Na edição da Camelot, há alguns erros gráficos. No título, "O Picapau Amarelo", o nome do animal não está com hífen conforme previsto pela norma padrão. Mas parece que o título é assim mesmo.
Dos livros infantis de Monteiro Lobato, escolhi este que vi à venda para conhecer na forma literária a obra que conheci em alguns episódios na TV há muitos anos. Outro motivo foi que na história estariam presentes todos os personagens do sítio.
Não somente estão os personagens de Lobato (Dona Benta, Tia Nastácia, Pedrinho, Narizinho, Emília, Visconde de Sabugosa, Marquês de Rabicó) como Monteiro incluiu diversos outros personagens imaginários: o Pequeno Polegar, Peter Pan, Capitão Gancho, Branca de Neve, muitos da mitologia grega etc.
Considerei a linguagem apropriada ao público infantil, aprazível de se ler. Os temas também: visita e festa no sítio, conserto do Visconde, café com bolinhos da Tia Nastácia, ambiente afável. Algumas informações que me chamaram a atenção foram: ignorância do Visconde em medicina; briga do Pequeno Polegar pela casinha do João de Barro; o casamento por interesse de Emília com o Rabicó para se tornar marquesa; Emília quebra o efeito da flecha do Cupido sobre Tia Nastácia com um ato de faz de conta; artimanha de Emília e Visconde para a compra das duas fazenda pela Dona Benta.
Porém desgostei da mistura de seres próprios do Monteiro Lobato com outros antigos e medievais. Preferiria ler uma narrativa dele apenas com a brasilidade. O encadeamento das cenas também não me prendeu a atenção, pois pareciam mais ou menos isoladas.
Numa leitura adulta, dois pontos filosóficos que me chamaram a atenção foram: a) no início da história, a realidade ou não de seres abstratos, inclusive Deus; b) dona Benta diz que diferente dos modernos que conhecem pela ciência, os gregos antigos conheciam pela intuição.
A história não tem conclusão, mas pede continuidade com Pedrinho liderando uma busca por Tia Nastácia.