Helder Macedo , cuya poesía es conocida en Europa, Estados Unidos y Brasil, se estrena en el ámbito literario español con su segunda novela, Pedro y Paula , que está siendo traducida a varios idiomas y que, sin duda, revelará a nuestros lectores uno de los escritores más exquisitamente novedosos y brillantes de la literatura portuguesa. Según el propio autor, Pedro y Paula es una novela «sobre los amores imposibles (...) y la crueldad de los amores convertidos en violencia, que es el lado negro del amor». Ana , José y Gabriel se conocen en la Facultad de Derecho de Lisboa y se convierten en un trío inseparable. Al acabar la carrera, José le propone matrimonio a Ana , y ella acepta, porque «era necesario decidir el futuro, y porque lo que había creído que sería una elección difícil acabó simplificada por el silencio del otro». Cuando a José le ofrecen un trabajo en Mozambique, Ana le acompaña a su pesar, pero decide pasar con Gabriel la noche anterior a la partida. Ese encuentro marcará no sólo la nueva vida de los recién casados en África, sino el nacimiento de su hijos Pedro y Paula , niños gemelos que parecen heredar el conflicto y los sentimientos silenciados de sus progenitores. Los dos hermanos, como las dos caras de una misma moneda, sienten una dependencia mutua que les corroe, peligrosamente cercana al amor, e intentarán sobrevivir emocionalmente en el marco de una etapa decisiva en la historia portuguesa, la de la revolución de 1974 y de los años posrevolucionarios tanto en Portugal como en Mozambique.
Hélder Malta Macedo é um poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário, português. A sua obra ficcional, de entre a qual se destaca o romance Partes de África (1991), no qual o autor usa técnicas narrativas para revelar as ficções da memória, expondo a fronteira entre o facto e a invenção, é considerada uma das mais originais da literatura portuguesa contemporânea.
Duas notas sobre este livro que achei bastante positivas e que fazem do livro uma obra literária quase perfeita. 1. A criação de ambientes e personagens em crescente tensão usando uma linguagem cinzelada ao detalhe. 2. Um narrador irónico, corrosivo e com uma participação constante e intensa na narrativa. A destreza da construção deste narrador é uma mais valia premente do livro.
De resto é a história de dois irmãos ao longo de toda a segunda metade do século XX, ou seja, é a história do país que fomos e somos num processo de constante questionamento.
"Esaú e Jacob brigaram no seio materno, isso é verdade. Conhece-se a causa do conflito. Quanto a outros, dado que briguem também, tudo está em saber a causa do conflito..." Machado de Assis
Os gémeos do livro do Génesis foram inspiração para os gémeos, Pedro e Paulo, de Machado de Assis - Esaú e Jacob - de cuja obra foi retirada uma das epígrafes que dão o mote ao romance de Helder Macedo.
A sinopse, de Pedro e Paula, não engana quando diz que é "um livro que se lê pelo mais puro prazer da leitura". O estilo é muito peculiar, no qual o narrador vai assumindo o papel do escritor, até ser "dominado" pelas personagens e tornar a história "viva". O enquadramento geográfico e temporal é Portugal e Moçambique, no período que decorre entre 1945 e 1997, focando-se nos acontecimentos políticos e sociais durante o tempo do fascismo e imediatamente após o 25 de abril de 1974. A história ficcionada é a dos gémeos Pedro e Paula, dos seus pais e de Gabriel -amado pela mãe e pela filha (e por mim...).
É uma pena que, por aqui, haja somente seis leitores de Pedro e Paula e poucos mais de Helder Macedo. Eu li-o porque sou uma gaja "com sorte aos livros"...
Os nomes próprios utilizados como título são, também, os nomes que nos indicam aqueles que são e podem ser os contrastes entre irmãos.
O autor serve-se da ligação familiar entre ambos para, consequentemente, nos retratar a sociedade da segunda metade do século passado. Ou seja, vamos ter o que antecede o 25 de Abril e, logo de seguida, a narrativa empresta uma perspetiva sobre o pós-revolução. Engloba, também, o colonialismo e as características daquela época.
A obra aborda a liberdade e, de certa maneira, personifica-a nestes gémeos que não poderiam ser mais antagónicos nos seus ideias e filosofias. Em Paula, podemos detetar uma índole de inconformismo com nuances revolucionárias e uma maior abertura social. No que toca a Pedro, assistimos a um conservadorismo e a uma clausura inserida nos costumes tradicionais.
Além da liberdade, em si, o livro conta com uma uma ficção muito bem desenhada. Temos nos bastidores uma história que vai muito além dos dados históricos. Ou seja, somos abastecidos por informação pertinente, sem esforço, enquanto ficamos embrenhados na perversidade que está alojada nos contornos do enredo.
Uma escrita convincente, com rasgos de humor e assertividade. Esta mistura é, toda ela, um fator que nos leva a consumir este livro com um interesse redobrado.
Um livro que nos leva pelas décadas da ditadura salazarista e pela Guerra Colonial. Sobre o período, o livro é pobre a nível histórico, foca-se essencialmente nas personalidades distintas e complexas dos protagonistas.
Esta é a história de dois irmãos gémeos, Pedro e Paula. Os irmãos têm uma relação profunda e intensa, enquanto Paula espelha o caminho da liberdade e os princípios da Revolução, Pedro conforma-se com uma vida mais burguesa.
Uma relação que vai evoluindo consoante os eventos deste período histórico-social, que influenciou e marcou as suas personalidades, as suas escolhas e moldou o curso das suas vidas.
Um livro com uma escrita complicada e que pode não funcionar para todos. Não me encheu as medidas e deixou a desejar.