Livro muito acessível e interessante embora não seja muito aprofundado. Penso que é um óptimo ponto de partida para quem tenha curiosidade sobre os temas abordados. A autora recomenda várias leituras onde será possível continuar a reflexão iniciada com esta obra.
Para além da definição de Feminismo, mas também de Machismo, de Sociedade Patriarcal, e de outros conceitos, apresenta as 4 vagas de feminismo que houve até hoje, datando-as e expondo as suas conquistas e personalidades impulsionadoras. Apresenta dados estatísticos actuais sobre o acesso das mulheres a cargos tradicionalmente desempenhados por homens, violência doméstica, abuso sexual, entre outros dados relevantes para a discussão.
Aquilo que achei mais interessante, porque não constava dos outros livros que li sobre o tema foi a definição dos vários géneros existentes, para além do feminino e masculino.
Surgiram-me então algumas questões mais radicais e até um pouco anárquicas, nomeadamente, se faz realmente sentido a definição (imposição) de um género à nascença.
Poder-nos-íamos relacionar com as crianças sem as identificar com um género desde bebés? Podemos concebê-las primeiro como bebés, depois como crianças e não como meninas e meninos?
Isto é, um bebé nasce com pénis, é identificado com o género masculino, é-lhe atribuído um nome (esta parte é confusa para mim porque os nomes portugueses têm género à partida, o que não sucede noutros países em que um mesmo nome dá para os dois géneros), mas podemos vesti-lo com todas as cores, podemos dar-lhe todos os brinquedos (cozinhas, bebés, aviões, peluches, princesas, dinossauros, carrinhos), podemos falar-lhe de forma tão carinhosa como falamos com uma menina, podemos esperar que chore quando cai, podemos dizer que é bonito e fofinho e não só forte e aventureiro, por exemplo? Isto é, podemos fazê-lo desenvolver-se de forma mais neutra?
Fiquei a pensar nestas possibilidades... Fiquei também a pensar se faz sentido haver tantos géneros? Será necessária toda esta categorização? Haver caixinhas onde caiba cada um de nós? No limite somos todos diferentes e não nos encaixamos em caixas, porque estas são demasiado pequenas para tudo o que podemos ser. Não sei se o problema não é mesmo o conceito de género!
É apenas o início de uma reflexão, fiquei com vontade de ler mais sobre as questões de género, per se.