Dès ses origines, l’expansion portugaise, que l’on prend ici de ses prémisses au XIVe siècle jusqu’au XVIIIe siècle, a constitué un phénomène historique d’une immense diversité, bien davantage que l’expansion espagnole. Celle-ci, en effet, se concentra en Amérique, entre les Caraïbes et les empires inca et aztèque, et malgré des différences abyssales entre les diverses civilisations rencontrées, il s’agit tout de même d’un monde qui trouve une certaine unité.
L’expansion portugaise, elle, se déroula sur trois siècles à l’échelle de trois océans (Atlantique, Indien et Pacifique) et de trois continents (Amérique, Afrique, Asie), dans des contrées où les conditions géographiques, sociales, économiques et politiques étaient des plus variées. Quoi de semblable en effet, ne serait ce que dans le premier quart du xvie siècle, entre les pêcheurs de Terre-Neuve, les Indiens du Brésil abordé en 1500, les multiples peuples des deux côtes africaines, reconnues de 1434 à 1498, ceux de l’Inde (1498-1510), d’Ormuz (1507) et de l’Insuline (1511), de la Chine (1513) voire du Japon que les Portugais sont les premiers Européens à découvrir en 1543.
Cet empire maritime portugais d’un type nouveau, était en fait un vaste réseau commercial, dont les Portugais eurent le monopole pendant presque tout le xvie siècle, avec des escales plus ou moins fortifiées sur la moitié du globe. Certaines furent l’embryon de comptoirs importants et durables (Goa, Macao), ou plus tard d’États (Angola, Mozambique, São Tomé et Principe, Guinée Bissau, Cap-Vert, Timor).
Les chroniques ne nous laissent pas toujours entrevoir clairement la nature de cet empire, et s’en tiennent le plus souvent à consigner l’expansion officielle – c’est-à-dire, son volet impérial – et surtout les exploits de guerre. Ils délaissent ainsi les autres modalités d’expansion, comme la diaspora spontanée d’aventuriers et de marchands, qui dans certaines aires géographiques fut le fait majeur.
Aussi a-t-il toujours été impossible jusqu’à présent d’offrir une synthèse sur ce sujet vaste et passionnant, qui a touché le monde entier du XVIe au XVIIIe siècle. Il fallait un livre qui soit à la fois lisible et vraiment concis, qui balaie nombre d’idées reçues et surtout qui n’élude pas la grande complexité des situations et des enjeux.
Ce tour de force, Luís Filipe Thomaz l’a réalisé dans un ouvrage paru en espagnol en 2017 (Colombie), dont nous livrons ici une version remaniée et augmentée.
LUÍS FILIPE THOMAZ nasceu em Lisboa, em 1942. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1965) e em línguas orientais pelo Institut National des Langues et Civilisations Orientales, em Paris, pelo Institut Catholique e pela Universidade de Paris III (1982). Foi Professor Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e na Universidade dos Açores e Professor convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, entre 1984 e 2002. Depois da aposentação da função pública transitou para a Universidade Católica Portuguesa, onde organizou o Instituto de Estudos Orientais, de que foi director de 2002 a 2011, após o que se dedicou apenas à investigação. É sócio correspondente da Academia Portuguesa de História, membro do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica (CEHR-UCP), Investigador Associado do Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar (CHAM-FCSH/UNL-UAç), sócio honorário do Instituto Meneses Bragança, em Goa e membro associado do Centre Nationale de la Recherche Scientifique, em Paris. É autor de sete livros, dos quais quatro sobre Timor, e de mais de uma centena de artigos, versando quase todos a presença portuguesa no Oriente. Tem colaborado sobretudo nas revistas Archipel, Anais de História de Além-Mar e Lusitania Sacra. em-se de dedicado sobretudo à história do Oriente, com especial atenção a Timor, onde foi outrora militar, jornalista e professor de Latim e Grego no Seminário de Dare. Foi galardoado com o Prémio D. João de Castro da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, em 1994.
Neste ensaio longo, que se lê com muito agrado, o historiador defende que a Expansão foi um fenómeno diverso, em três oceanos e três continentes. A análise tem como âmbito cronológico os séculos XV e XIX.
Este livro é uma lufada de ar fresco na escrita da história influenciada pelo povo português. Distancia-se das perspectivas patriotas para, com o devido respeito por todas as civilizações intervenientes, nos contar o que honestamente se pode tentar saber sobre como o povo português, no devido contexto, negociou, combateu, subjugou e também foi derrotado por outros povos. Contado sem romantismos, nem fantasias, isto é História para adultos.
Tratando uma temática tão extensa (quer temporalmente quer geograficamente) esta obra teria sempre dificuldades em ser sucinta, estruturada e ao mesmo tempo mais detalhada que qualquer livro generalista. A quadratura do círculo a que se propões é, em parte, quase conseguida. Eu daria, se tal fosse possível, uma nota de 3,8 estrelas ao livro. Muita informação muito interessante, uma compreensão das grandes linhas da expansão portuguesa. Uma bela porta de entrada para outras obras que aprofundem mais o tema.