Nesta obra, Giovanni propõe um olhar sério à filosofia clássica como via de aprendizagem diante dos inúmeros problemas do pensamento moderno. A filosofia moderna, ao privilegiar a fragmentação do saber, o subjetivismo e a separação entre teoria e vida, acabou gerando problemas que ela mesma não consegue resolver.
Nesse contexto, Giovanni sugere que muitos dos impasses modernos; como a perda de sentido, a dificuldade em integrar razão, ética e existência concreta, já haviam sido enfrentados e, em certa medida, solucionados pelos filósofos clássicos. A filosofia clássica é apresentada como um modo de vida, no qual o conhecimento está diretamente ligado à formação do caráter e à busca da verdade.
O “remédio” para os problemas modernos parte do resgate de uma sabedoria que precede a modernidade. Giovanni indica que aquilo que hoje se tenta reconstruir já estava presente na tradição filosófica antiga, ainda que tenha sido progressivamente obscurecido ao longo do desenvolvimento da filosofia moderna.
Entretanto, me incomoda um pouco a meneira como o autor simplifica as questões de Forma e Belo. É compreensível que, por se tratar de uma reflexão voltada a um público não academizado, o livro opte por uma linguagem acessível e esquemática. Ainda assim, essa simplificação pode gerar confusões conceituais relevantes. Ao reduzir termos filosóficos densos a explicações excessivamente simplórias, corre-se o risco de desvirtuar o significado tradicional de arte, para alguns leitores nao familiarizados com o tema. Inclusive é comum presenciar tais corrupções terminológicas sendo reproduzidas em discursos contemporâneos sobre estética em meios conservadores.