Este livro é o quinto e último volume da sub-série Saga de Odin, da coleção Mitologia Nórdica, publicada pela RBA. Eu tomei a liberdade de ler os 5 volumes de seguida, como sendo um livro único, ignorando a ordem de leitura induzida pelas datas de publicação, e à posteriori, penso que a leitura destes livros ganhou com isso. Os livros encaixam muito bem uns nos outros e a história ganha profundidade ao ser contada como uma única história, ao invés de 5 sub-histórias.
O primeiro volume, Odin e os nove mundos, trata da criação do universo a partir do encontro do fogo e gelo primordiais, do aparecimento dos primeiros seres, do aparecimento de Odin, bem como da criação dos nove mundos e do seu preenchimento, cada um com os seus seres. É também neste volume que é dada a conhecer a Odin a profecia de Ragnarök, a destruição da Criação, e é este conhecimento que motivará as ações de Odin nos volumes seguintes.
No segundo volume, Odin contra os Vanir, Odin tenta aprender a arte da magia seid de modo a estar mais preparado para o Ragnarök. No entanto, esse intento falha, e como consequência, acaba por originar a primeira guerra da Criação, entre as duas linhagens de deuses, Aesir e Vanir.
Este volume, na minha opinião, é o mais fraco (dei-lhe apenas 3 estrelas). A personagem Gullveig, a quem Odin pede para que lhe ensine a magia seid, é retratada de uma forma muito superficial, não se percebendo as intenções por trás das suas acções, que acabam por ter consequências terríveis. E a guerra entre as linhagens de deuses não ajuda a tornar o livro interessante, pois as descrições das batalhas são muito aborrecidas.
Nos volumes seguintes, Odin continua os seus esforços a fim de conseguir obter todo o conhecimento que lhe permita evitar o Ragnarök. No terceiro volume, Odin e a fonte da sabedoria, procura obter acesso à Fonte da Sabedoria, enquanto no quarto volume, tenta aprofundar os seus conhecimentos da magia seid, desta vez tendo Freya como mestre, ao mesmo tempo que lhe são dadas a conhecer as runas mágicas, símbolos de enorme poder.
No quinto volume, Odin e o poder da criação, Odin descobre o paradeiro do Hidromel da Poesia, uma bebida que dá o poder da eloquência a quem a prova, que se encontra em Jötunheim, o mundo dos gigantes, que não são propriamente amigos de Odin. No entanto, esta bebida mágica tem um enorme potencial, pois permitiria usar as runas mágicas em formas nunca antes experimentadas, amplificando o seu poder. Para obter o hidromel, Odin terá de usar todo o conhecimento adquirido de modo a entrar no mundo dos gigantes, obter a bebida e sair de lá são e salvo.
Este quinto volume foi o que mais gostei, pois não só a história é muito entusiasmante, como dá uma conclusão muito gratificante a toda a saga de Odin.
Provavelmente, estes livros podem ser lidos com intervalos ou intercalados com outros da coleção, seguindo a ordem de publicação. No entanto, na minha opinião, a leitura contínua, como se fossem um único livro, oferece uma experiência muito mais rica. Isto torna-se especialmente evidente nos dois últimos volumes, que ganham bastante quando temos frescas na memória certas informações dos anteriores. Sem esses detalhes bem presentes, corre-se o risco de perder parte do impacto e da profundidade da história.