O Diário de Renia: Uma Vida Na Sombra do Holocausto conta-nos uma parte da vida de Renia, uma adolescente judia que vivia na Polónia e que foi surpreendida pelo Holocausto. Este livro é extremamente íntimo, cru, claustrofóbico e real. Através das palavras de Renia, somos transportados para o seu quarto, para os seus pensamentos, para os seus sentimentos, em especial para as suas angústias e medos.
Apesar de todas as dificuldades encontradas, houve espaço para o surgimento de um primeiro amor, para as borboletas na barriga. Zygmunt foi o jovem com quem Renia viveu esses momentos, e foi também quem escreveu a última entrada deste diário. Uma homenagem muito bonita, mas de uma tristeza enorme.
Um pormenor que esteve presente grande parte do livro foram os poemas que Renia escrevia. É revoltante pensar que Renia nem teve oportunidade de tentar alcançar o seu sonho, ser poeta, mas não deixa de ser curioso o quão poeta foi ao longo dos três anos em que escreveu o diário. As suas reflexões focavam muito seu o dia a dia, mas também as saudades que sentia da mãe, de quem teve de se separar devido à guerra.
Mãe, porque não estás aqui?
Tanta é a distância entre nós…
Para tão longe desapareceste…
De desgosto choramos, tu e eu.
Não posso terminar esta reflexão sem referir que a capa deste livro está incrivelmente bem conseguida, desde a imagem escolhida até à textura utilizada. É muito, muito bom ao toque.
Olhando para este livro de uma forma global, senti-me quase uma intrusa durante a leitura, não fosse um diário algo tão pessoal, mas ao mesmo tempo uma privilegiada por ter acesso a um relato tão bonito, ainda que tão triste. Este livro fez-me lembrar muito um outro, O Diário de Anne Frank.
O Diário de Renia: Uma Vida Na Sombra do Holocausto é uma leitura muito dura, mas brilhante, que não nos permite esquecer por nenhum instante a maldade humana. Recomendo a quem goste de ler sobre esta altura histórica, em especial relatos tão pessoais como este.
É-me impossível quantificar um livro escrito desta forma, pelo que optei por não o fazer.
Agrade��o imenso à Porto Editora pelo envio de um exemplar para a partilha de uma opinião honesta.