O mais promissor de todos os títulos. Não é uma história de origem, ainda que mostre uma lembrança da infância do personagem principal. Coloca o dedo na ferida da intolerância religiosa sem tentar amenizar o problema. Trabalha uma das características mais fortes da cultura brasileira, a espiritualidade sincrética, ao mesmo tempo que abre caminhos para expandir o universo dos personagens além do vigilantismo urbano do Doutrinador e da Penélope. A arte do Mikhael Raio Solar e as cores do Alzir Alves lembram o Hellboy do Mike Mignola. Quadrinheiros - O roteiro é assinado pela dupla Luciano Cunha e Gabriel Wainer.
Santo é, de longe, o melhor quadrinho da Guará Entretenimento, casa publicadora de O Doutrinador e de outros heróis brasileiros. Isso tem a ver tanto com a estrutura da história como pelo fascinante tema do sincretismo religioso que atravessa nosso Brasil. Isso faz com que este quadrinho possua um tipo de brasilidade que os outros da linha de heróis não possuem e, ainda assim, não precisa fugir para o folclore. Ele se mantêm urbano e impacta no cotidiano de seus possíveis leitores. O quadrinho também tem desenhos e cores maravilhosos feitos, respectivamente, por Mikhael Raio Solar e Alzir Alves. O quadrinho também bate numa tecla importante para a realidade brasileira que é a intolerância religiosa e a perseguição dos cristãos contra as religiões de matriz africana, que vem se desmitificando e popularizando no Brasil, como uma alternativa mais aberta do que o catolicismo e o neopentecostalismo. Importante destacar que o quadrinho é o primeiro de uma série, então a história não é encerrada nesta edição. Mas o ganho é bastante empolgante a pinto de o leitor querer retornar para a história e os personagens mais vezes. E tomara que isso aconteça!
Cinco anos após produzir “O Doutrinador”, um personagem com muito potencial que gerou duas histórias medíocres e um filme ótimo justamente por não se apoiar tanto no material original, Luciano Cunha retorna.
E surpreende. Ao invés da ficção científica desnecessária, cria uma trama de fantasia pós-moderna, com magia em pleno século XXI, e faz muito mais sentido que os soldados geneticamente modificados da tentativa anterior de criar um personagem brasileiro.
Cunha não acertou apenas no cenário. Acertou em não ser o ilustrador. Mikhael Raio Solar entrega um ótimo trabalho.
Ao contrário de “Doutrinador”, “Santo” é uma revista que quero ver continuar.
Gostei muito dos temas abordados, da arte e além de ter o brasil e a situação atual toda interligada um quadrinho extremamente atual e de grande importância... ansioso para os próximos