“A História do Amor de Fernando e Isaura” (1956) é a primeira empreitada de Ariano Suassuna no campo da prosa de ficção e foi escrito como uma espécie de exercício para a posterior criação do “Romance d’A Pedra do Reino”. O autor se inspirou na clássica lenda de Tristão e Isolda para contar essa história de um amor proibido com final trágico, ambientado em Alagoas, e cheio de referências do Romanceiro Popular Nordestino. O livro conta com ilustrações inéditas de Manuel Dantas Suassuna, artista plástico e filho de Ariano, e com uma esclarecedora apresentação de Carlos Newton Júnior, um dos maiores especialistas da atualidade na obra do escritor paraibano.
Dá pra perceber que essa foi a primeira tentativa do autor em escrever romances ... apesar de ser posterior ao "Auto da Compadecida", achei bem inferior.
Quero tentar ler o calhamacito do "Romance d'A Pedra do Reino" ainda esse ano #seráquevemaí?
Bem , escrito, narrado em terceira pessoa, mas com um sotaque local, a História de Amor de Fernando e Isaura cumpre seu papel de recontar de forma sucinta, mas completa a Obra Clássica de Tristão e Isolda, com um certo sotaque local e um cenário belo e descritivo do Rio São Francisco com sua foz de aguas brilhantes, fana e flora regional. Ariano conseguiu incluir o sofrimento profundo dos personagens e a honra típica da cultura original do texto, apesar de sua humildade adaptação conter apenas um sexto do tamanho da obra clássica. Para quem nunca teve a oportunidade de ler a triste história dos amantes, essa adaptação é direta, simples e fácil de ler.
Para aqueles que conheceram o autor, sugiro imaginar a narração da história com sua voz grave, cadenciada e única. Incrível como pude ter a clara sensação de estar sentada em uma roda de amigos, no fim de tarde morno, ouvindo um contador narrar os causos como se houvesse de perto acompanhado toda o trágico romance...
Obra de gênio. Transformou aquela historinha pagã chata de Tristão e Isolda num conto de fadas nordestino, com cajueiros, carrancas no São Francisco, visões da Virgem, e um punhal de prata manchado de sangue.
Livro bem curtinho, mas que me custou um mês inteiro pra ler porque comecei um outro que achei bem mais interessante. Esse conta a história de Fernando e Isaura que se casam por proxy que era bem comum nos anos 50 e anos próximos. Eles se apaixonam, transam muito e depois se arrependem porque caem na realidade de que Isaura é na verdade esposa do rio de Fernando, Marcos. Marcos descobre, é piada na cidade e região e manda Fernando ir embora. Fernando vai e se casa com outra Isaura a qual ele não ama. Pega tétano por brigar com alguém que chama o tio dele de corno e morre sem ver Isaura. Esta chega tarde demais e se fere pra pegar tétano também e morre e os dois são enterrados juntos onde se conheceram.
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Eu sabia que poderia não gostar muito dessa história porque tenho dificuldade em gostar de histórias de amor romântico com heróis trágicos, mas fiquei curiosa por ser do Ariano Suassuna. No fim das contas, cumpre exatamente aquilo que se propõe a ser, e provavelmente vai agradar fãs de "Romeu e Julieta"... ...Mas eu não consegui me convencer de que aquilo que Fernando e Isaura sentem um pelo outro vai além de uma atração sexual enorme e desenfreada. Além disso, achei que o livro foi descritivo em um ponto que dificultou me conectar com a história.
Essa história de amor inspirada em um grande clássico, e adaptada para o contexto do nordeste brasileiro, é uma leitura rápida e leve, mas em que transparece o talento e a irreverência de Ariano Suassuna.
Desconfio que a poção mágica no original ajudava bastante no enredo. Do jeito que está o deprimente é a mulher ser compelida a casar antes mesmo de começar a história.
Meu amor por Ariano é mais do que gosto pessoal, é genética. Morro de invejas da minha mãe com a foto dela e o autografo com ele. Dito isso, não gostei! Culpa minha, que não levei a sério o prefácio que me alertou do melodrama. Talvez minha geração não compreenda e não sinta profundamente os dramas e problemas do casal. De todo modo, o casal não me cativou, a história passou por mim sem grandes comoções. O ciúme de Fernando me encheu! Ainda assim, foi rápido de ler, fluido e simples.
Ler essa história me ressaltou o "O problema não é você, sou eu". E o problema sou eu mesmo: não gosto desse tipo de história de amor em que os amantes necessariamente vão sofrer até a morte. Ainda mais já conhecendo a história original, e sabendo que isso ocorreria. É necessário, porém, destacar que Suassuna desenvolveu a história com a maestria que sempre lhe compete. E que a autocrítica que ele faz no começo, alegando que sua protagonista sofre dos males de ser uma mulher das antigas, eu discordo: Isaura é uma mulher valente, que fez valer seu amor o quanto pode, sem se deixar perder por ele salvo no final, quando outra possibilidade certamente não seria possível. Quem era irritante era Fernando, com sua insistência em não viver seu grande amor sob desculpas que muitas vezes eram mais dele do que do casal. Então se você gosta de tragédias românticas, com certeza vai amar essa história.
"[...]ao que parece, para nada serve esse amontoado de acontecimentos sem sentido ao qual ordinariamente se dá o nome de experiência. Apenas, sagrada e triste, contém ela, em si, a dor, as lágrimas, a exultação e os extravios - enfim, o bem e o mal misturados que implica, necessariamente, toda e qualquer história de homem." Obrigada, Suassuna, por ter encantado, divertido, emocionado e ensinado tanto o povo brasileiro a ver-se em suas histórias. Vai em paz.
o desejo que os ligara desde o primeiro encontro fora, ali, momentaneamente apaziguado, de modo que, por enquanto, era menos difícil tomar resoluções virtuosas. O que não deixa de ser melancólico, por mostrar a diferença que existe entre o que julgamos justo e o que fazemos; entre o orgulho por nossa virtude e a humilhação por nossa insensatez e nossa precariedade.