Raio Negro: O Rei Aprisonado consegue resgatar o auror que as histórias dos Inumanos necessitam. Eu me lembro bem quando acompanhei a minissérie dos Inumanos trazida toda picotada aqui no Brasil pela Mythos Editora nos anos 2000. Mesmo assim, eu achei uma minissérie sensacional, seja pelo argumento de Paul Jenkins ou pelos desenhos de Jae Lee, eram personagens complexos numa realidade complexa. Agora, com essa série do Raio Negro, premiada pelo Eisner e publicada na íntegra pela Panini Brasil, temos uma espécie de retorno à magia e ao encantamento que foi ler a minissérie Marvel Knights dos Inumanos. Temos um roteirista, Saladin Ahmed, que sabe trabalhar bem a fantasia e os momentos inusitados e também humanos dos personagens e desenhistas como Christian Ward e Fraser Irving que fazem uma arte quasi-onírica, trabalhando cores e traços como se fossem uma coisa só, sem limites de linha. Assim, temos um quadrinho que se não consegue superar a minissérie dos Inumanos, consegue trazer uma bela homenagem à ela com um personagem tão misterioso e enigmático como o silencioso e barulhento Raio Negro.