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Portugal, uma retrospectiva #7
1890 : o ultimato britânico
É possível escrever uma história internacional de Portugal e uma história mundial dos portugueses — e este volume faz ambas as coisas. Em 1890, o governo português recebeu o «Ultimato britânico», reclamando a retirada das suas tropas dos territórios africanos entre Angola e Moçambique. Desencadeou-se uma enorme crise de confiança política e cultural no país, a qual acabou por ser uma das razões principais para o fim da monarquia. Mas este foi apenas um dos muitos momentos dessa «história internacional», a história de como a monarquia, o governo português e as suas instituições tentaram navegar uma versão oitocentista de globalização industrial, colonial e imperial. Neste jogo de equilíbrios, cujo centro de gravidade estava em Berlim, Bruxelas, Paris e Londres, Lisboa esforçava-se para fazer levar a sério as suas pretensões coloniais, ao mesmo tempo que tentava construir em África o novo Brasil que lhe faltava desde a década de 1820. Entretanto, longe dessas discussões, iniciou-se o que poderíamos designar como uma «história mundial dos portugueses»: uma nova dinâmica de migrações do continente para o Brasil, dos Açores e de Cabo Verde para a Costa Leste dos Estados Unidos da América, e até da Madeira para o reino do Havai, no Pacífico. Eis as histórias fascinantes da alta política e da vida material dos portugueses que nos são contadas neste volume.
104 pages, Paperback
Published January 1, 2019
About the author
Hugo Gonçalves Dores
10 booksHUGO GONÇALVES DORES é licenciado em História (2005) e mestre em História Contemporânea (2009), pela Faculdade de Letras de Lisboa, com a dissertação História na Faculdade de Letras de Lisboa (1911-1930). Doutorou-se em História, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (2014), com a tese Impérios e Missões: Portugal, Europa e África (1885-1919). Actualmente, é investigador de pós-doutoramento no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com o projecto Educating empires: international organizations, inter-imperial cooperation, and the educational policies in late colonialism. Foi visiting scholar na Universidade de Lovaina (Katholieke Universiteit Leuven) (Bélgica, 2011) e na Brown University (Estados Unidos, 2012). Tem trabalhado sobre missões e império (sécs. XIX e XX), nomeadamente sobre as políticas imperiais relativas à missionação (católica e protestante) e as suas dinâmicas transnacionais, à educação,ao desenvolvimento e à cooperação inter-imperial.
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Displaying 1 - 1 of 1 review
July 24, 2019
Este volume é um exercício de "escrever uma história internacional de Portugal e uma história mundial dos portugueses" (Rui Tavares, p. 5). É uma visão que não torna os acontecimentos de 1890 como uma singularidade na Europa, mas como um processo relacionado com a ascensão dos nacionalismos e os imperialismos. Essa é uma visão que faz falta, e que põe em contexto o Ultimato Inglês.
É também oportuno quando discutimos cada vez mais as sequelas do colonialismo em Portugal, pois o trabalho escravo não acabou tão facilmente como muitos querem fazer crer, e essa foi uma das questões com o Reino Unido. Também é interessante comparar o que diziam os políticos do século XIX pela emigração. A culpa não era das condições do país, mas sim dos cantos de sereia dos engajadores.
É também oportuno quando discutimos cada vez mais as sequelas do colonialismo em Portugal, pois o trabalho escravo não acabou tão facilmente como muitos querem fazer crer, e essa foi uma das questões com o Reino Unido. Também é interessante comparar o que diziam os políticos do século XIX pela emigração. A culpa não era das condições do país, mas sim dos cantos de sereia dos engajadores.
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