Em que consistiria o amor para o homem da Idade Média? Que significado teria o casamento? Envolveriam os casamentos medievais algum sentimento?
Estas são algumas das perguntas a que a historiadora Ana Rodrigues Oliveira responde ao longo de um livro fundamental para fazermos o retrato do amor no Portugal medieval.
A palavra amor era plural: abrangia o afeto, a amizade, o desejo, a paixão, o erotismo e a sexualidade (hétero e homo). Mas, na época medieval, o amor estava enquadrado na legislação civil e canónica: por um lado, a lei prescrevia quem se devia amar (e como) e, por outro, interditava práticas, pessoas, sentimentos e formas de amar. no entanto, não terá havido na História uma época tão fértil em adultérios e paixões extramatrimoniais quanto a Idade Média.
Ao longo deste livro, encontramos muitos amores proibidos e muitas ligações perigosas, o que demonstra que a afetividade e a sexualidade não se conformaram com as austeras disciplinas impostas pela Igreja e pelo poder régio.
A realidade do amor medieval (e da sexualidade) revela-se menos austera, menos reprimida e menos uniforme do que pensávamos.
ANA MARIA TAVARES DA SILVA RODRIGUES DE OLIVEIRA nasceu a 2 de Junho de 1953. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1980), tendo realizado o Mestrado em História Medieval (1997) e o doutoramento em História Cultural e das Mentalidades Medievais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2007). Tem desenvolvido estudos nas áreas da mulher e da criança e participado em vários congressos e seminários. É co-autora de manuais escolares para o ensino da História, investigadora-integrada do Instituto de Estudos Medievais (IEM-FCSH/UNL). Entre outros trabalhos, publicou: «Mulheres e fronteira na cronística medieval dionisina», in As Relações de Fronteira no Século de Alcanices, Porto, 1998; As Representações da Mulher na Cronística Medieval Portuguesa, Patrimónia Histórica, Cascais, 2000, (tese de mestrado); «A imagem da mulher nas crónicas medievais», in Faces de Eva, Edições Colibri, Lisboa, 2001; «O corpo infantil nos tratados médicos Hispano-Árabes», in O Corpo e o Gesto na Civilização Medieval, Edições Colibri, Lisboa, 2006; A Criança na Sociedade Medieval Portuguesa, Teorema, Lisboa, 2007, (tese de doutoramento); "A criança", in História da Vida Privada em Portugal - A Idade Média, Círculo de Leitores, Lisboa, 2010 e "A mulher", na mesma obra, em co-autoria; "Inês de Castro, uma vida em verso" até ao fim do Mundo", in Pedro e Inês - O Futuro do Passado, Associação dos Amigos de D. Pedro e D. Inês, Coimbra, 2013; "Philippa of Lancaster: The Memory of a Model Queen", in Queenship in the Mediterranean, International Conference "Kings and Queens: Power, Politics, Patronage and Personalities", Palgrave Macmillan, United States, 2013; "A criança medieval: um ser inferior, indesejado e perturbador. Mito ou História?", in Representações do Mito na História e na Literatura, Universidade de Évora, 2014. Em 2010 editou a obra Rainhas Medievais de Portugal, pela Esfera dos Livros.
A autora apresenta uma perspectiva interessante e didática sobre aquilo que era o amor e as diversas manifestações, bem como as suas diversas consequências. Providencia ao leitor inúmeros exemplos extraídos das fontes, com uma escrita simples e de fácil interpretação, direta e clara. Ainda, não foge de maneiras de “amar” mais polémicas para a época, como, por exemplo, a homossexualidade. Por tudo isto, considero a obra de grande importância para a historiografia.
Uma leitura interessante, adequada a todos os leitores, sem necessidade de grandes conhecimentos prévios acerca da Idade Média.
A autora explora os diversos temas do "Amor": amor conjugal, amor extra ou pré matrimonial, luxúria, afectos de variados graus e tipo, males e curas para do "amor", e qual a relação da Igreja e do Poder Régio no meio disto tudo.
Não é uma leitura fastidiosa, pelo contrário. A autora não bombardeia o leitor com datas e nomes desnecessários à compreensão dos temas; a única coisa que posso apontar é que as cantigas de escárnio e maldizer são incompreensíveis para o leitor actual e portanto acabam por perder o propósito no texto.
Considero um livro importante para a compreensão da evolução da ideia humana de "Amor" e de como nos relacionamos uns com os outros.
A autora fala-nos, através dos seus estudos e análises de como teria sido a vida na idade média, especialmente na temática do amor. As paixões eram verdadeiras ou apenas algo criado para que as alianças fossem forjadas? Os reis e rainhas apaixonariam-se uns pelos outros?
Na idade média também existiam regras de cortesia, bem mais do que as de hoje em dia, tanto que a autora nos fala dessas regras, quem as mandava erigir e o porquê delas existirem.
Os casamentos e o amor seriam algo diferente nesta época, momentos em que se escolhiam os pretendentes aos filhos e filhas por afinidade política e paz, no entanto alguns são os casos em que o amor prevaleceu, e os casais foram verdadeiramente felizes.
Without being awesome, it was a nice read. the author explores the notion of love and its social impact during the middle age in Portugal. using documents from the time, the author explores and develops the notion of love back then, which keeps us enthralled to the subject. Noting that the text is in Portuguese, e recommend the read for the history buffs.