Numa terra futura devastada pela insanidade humana, o estilo de vida voltou a ser orgulhosamente nómada. Clãs de bikers, apoiados por caravanas de trailers e camiões, guiados pelos seus druidas, vagueiam pelo imenso deserto que é agora o Atlântico, fugindo a uma imensa escuridão que lhes ameaça roubar a liberdade e a vida. Cabe a Storme, Roker e Blu, pertencentes ao grupo mais sagrado dos Wheels, salvarem o estilo de vida, as tradições e a alma de todas as Tribos da Roda. Mas os Senhores das Trevas têm outros planos para o que resta da Humanidade, em que o Amor, a Música e a Individualidade não têm lugar. Esta é a imensa história do Custom Circus.
“Estou à espera que a Terra volte a ser verde, Contando os dias somente por precaução. Refugiado num lugar seguro, Há momentos em que recordo esta canção. Mas não a poderei cantar mais alto que palavras, Pois ainda não regressei da minha destruição… Poema Wheels”
Com uma escrita de profundidade melodramática que perscruta de dentro para fora os meandros de uma sociedade incrivelmente bem tecida, a saga Custom Circus de Michel Alex traz-me reminiscências de Lovecraft e Azimov ao nível da prosa. Consegue oferecer algo de muito próprio e consistente, que foi depois vertido à própria mística da companhia de eventos. A estética dieselpunk lembra Mad Max com um toque vintage que sugere steampunk, mas a obra é em si muito mais profunda. Atland é um todo pós-apocalíptico com conhecimentos científicos sólidos e uma introspecção filosófica capaz de convencer os mais cépticos.