelo imperador à sua tão conhecida amante, a marquesa de Santos, Domitila de Castro.
Titília e o Demonão é um grande feito do escritor e pesquisador Paulo Rezzutti. Resumindo, ele conseguiu rastrear e organizar, de forma muito criteriosa, diversas cartas que mostram vários eventos do dia-a-dia do romance de 7 anos do imperador Demonão e sua amada Titília. Essas missivas revelam as intimidades do casal enquanto mostram, por dentro do palco da história, alguns dos principais fatos que marcaram o período do regente no recém formado Império do Brasil.
As cartas, obviamente, são um show à parte! Foi divertidíssimo e muito agradável (embora difícil muitas vezes) lê-las, destacar trechos excelentes, aprender várias novas palavras. Para os amantes da língua portuguesa, o livro é um prato cheio, inclusive por mostrar como era o português falado/escrito à época e quão rico.
Por falar em amantes, enquanto as lemos conhecemos como era a relação de gato e rato do casal. Conhecemos, em detalhes, seu amor (eles se amavam de verdade), mas também vimos como a relação era problemática, incluindo ataques de ciúmes e encenações do imperador pra tentar convencer a amante que era fiel! O cara tinha amante da amante! Belo de um FDP (que nem era tão belo assim)!
A parte negativa ficou com a estruturação do livro. Tenho que reconhecer e louvar o excelente trabalho de pesquisa do autor, mas, na minha modesta opinião, a estrutura do livro seria bem melhor e mais fluida se fosse tudo misturado, a narração dos fatos históricos, com as transcrições das cartas de d. Pedro I, com as cartas de Domitila no Anexo. Essa separação tornou a leitura um pouco travada por vezes e repetitiva por outras, além de não deixar tão clara assim a cronologia dos documentos como um todo.
Dou 5 estrelas pelo projeto de resgate de nossa história. Lendo as cartas me vi naquele cenário do século XIX. Me senti parte da corte imperial e tive uma pontinha de conhecimento do temperamento de nosso ilustríssimo imperador.
Tenho pra mim que D. Pedro I não mereceu as mulheres que teve - incluindo a Marquesa de Santos, que teve uma vida sofrida, desde o primeiro casamento aos 15 anos. Pode ter enriquecido a si e a família pelo relacionamento de sete anos com o importador, mas passou por poucas e boas - do distanciamento das filhas a humilhações e expulsão da corte. Definitivamente, Pedro é uma das figuras mais controversas deste Brasil.