Scott Free é o maior artista de fugas de diversos mundos. Mas, gozando de fama e boa vida na Terra, o herói também conhecido como Senhor Milagre pode finalmente ter encontrado uma armadilha tão complexa que nem mesmo ele pode escapar! Acompanhe a elogiada minissérie responsável por introduzir e conduzir o personagem no universo pós-Renascimento.
Com o roteiro genial do Tom King, e os desenhos incríveis do Mitch Gerads, Senhor Milagre 1 é um gibi excepcional e sensível, que consegue inserir assunto hodierno, como saúde mental, em um gibi de super-herói da DC. E ainda, conseguir trabalhar isso de forma compreensível e que dialogue com os leitores que sofrem com problemas de depressão e ansiedade, mas também apresentar um pouco dessa doença para pessoas que não a possuem, mas convivem com pessoas que possuem.
Nesse primeiro volume, acompanhamos o Senhor Milagre após ele cometer uma tentativa de suicídio (logo na pagina 3), porém ele é salvo por sua esposa, e começamos a ler o gibi conforme ele se recupera e convive com a depressão.
É genial como o Tom King consegue absorver os elementos da DC e mesclar com doenças mentais. Por exemplo, mostrar que mesmo estando doente, mas por ser algo que não seja físico/explicito, a “vida continua”, de modo que mesmo que ele demonstre que esta tudo bem e o show não pode parar, ele precisa trabalhar e se apresentar, ele precisa participar da Guerra de Apokolips e salvar seu mundo e sua família.
Além disso, vemos quadro a quadro, a utilização do conceito de que o Darkseid é a energia ruim de tudo de pior do mundo como sendo uma representação do pensamento negativo que a depressão causa nas pessoas. A cada pagina praticamente, temos o Scott seguindo sua vida, mas tendo pensamentos ruins a seu respeito e a respeito da sua vida. A frase “Darkseid is” é constante no quadrinho, representando essa energia de tudo de pior do mundo.
É triste ver o personagem apático e se conformando com tudo ao seu entorno. Ele apanha e não reage, não questiona as ordens de Órion e não percebe muitas vezes o amor da Barda por ele.
Ademais, espero ver a conclusão dessa trama em breve no segundo encadernado e ver como o Scott sai desse seu truque de “escapar da morte”, que é como ele vinha tratando sua tentativa de suicídio até então, e vivendo momentos que ele não conseguia distinguir o que era real ou não.
Tem aqueles quadrinhos que toda vez que você relê ele vai revelando camadas e mais camadas de histórias e de análises. Creio que Senhor Milagre vai ser um desses e isso que eu só li o volume um. Claro, com mais calma vou fazer uma resenha com uma análise mais aprofundada no blog, eu prometo. Senhor Milagre é um quadrinho intrincado em significado e no uso da linguagem dos quadrinhos, mostrando o quanto Tom King está de posse da mídia que ele trabalha. Não que a arte magnífica de Mitch Gerards fique atrás. O que me leva a pensar que esse autor se sai melhor com personagens em que ele tem mais liberdade como o Senhor Milagre e o Visão do que com medalhões como o Batman ou em megassagas como Heróis em Crise. Contudo, ele é pau para toda obra. Mas como Grant Morrison, acaba se saindo melhor nos projetos em que envolve mais sentimento e mais de si próprio neles, como é o caso de Senhor Milagre. Como diria o Faustão: "Um gibizão desses, bicho!". Não é à toa que a espera por ele nas patacoadas da Panini gerou tanto frisson e revolta nos nerdys. Porque se tem um quadrinho que você tem que ler neste começo de ano é esse gibi!
Uma história bastante intrigante de um personagem pouco conhecido. Eu praticamente não sei nada sobre o personagem e sinto que isso me fez perder muito do contexto e sobre quem são os coadjuvantes da história, mas ainda assim fiquei interessado na história. Creio que quem conhece mais sobre os Novos Deuses aproveitará mais a história. A diagramação de nove quadros por página é bastante interessante, gostei do visual dos personagens porém as cenas de ação ficaram muito escuras e confusas, muitas vezes não entendia o que acontecia em cena .