Só os Inteligentes Podem Ver é uma mescla de quadrinhos e dissertação acadêmica resultado do mestrado profissional em Memória Social e Bens Culturais realizado por Guilherme Smee na Universidade LaSalle (Canoas/RS). Guilherme estudou em seu mestrado o quadrinho autobiográfico Fun Home, uma tragicomédia em família, da autora lésbica estadunidense Alison Bechdel. No quadrinho de Bechdel, a autora aborda temas de identidade de gênero e sexualidade, bem como a construção e produção da sua identidade como lésbica através das permissões e pressões da sociedade e da cultura em que se inseria.
Para produzir Só os Inteligentes Podem Ver, Guilherme Smee traçou algumas diretrizes que o orientaram na confecção de sua própria autobiografia em quadrinhos abordando questões de sexualidade, que estão presentes no final da publicação. Também neste livro em quadrinhos o leitor poderá encontrar partes da dissertação produzida, que discute identidade de gênero e as pressões socioculturais para uma atuação binária da normatividade como heteronormatividade, heterossexismo e heterossexualidade compulsória, além de outras teorias dos estudos queer, feministas e de gênero, fortemente apoiadas na filósofa pós-estruturalista Judith Butler.
Só os Inteligentes Podem Ver teve orientação da Prof. Dra. Tatiana Vargas Maia e co-orientação do Prof. Dr. Steven Butterman, da University of Miami. O quadrinho está disponível para download gratuito no site da editora Marca de Fantasia e também pode ser adquirido em formato físico com o autor em eventos ou pelo gmail guilhermesmee
Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É pós-doutorando em Ciências Humanas, doutor em Ciências da Comunicação e Mestre em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Fez parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. A partir de 2014, publicou ao menos um quadrinho independente por ano. Loja de Conveniências, sua primeira narrativa longa foi lançada em 2014. Em 2015 participou da coletânea de HQs LGBT Boys Love. Em 2017 colaborou com o quadrinho A Liga dos Pampas de Jader Corrêa, que explora mitos gauchescos. Também lançou Desastres Ambulantes em parceria com Romi Carlos, um quadrinhos sobre segunda guerra mundial e OVNIs. Em 2018 lançou a HQ para todas as idades Abandonados Pelos Deuses: Sigrid, com Cristian Santos e Thiago Kening. Ao lado de 12 artistas diferentes roteirizou Bem na Fita, quadrinho sobre videoclipes dos anos 1980 e 1990. Em 2019, sua dissertação de mestrado virou o quadrinho autobiográfico Só os Inteligentes Podem Ver. Também lançou a antologia de terror Extremos da Existência. Em 2020, Eduardo Ribas e Guilherme foram contemplados pelo edital Descentrarte/Funarte, através do qual publicaram a HQ D.I.V.A.S. Brasileiras homenagendo brasileiras que de certa forma mudaram paradigmas da cultura nacional. Já em 2021, foi a vez dos quadrinhos Dobras, com Dieferson Trindade, e Mandinga!, com Danilo Aroeira. Este último foi contemplado pela Lei Aldir Blanc do Estado de Minas Gerais e fala sobre lendas do folclore brasileiro com roupagem urbana e contemporânea. Em 2023 recebeu um reconhecimento pela sua trajetória pela Lei Paulo Gustavo de Porto Alegre. Manteve o blog sobre quadrinhos Splash Pages por mais de 10 anos.