João Rodrigues desembarcou no Japão no ano de 1577, então ainda um jovem. Seria neste país que iria passar os anos seguintes, juntando-se à missão da Companhia de Jesus e desenvolvendo o estudo aprofundado da língua e cultura do Japão. A excepcional proficiência na língua nipónica valeu-lhe a alcunha japonesa de “Tçuzu” que quer dizer “Intérprete”.
Parte do manuscrito setecentista de História da Igreja do Japão, conservado na Biblioteca do Palácio da Ajuda, A Arte do Chá apenas teve uma edição em espanhol em 1954, sendo hoje uma raridade bibliográfica. É agora, no ano 2019, publicada pela primeira vez em Portugal.
“A Arte do Chá” é parte de um grande tratado que o Jesuíta João Rodrigues Tçuzu propôs redigir sobre a cultura do Japão nos séculos XVI e XVII. Sendo um texto antigo, não é de leitura fácil, com palavras e expressões que já não usamos atualmente; a qualidade literária também deixa muito a desejar, pois o autor não era um grande homem das letras, repetindo por várias vezes as mesmas ideias. No entanto, este pequeno livro é uma delícia para todos os apreciadores de chá.
Após uma comparação das diferentes formas de preparar e beber o chá na China e no Japão, o autor concentra-se neste último país para explicar todo o cerimonial à volta deste hábito, destacando o despojamento, a concentração e o significado de cada uma das fases do ritual de “dar a beber o chá”.
É curioso constatar que pouco mudou nesta cerimónia ancestral e que no Japão da atualidade ainda se respeitam os princípios antigos. Um verdadeiro momento Zen no corre-corre de hoje!