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O Tempo Adiado e Outros Poemas

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A austríaca Ingeborg Bachmann teria assistido às tropas nazistas marcharem pela sua cidade quando tinha apenas onze anos. A vulgaridade da linguagem do Reich e a desolação causada pela guerra marcaram sua produção. Neste volume com poemas selecionados e traduzidos por Claudia Cavalcanti (que também assina o posfácio), a obra da autora ressurge com toda sua força. Os poemas assombram pelas imagens inusitadas e por uma dicção que, embora pareça por vezes complexa, busca a pureza na representação tanto do mundo exterior quanto de aspectos da interioridade do ser humano. Bachmann parecia saber que a linguagem pode ser capaz de construir mundos. E também de aniquilá-los.

208 pages, Paperback

Published January 17, 2020

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About the author

Ingeborg Bachmann

185 books619 followers
“What actually is possible, however, is transformation. And the transformative effect that emanates from new works leads us to new perception, to a new feeling, new consciousness.” This sentence from Ingeborg Bachmann’s Frankfurt Lectures on Poetics (1959-60) can also be applied to her own self-consciousness as an author, and to the history of her reception. Whether in the form of lyric poetry, short prose, radio plays, libretti, lectures and essays or longer fiction, Bachmann’s œuvre had as its goal and effect “to draw people into the experiences of the writers,” into “new experiences of suffering.” (GuI 139-140). But it was especially her penetrating and artistically original representation of female subjectivity within male-dominated society that unleashed a new wave in the reception of her works.

Although Bachmann’s spectacular early fame derived from her lyric poetry (she received the prestigious Prize of the Gruppe 47 in 1954), she turned more and more towards prose during the 1950’s, having experienced severe doubts about the validity of poetic language. The stories in the collection Das dreißigste Jahr (The Thirtieth Year; 1961) typically present a sudden insight into the inadequacy of the world and its “orders” (e.g. of language, law, politics, or gender roles) and reveal a utopian longing for and effort to imagine a new and truer order. The two stories told from an explicitly female perspective, “Ein Schritt nach Gomorrha” (“A Step towards Gomorrah”) and “Undine geht” (“Undine Goes/Leaves”), are among the earliest feminist texts in postwar German-language literature. Undine accuses male humanity of having ruined not only her life as a woman but the world in general: “You monsters named Hans!” In her later prose (Malina 1971; Simultan 1972; and the posthumously published Der Fall Franza und Requiem für Fanny Goldmann) Bachmann was again ahead of her time, often employing experimental forms to portray women as they are damaged or even destroyed by patriarchal society, in this case modern Vienna. Here one sees how intertwined Bachmann’s preoccupation with female identity and patriarchy is with her diagnosis of the sickness of our age: “I’ve reflected about this question already: where does fascism begin? It doesn’t begin with the first bombs that were dropped…. It begins in relationships between people. Fascism lies at the root of the relationship between a man and a woman….”(GuI 144)

As the daughter of a teacher and a mother who hadn’t been allowed to go to university, Bachmann enjoyed the support and encouragement of both parents; after the war she studied philosophy, German literature and psychology in Innsbruck, Graz and Vienna. She wrote her doctoral dissertation (1950) on the critical reception of Heidegger, whose ideas she condemned as “a seduction … to German irrationality of thought” (GuI 137). From 1957 to 1963, the time of her troubled relationship with Swiss author Max Frisch, Bachmann alternated between Zurich and Rome. She rejected marriage as “an impossible institution. Impossible for a woman who works and thinks and wants something herself” (GuI 144).

From the end of 1965 on Bachmann resided in Rome. Despite her precarious health—she was addicted to pills for years following a faulty medical procedure—she traveled to Poland in 1973. She was just planning a move to Vienna when she died of complications following an accidental fire.

Joey Horsley

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Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,737 reviews
December 9, 2020
Depois de todo aquele Celan, nada mais justo do que embarcar em Ingeborg Bachmann e que primorosa essa edição da Todavia, embora seja apenas uma coletânea de seus poemas, as escolhar foram certeiras e ainda a tradutora Claudia Cavalcanti traz ainda um posfácio de dezenas de páginas nos situando sobre quem é Ingeborg no mundo das palavras e no real. Mas principalmente: a edição é bilingue e todo bom livro de poesia deveria ser bilingue.
Profile Image for Denise S..
112 reviews5 followers
January 10, 2022
assim como Orfeu, toco
a morte nas cordas da vida
e ante a beleza do mundo
e de teus olhos, que comandam o céu
só sei dizer o obscuro.
Profile Image for dieguito ‧₊˚✩ ₊˚⊹♡‧₊˚.
191 reviews20 followers
March 19, 2021
é estranha a incursão pelos poemas de ingeborg bachmann. por mais que sejam herméticos e difíceis de acessar num primeiro instante (como a literatura de língua alemã sempre me parece ser), há uma sensação de compreensão límpida dos versos — apesar de enigmáticos, você sente que os compreende.

