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O Ataque aos Milionários

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O cerco às famílias Espírito Santo, Mello e Champalimaud depois da revolução do 25 de Abril de 1974: as detenções, o dia-a-dia na prisão, as contas congeladas e a fuga para o exílio.

Os sindicalistas que assumiram o controlo do Banco Espírito Santo deixaram o momento registado no livro de honra da instituição com letras maiúsculas:

«AQUI ACABOU O DOMÍNIO DOS CRIMINOSOS MONOPOLISTAS, INIMIGOS DO POVO E DA REVOLUÇÃO – 11/3/75 ÀS 14 HORAS”.

Estava prestes a entrar em acção o tenente Rosário Dias, assessor económico do primeiro-ministro. «Tenho informações de que neste momento os administradores do Banco Espírito Santo estão reunidos e vou lá prendê-los», anunciou. Começou assim a vaga de prisões que atingiu as famílias Espírito Santo, Mello e Champalimaud, transformadas em alvos do poder revolucionário por terem apoiado o Estado Novo e por terem enriquecido com o regime.

Foi criado no país um ambiente generalizado de ódio aos ricos. Álvaro Cunhal, líder do PCP, admitiu na altura: «Tem que se fazer contra alguém uma revolução (…) Se é para pôr outra vez os patrões à frente das empresas, nós dizemos não. Queremos que não haja uma recuperação pelos Champalimaud e pelos Mello». O objectivo foi atingido: as nacionalizações começaram a ser discretamente preparadas nos bastidores muito antes de terem sido oficialmente decretadas; e o gabinete de Vasco Gonçalves elaborou uma lista com 305 nomes de altos quadros dos bancos que não podiam sair do país e ficaram com as contas bancárias sob vigilância.

A Revolução de 1974/1975 é uma das páginas mais fascinantes da História contemporânea de Portugal: permitiu pôr fim à ditadura, à repressão da polícia política e à censura. Mas teve um lado controverso de excessos e perseguições. Com base em quatro dezenas de entrevistas e em documentos, na maioria inéditos, conservados numa dezena de arquivos, o jornalista Pedro Jorge Castro reconstitui neste livro a forma como as famílias mais ricas viveram a Revolução que há 40 anos sacudiu Portugal.


Pedro Jorge Castro nasceu em Leiria quando Portugal entrava no Verão Quente de 1975.

É redactor-principal da revista Sábado desde Abril de 2007, onde publicou dezenas de artigos sobre temas de História. Foi enviado-especial ao Haiti, China, França, Espanha e Itália. Jornalista desde 1997, trabalhou nos jornais A Capital, Portugal Diário e 24 Horas.
É mestre em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE e doutorando em História Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

É investigador integrado do Instituto de História Contemporânea.

A Vingança contra os Milionários é o seu terceiro livro, depois de ter publicado Salazar e os Milionários (Quetzal, 2009) e O Inimigo nº 1 de Salazar (Esfera dos Livros, 2010).

361 pages, Kindle Edition

First published March 1, 2013

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About the author

PEDRO JORGE CASTRO nasceu em Leiria, a 20 de Junho de 1975.
É licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa (1999), mestre em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE (2014) e doutorando em História Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigador integrado do Instituto de História Contemporânea.
É redactor-principal da revista SÁBADO desde Abril de 2007, onde publicou dezenas de artigos sobre temas de História. Foi enviado-especial ao Haiti, China, França, Espanha e Itália. Jornalista desde 1997, trabalhou nos jornais A Capital, Portugal Diário e 24 Horas. O Ataque aos Milionários é o seu terceiro livro, depois de ter publicado Salazar e os Milionários (Quetzal, 2009) e O Inimigo nº 1 de Salazar (Esfera dos Livros, 2010).

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Profile Image for Álvaro Athayde.
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April 19, 2014
Esta obra é muito interessante e importante. Descreve aspectos da irrupção em Portugal de uma configuração ideológica e geopolítica que cessou de existir há cerca de um quarto de século. Configuração que marcou a vida adulta de todos os maiores de 45 anos. Configuração que criou um ambiente psicológico e social que dificilmente é imaginado por quem não o viveu.

Esta configuração ideológica e geopolítica cessou de existir mas as suas consequências não cessaram. Existem cicatrizes, situações presentes que decorrem do então ocorrido. Existem também feridas abertas, problemas que permanecem por resolver.

Acresce que ainda existem pessoas em posições de responsabilidade que estiveram envolvidas em todos estes eventos, algumas das quais parece não terem percebido, ou não terem aceitado, que a dita configuração ideológica e geopolítica cessou de existir, continuando a pensar, e a agir, como se Estaline ou Mao Tsé-Tung ainda fossem vivos.

Portanto A LER !!!
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