A filosofia é privativa da cultura ocidental ou é uma criação do pensamento humano em geral? As culturas africanas e afrodiaspóricas são relevantes para o entendimento da filosofia? Existe filosofia africana e/ou filosofia afro-brasileira? Em caso afirmativo, como elas podem contribuir para o entendimento das relações étnico-raciais? Como o(a) professor(a) pode incluir a filosofia africana e a afrodiaspórica no currículo de Filosofia do ensino médio? Como formar um(a) professor(a) de Filosofia capaz de fazer essa conexão? Estas são algumas das questões que o professor Renato Noguera discute nesta obra, que contém roteiros de reflexão, referências a autores fundamentais e propostas curriculares práticas.
O livro trata de um assunto de suma importância e deve ser lido por qualquer um que se proponha a ser professor de filosofia, especialmente no Brasil. Mas achei que poderia ter sido feita uma abordagem mais pormenorizada e rica das suas propostas. Por vezes fica muito repetitivo, alem de citar autores diferentes a cada pagina sem dar muita atenção para nenhum deles de forma mais detalhada. O livro é curto mas mesmo assim foi repetitivo demais em afirmar algumas posições; repetições essas que poderiam ter sido poupadas com explicações mais detalhadas sobre a aplicação das ideias que essas posições demandam. E por mais que em dados momentos faltasse nuance na abordagem dos temas, não foram poucos os momentos em que o texto brilhou e trouxe conceitos realmente transformadores para a interpretação da filosofia ocidental, e especialmente pra quem esta acostumado com o universo acadêmico. Foi uma leitura bastante enriquecedora e que eu recomendo bastante, mas que tinha potencial pra ser bem melhor, devido à potencia do tema que se propõe a abordar. Talvez o mérito desse livro não esteja na redação e elaboração perfeita do que se pretende abordar mas no poder seminal da obra, que, pelo que sei, é a única até o momento que abordou de forma tão especifica e acessível o ensino de filosofia no ensino medio em afroperspectiva no Brasil. Enfim, a obra não é perfeita, mas é o melhor que temos até o momento para iniciarmos essa jornada de transformação epistêmica na educação básica, e nisso ela cumpre seu papel.