O lugar de um leitor de poesia está sempre do lado da contemplação, ainda que colaborativa, da alma do poeta. Assim como, ao ouvirmos um relato de guerra, conseguimos ver tal guerra, mas jamais sabê-la como tal, o poema também não passa de uma janela através da qual entendemos a poesia, sem sabê-la propriamente. Os poemas da poeta austríaca trazem um olhar cru, doloroso, frio e, ainda assim, repleto de um desejo pelo próximo minuto, pelo próximo passo, ainda que esse minuto ou passo talvez seja a morte. Adiar o tempo, em alusão ao título da coletânea, é quase uma questão de sobrevivência, porque suspende-se aquilo que nós, enquanto sociedade, entendemos dele e passa-se, então, a uma vida regida pela metafísica do olhar poético. Não é do tipo de poesia mais fácil, mas certamente um tipo da que mais recupera ao leitor o seu lugar de contemplação daquilo que faz um poeta ser o que se é.