«Margem da Alegria» incide fundamentalmente sobre o romance lendário entre D. Pedro e D. Inês de Castro e inclui uma introdução desenvolvida por Fernando Guimarães. Uma obra de raízes românticas à qual não são alheias as influências do surrealismo.
RUY BELO nasceu a 27 de Fevereiro de 1933. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa, doutorou-se em Direito Canónico na Universidade São Tomás de Aquino, em Roma. Abandona a Opus Dei em 1961 e licencia-se em Filologia Românica, dedicando-se ao ensino. Foi Director-Geral do Ministério da Educação Nacional (1967-69), crítico literário, jornalista, fez numerosas traduções (por exemplo de Cendrars, Saint-Exupéry, Lorca e Borges) e ocupou o lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-77). Publicou: Aquele Grande Rio Eufrates (1961), Boca Bilingue (1966) País Possível (1973), Transporte no Tempo (1973), A Margem da Alegria (1974), Toda a Terra (1976) e Despeço-me da Terra da Alegria (1977). Entre outras obras destaca-se a colectânea de ensaios literários Na Senda da Poesia (1969). A sua obra poética encontra-se coligada em Todos os Poemas (2001). Foi condecorado pela Presidência da República, a título póstumo, com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1991.
Não é preciso ler Ruy Belo em voz alta para melhor sentirmos a música dos seus versos, mas é talvez assim que ela melhor se desprende e se liberta. Como as trovas dos cancioneiros medievais e os poemas épicos. Livro viciante, genial, sonoro. Parte do amor de Pedro I e Inês de Castro, tratado a partir dos factos e deixando de lado a mitificação romanceada dos séculos seguintes, para construir um longo texto pejado de pequenos (e não tão pequenos) poemas interiores ao poema, onde se fala do amor, da vida e da morte, da natureza, dos paisanos e se liga fragmentariamente o passado ao presente através de um olhar mergulhado no mundo medieval e pós-medieval. Livro obrigatório, fundamental em todos os sentidos, que não fica muito atrás do melhor Pessoa e parente não muito distante dos Lusíadas. Não são 5 estrelas, são 50.