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Sinais De Vida: Cartas Da Guerra, 1961-1974

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A GUERRA COLONIAL ATRAVÉS DA CORRESPONDÊNCIA DE QUEM A VIVEU

Em 13 anos de Guerra Colonial, de Angola para Portugal, de Portugal para Moçambique, de Moçambique para a Guiné, entre namorados, pais e filhos, amigos e camaradas de armas, circularam milhares de cartas, com o correio entre as colónias e a metrópole chegando a atingir dez toneladas por dia.
Estas missivas emprestam perspectivas e sensibilidades pessoais a um conflito de carácter global, composto também por episódios privados de ciúme, saudade, medo, aborrecimento, racismo, resignação ou revolta crescente. Aqui representadas por 16 acervos, com cerca de 4400 cartas e aerogramas, estas são as histórias dentro da História, neste caso escrita por quem a viveu.

«Entramos com o pé direito, pois matámos quatro turras e três dos quais foram mortos pelo meu grupo, por conseguinte para recompensa já tive que entrar com duas grades de cerveja para a rapaziada.»
«Batemo-nos em três frentes, contra povos que há séculos subjugamos e mantemos na mais estrita miséria, numa luta sem glória e de resultados duvidosos. Vi tombar homens ao meu lado e não pude calar esta palpitante interrogação: quem lucra com estas mortes, qual a utilidade de mais uma vida perdida? Quantas vezes cerrei os dentes de raiva, continuei em frente, mas mesmo assim sem convicção…»

408 pages, Paperback

First published November 1, 2019

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Joana Pontes

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March 22, 2020
Ouvi falar deste livro por acaso e fiquei logo com vontade de o ler. Através dele e da Joana Pontes fiquei a saber que já houve projetos que visavam assegurar a conservação da correspondência trocada durante a guerra colonial, como o Projeto Recolha, mas que não foram porventura suficientes para garantir que uma parte não se perca, na Feira da Ladra ou em caixotes de lixo de qualquer casa desmanchada. Por isso estes Sinais de Vida é tão importante. Como é dito no prefácio, de Aniceto Afonso, "(...) Toda a população masculina nascida entre 1940 e 1954 esteve, de uma forma geral, sujeita a mobilização militar para cumprir serviço num dos territórios em guerra - Angola, Guiné ou Moçambique. Mas todos os outros portugueses acabaram por ser envolvidos pelo ambiente social resultante da guerra. Essa relação aumentou sentimentos, influenciou opiniões, provocou ansiedades e desespero. Todos, mobilizados ou não, viveram os dramas uns dos outros, familiares, amigos, vizinhos e conhecidos."
Sinais de vida analisa correspondência trocada durante o período da guerra, abrangendo cerca de 4 400 cartas e aerogramas (atualmente muita gente nem saberá o que são aerogramas, por isso decidi colocá-los na imagem) durante os 13 anos que durou a guerra colonial. Apesar de ser uma tese de doutoramento lê-se como um romance e nele ficamos a conhecer o que pensavam e sentiam os que participavam nesta guerra, pelo exército português, e aqueles com quem se correspondiam, a família, os amigos, as noivas e as namoradas. Como era encarada a guerra e como se foi evoluindo claramente no sentido da percepção da derrota iminente e da irracionalidade da sua continuação.
Se a ideia que existia a priori era a de que depois de um período inicial de apoio à guerra, passou-se para o descrédito e finalmente para a rejeição, ela é confirmada pelo teor das missivas que, sendo apresentadas cronologicamente, permitem-nos perceber a evolução
Mas as cartas refletem igualmente o que era a sociedade portuguesa de então, o analfabetismo reinante, a pobreza, a ignorância e também o medo. Dão ainda uma imagem da situação da mulher, dependente primeiro do pai e depois do marido, em todos os aspetos da vida.
Se este livro é importante por preservar parte da nossa memória individual e coletiva, é-o igualmente por trazer a guerra colonial para o domínio público, através das palavras de quem a viveu e do testemunho que dela deram então, no momento em que nela participavam, com as palavras que permitem sentir o medo, a raiva, a ansiedade, a frustração ou, nalguns casos, o orgulho.
Como é referido no prefácio "O silêncio imposto pelo regime faz a guerra parecer distante, faz a guerra parecer ausente, de certa forma, torna a guerra inexistente".
Este livro torna-a real.

Profile Image for João Agostinho.
20 reviews1 follower
February 4, 2020
Como viveram e o que sentiram aqueles que, ao longo de 13 anos de conflito, combateram na Guerra Colonial? - nesta obra, "Sinais de Vida", Joana Pontes, faz uma análise da correspondência trocada entre aqueles combatiam e os que, os esperavam na "metrópole", vindos de Angola, Guiné e Moçambique. Autora de diversas e reconhecidas obras documentais para a televisão, esta obra é uma adaptação da sua tese de doutoramento e um vislumbre inicial sobre um passado recente do país, quase na sua totalidade, ainda por escrever e reflectir #biblioetadoagostinho #emprestimodisponivel
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