aos poucos as imagens se repetem: a neve, o gelo, o frio, as florestas, a névoa, os bichos cautelosos, o mar cinzento, o desencanto. minha conexão veio pela estranha familiaridade com essas paisagens idílicas e primordialmente melancólicas, porém fascinantes.
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
May 30, 2020
Poesia bela, mas difícil e muitas vezes impenetrável. Adoro as imagens e a limpidez dos poemas, mas nem sempre tenho certeza de que sei do que se trata. É uma obra pra reler muitas vezes. Meu preferido: Uma espécie de perda, uma das coisas mais bonitas que já li sobre separação. "A campainha da porta era o alarme para a minha alegria". Doeu.
Profile Image for Lara.
72 reviews
January 21, 2022
Vem aí dias piores.
O tempo adiado até nova ordem
surge no horizonte.
Em breve deves amarrar os sapatos
e espantar os cães para os charcos.
Pois as vísceras dos peixes
esfriaram no vento.
A luz da anileira arde pobremente.
Teu olhar pressente a penumbra:
o tempo adiado até nova ordem
desponta no horizonte.

***

Deposita uma palavra
no vale de minha mudez
e ergue florestas nos dois lados,
para que minha boca
repouse à sombra.

***

O amor tem um triunfo e a morte também,
o tempo e o tempo depois.
Nós não temos.

Somente o afundar de astros ao nosso redor. Reflexo e silêncio.
Mas a canção sobre o pó depois
nos ultrapassará.

***

Sou cria dessa grande angústia do mundo,
que pende na paz e na alegria
como badaladas no correr do dia
e como a foice no campo maduro.

Sou quem Sempre-Pensa-na-Morte.

***

Tornar sustentável uma única frase,
resistir no assombro de palavras.

***

Disponível, próxima e imperdida restou, em meio às perdas, ela: a língua.

Ela, a língua, restou imperdida, sim, apesar de tudo. Mas então precisou atravessar suas próprias irrespostas, atravessar essa mudez terrível, atravessar toda a escuridão da fala carregada de morte.

Profile Image for Agnes.
176 reviews4 followers
April 3, 2022
{4,5}
Vêm aí dias piores.
O tempo adiado até nova ordem
surge no horizonte.
Em breve deves amarrar os sapatos
e espantar os cães para os charcos.
Pois as vísceras dos peixes
esfriaram no vento.
A luz da anileira arde pobremente.
Teu olhar pressente a penumbra:
o tempo adiado até nova ordem
desponta no horizonte.

Do outro lado afunda tua amada na areia,
lhe sobe pelo cabelo esvoaçante,
lhe corta a palavra,
lhe ordena silêncio,
lhe encontra mortal
e pronta para a despedida
depois de cada abraço.

Não olha para trás.
Amarra teus sapatos.
Espanta os cães.
Joga os peixes ao mar.
Anula a anileira!

Vêm aí dias piores.


e também

Nada mais vai chegar.

A primavera não virá mais.
Assim nos antecipam calendários milenares.

Mas também o verão — e tudo o que tem nomes tão bons
quanto "veraneio" —
nada mais vai chegar.

E não hás de chorar por isso,
diz a música.

Nada
mais
foi
dito.
Profile Image for Fellipe Fernandes.
224 reviews15 followers
June 6, 2021
O lugar de um leitor de poesia está sempre do lado da contemplação, ainda que colaborativa, da alma do poeta. Assim como, ao ouvirmos um relato de guerra, conseguimos ver tal guerra, mas jamais sabê-la como tal, o poema também não passa de uma janela através da qual entendemos a poesia, sem sabê-la propriamente. Os poemas da poeta austríaca trazem um olhar cru, doloroso, frio e, ainda assim, repleto de um desejo pelo próximo minuto, pelo próximo passo, ainda que esse minuto ou passo talvez seja a morte. Adiar o tempo, em alusão ao título da coletânea, é quase uma questão de sobrevivência, porque suspende-se aquilo que nós, enquanto sociedade, entendemos dele e passa-se, então, a uma vida regida pela metafísica do olhar poético. Não é do tipo de poesia mais fácil, mas certamente um tipo da que mais recupera ao leitor o seu lugar de contemplação daquilo que faz um poeta ser o que se é.
Profile Image for Mari Cestari.
55 reviews
August 27, 2025
não sei muito bem como avaliar um livro de poesia pra além do efeito emocional dele em mim. e, cara… estou completamente intrigada por bachmann. há algo de estéril e concreto em alguns de seus poemas, mas sempre trazendo imagens muito fortes, como o espelho de gelo. quando ela fala de amor, entretanto, é quando ela brilha pra mim. o poema “uma espécie de perda” mexeu profundamente comigo: “Não foste tu que perdi,/mas o mundo”. e, claro, o icônico verso de “sem delicadezas”: “Minha parte, que se perca”. foi o primeiro livro de poesia que li em muito tempo, por indicação da minha amiga muito chique e inteligente amanda. eu amei, de verdade.
Profile Image for Felipe Watanabe.
22 reviews
Read
July 12, 2025
achei um livro críptico, é quase cifrado. as notas finais da claudia cavalcanti nessa edicao em específico da todavia ajudaram bastante a elucidar algumas coisas. mas variou bastante entre "será que eu entendi isso mesmo" (muito frequente) e "obra prima inquestionável tesouro da humanidade" (o que também não era raro). bem legal
Profile Image for antônia.
140 reviews2 followers
January 16, 2023
3.5 – eu não sou inteligente o suficiente pra entender os poemas
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