JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS nasceu em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1901. Formou-se na Faculdade de Direito de Lisboa (1924) e foi um dos fundadores da revista Seara Nova (1922). Advogou, foi professor do ensino secundário, presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana e co-director do jornal O Globo. Licenciou-se em Ciências Pedagógicas na Universidade de Bruxelas (1933) e fixou residência nos EUA (1935) como redactor-associado da Reader’s Digest e, posteriormente professor universitário. Escreveu contos, romances, novelas e peças de teatro. Apesar de quase toda a sua produção ter sido escrita longe da pátria (o que explica a preferência por temas do exílio e da emigração), mantém o humorismo magoado, a simpatia humana e o lirismo tipicamente portugueses. São suas obras principais: Páscoa Feliz (1932, Prémio Casa da Imprensa), Onde a Noite Se Acaba (1946), Saudades para Dona Genciana (1956), Léah e Outras Histórias (1958, Prémio Camilo Castelo Branco), A Escola do Paraíso (1960), a peça de teatro O Passageiro do Expresso (1960), Gente da Terceira Classe (1962), É Proibido Apontar (1964) e O Milagre Segundo Salomé (1975). Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979. Faleceu a 27 de Outubro de 1980, em New York.
Recomendo pois oferece um bom retrato sobre a vida dos emigrantes no Novo Mundo, também conhecido como Nova Iorque na segunda metade do século XX. Através de contos realisticamente ficcionados, o autor introduz-nos a personagens humildes mas dotadas de tenacidade, espírito de sacrifício e a sempre aludida nostálgica, comum a todos os imigrantes lusitanos. O último conto é o mais satírico, e até humorístico em que o autor nos descreve com bastante humor os últimos dias de um qualquer chefe de estado autoritário, tão comuns naquele malfadado século XX. José Rodrigues Miguéis, um nome (infelizmente) pouco célebre entre o comum dos leitores, mas que mereceu a admiração dos seus pares, nomes tão célebres como Raul Brandão, Urbano Tavares Rodrigues ou Jorge de Sena. Não devemos deixar bons escritores, cujo maior pecado foi fugirem às controvérsias e aos ciclos de elogio mútuo - tão celebremente criticados por Antero de Quental já no século XIX, hábito que infelizmente se mantém até aos dias de hoje em todos os quadrantes da vida artística e profissional - cair no esquecimento por entre as brechas da História e deixar os louros para os grandes nomes que conseguiram perdurar até aos dias de hoje, sendo que muitas dessas autoridades no seu respectivo campo devem tanto ao seu nome ser associado a famosas ruas e avenidas pelo país fora como ao seu mérito artístico. Assim, José Rodrigues Miguéis nunca tendo tido outro padrinho que não o seu reconhecido mérito para a escrita, acaba por não granjear actualmente uma legião de fãs como outros seus contemporâneos. Devemos, no entanto, lutar por inverter as tendências e preservar a cultura portuguesa e os seus respectivos patrocinadores, difundindo o nome dos bons autores portugueses do passado. Leiam José Rodrigues Miguéis. Se apreciarem em conformidade, espalhem a boa nova aos vossos amigos leitores. Seja feita a V. vontade.