A 11 de Maio de 1960, uma equipa de agentes da Mossad capturou Adolf Eichmann em Buenos Aires, com o intuito de o levar a tribunal em Israel. Nesse ano, Hannah Arendt oferece os seus serviços ao redactor-chefe da New Yorker para cobrir o julgamento em
Hannah Arendt (1906 – 1975) was one of the most influential political philosophers of the twentieth century. Born into a German-Jewish family, she was forced to leave Germany in 1933 and lived in Paris for the next eight years, working for a number of Jewish refugee organisations. In 1941 she immigrated to the United States and soon became part of a lively intellectual circle in New York. She held a number of academic positions at various American universities until her death in 1975. She is best known for two works that had a major impact both within and outside the academic community. The first, The Origins of Totalitarianism, published in 1951, was a study of the Nazi and Stalinist regimes that generated a wide-ranging debate on the nature and historical antecedents of the totalitarian phenomenon. The second, The Human Condition, published in 1958, was an original philosophical study that investigated the fundamental categories of the vita activa (labor, work, action). In addition to these two important works, Arendt published a number of influential essays on topics such as the nature of revolution, freedom, authority, tradition and the modern age. At the time of her death in 1975, she had completed the first two volumes of her last major philosophical work, The Life of the Mind, which examined the three fundamental faculties of the vita contemplativa (thinking, willing, judging).
𝑬𝒊𝒄𝒉𝒎𝒂𝒏𝒏 𝒆𝒎 𝑱𝒆𝒓𝒖𝒔𝒂𝒍é𝒎, 𝒖𝒎𝒂 𝒓𝒆𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂𝒈𝒆𝒎 𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒂 𝒃𝒂𝒏𝒂𝒍𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒅𝒐 𝒎𝒂𝒍 suscitou grande controvérsia na opinião pública e nos círculos académicos, aquando da sua publicação. O julgamento de Eichmann, um dos maiores criminosos do regime hitleriano levou a autora a desenvolver uma reflexão do mal. A sua reportagem jornalística, quer sobre o julgamento quer sobre o próprio Eichmann, é lúcida, mas perturbante já que ao questionar os valores da humanidade, insinua o conceito de “banalidade do mal”
Eichmann, um dos obreiros da “solução final”, grande responsável pela deportação e morte de milhões de judeus, ao afirmar, friamente, no julgamento, que se limitou a cumprir ordens superiores, a cumprir a lei, como se fosse um trabalho vulgar põe em evidência, segundo Arendt, a “total falta de pensamento”, isto é, a incapacidade de pensar por si. O mal perpetrava-se, executava-se, matava-se de forma irrefletida, apenas pela força (auto)coerciva da ideologia totalitária. Assim, Eichmann bem como muitos outros nazis, no ponto de vista da autora, representavam uma nova espécie de criminosos que cometeram, sem sujar as mãos, actos cruéis, crimes monstruosos. Eram meros burocratas que cumpriam o que lhes era exigido. Eichmann, na sua auto-defesa, chegou mesmo a referir que era inocente e que sempre se esforçou para desempenhar as suas funções de funcionário com esmero e rigor, acrescentando, mesmo, que se não fosse ele a providenciar a deportação para os campos de concentração, seria outro qualquer.
Arendt no seu “pós-escrito” esclarece alguns aspectos em relação às fontes dos documentos entregues ao longo do julgamento, justifica a sua deslocação a Jerusalém para assistir e reportar o julgamento e aborda a questão da controvérsia causada pelo subtítulo que atribuiu à obra. Segundo ela, e citando-a “quando falo da banalidade do mal faço-o apenas ao nível estritamente factual, no intuito de chamar a atenção para um fenómeno que se impunha inescapável a quem quer que assistisse ao julgamento. (…) Eichmann não era estúpido. O que fez dele um dos maiores criminosos da sua época foi a total ausência de pensamento. (…) Que um tal afastamento da realidade e uma total ausência de pensamento possam causar danos ainda maiores do que todos os maus instintos que são talvez inerentes à natureza humana – eis a verdadeira lição a tirar do julgamento de Jerusalém.” (pp. 428 e 429)
I meant to read this book for over 10 years now, so the expectations were quite high. Historically - it's first and foremost a 'report' - it did not disappoint. Philosophically, it builds up on other work by Arendt, which I should have read before. Portuguese translation is very good.